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Letícia Gonçalves

As cartas que o partido de Hartung tem na mesa após soltar a mão de Pazolini

PSD avisou que vai conversar com todos os pré-candidatos ao governo do ES e não descarta colocar o ex-governador no páreo

Publicado em 20 de Julho de 2026 às 16:29

Públicado em 

20 jul 2026 às 16:29
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves
Paulo Hartung, Economista, ex-governador do Estado do Espírito Santo
Paulo Hartung, ex-governador do Estado do Espírito Santo Ricardo Medeiros

O PSD já deu o recado: abriu diálogo com todos os pré-candidatos ao governo do Espírito Santo, soltando, na prática, a mão do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), que está na corrida pelo Palácio Anchieta.


O partido do ex-governador Paulo Hartung não descarta lançá-lo na disputa pelo comando do Executivo estadual nem ao Senado. Ou fazer uma dobradinha puro-sangue,

com Hartung ao governo e o deputado estadual Sérgio Meneguelli ao Senado.


Se colocar a ideia em prática, porém, o PSD corre o risco de ficar isolado. Afinal, a esta altura do campeonato, a maioria das siglas e forças políticas já está em algum palanque. Rearranjos são possíveis, claro.


O próprio PSD havia declarado apoio a Pazolini e agora recua, depois de o ex-prefeito ter selado uma aliança com o PL de Magno Malta.


O protagonismo do Partido Liberal na coligação pesou para a decisão, embora o presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos, diga que esse fator "não necessariamente" foi decisivo.


Mas, hoje, o PSD só tem a si mesmo.


O posicionamento da legenda pode ser apenas uma forma de valorizar o próprio passe e lembrar a Pazolini o que ele tem a perder ao atender aos anseios do senador Magno Malta, presidente estadual do PL.


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Caso coloque o bloco na rua para valer, o partido de Hartung também tem trunfos. Pesquisa Quaest realizada a pedido de A Gazeta e divulgada na semana passada mostrou o ex-governador empatado em primeiro lugar na corrida pelo Palácio Anchieta. Encostado em Pazolini e no governador Ricardo Ferraço (MDB).

Ou seja, seria um candidato competitivo, com potencial para atrapalhar os planos do ex-prefeito.

Incorreria, entretanto, numa contradição.

Hartung elogiou Pazolini publicamente mais de uma vez e defendeu a renovação política no Espírito Santo.

O ex-governador, que esteve à frente do Executivo estadual por três mandatos, dificilmente poderia encarnar tal renovação.

Outra questão é que Hartung, nos últimos meses, não está muito imerso na política capixaba. Segue exercendo atividades na iniciativa privada e passa boa parte do tempo em São Paulo. Não tem se movimentado como pré-candidato, embora não tenha rechaçado a possibilidade.

Renzo Vasconcelos também não descarta aproximação com a pré-candidatura à reeleição de Ricardo. Nesse caso, o PSD não ficaria isolado. Aliás, ao contrário, juntaria-se à ampla aliança formada em apoio ao emedebista.

Mas como conciliar Hartung e o governador no mesmo palanque? Os dois já foram aliados  — Ricardo foi vice de Hartung de 2007 a 2011  — mas isso é passado. Há tempos eles estão em grupos políticos diferentes. São adversários.

A priori, a hipótese mais plausível é de que o PSD quer situar Pazolini sobre os riscos que envolvem abraçar o bolsonarismo, Magno Malta e a pré-candidatura de Maguinha Malta (PL) ao Senado.

Considerando as voltas que a vida política dá, no entanto, tudo é possível.

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Letícia Gonçalves

Letícia Gonçalves Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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