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Letícia Gonçalves

Quem sobe e quem desce: o raio-X da pesquisa Quaest sobre a corrida pelo governo do ES

No cenário mais provável, com três pré-candidatos, o governador Ricardo Ferraço (MDB) lidera

Publicado em 16 de Julho de 2026 às 15:18

Públicado em 

16 jul 2026 às 15:18
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

Ricardo Ferraço, Lorenzo Pazolini e Helder Salomão Arte | A Gazeta
A pesquisa Quaest realizada a pedido de A Gazeta e divulgada nesta quinta-feira (16) sobre a corrida pelo governo do Espírito Santo mostra, à primeira vista, um jogo embolado que pouco mudou em relação ao levantamento anterior, cujos dados foram coletados no final de abril.

No cenário com todos os possíveis candidatos, há empate técnico entre o ex-governador Paulo Hartung (MDB), com 21%; o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), com 19%; e o governador Ricardo Ferraço (MDB), também com 19%, seguidos pelo senador Magno Malta (PL), com 12%.

Esse recorte é relevante, para mostrar o potencial dos nomes especulados. Mas o mais provável, hoje, é que tenhamos três concorrentes ao Palácio Anchieta: Pazolini, Ricardo e o deputado federal Helder Salomão (PT). 

Não se pode descartar Hartung de pronto, já que ele é competitivo e até agora não disse se vai ou não disputar um cargo em 2026, mas tampouco se pode apostar que ele vai participar do pleito, uma vez que o PSD já declarou apoio a Pazolini.


Assim, vamos nos ater aqui aos que, certamente, vão aparecer nas urnas.

No cenário em que apenas os nomes dos três foram previamente informados aos entrevistados, quem lidera é Ricardo, com 37% das intenções de voto, seguido por Pazolini, com 25%, e Helder, com 11%.

RICARDO CRESCEU CINCO PONTOS

Ricardo Ferraço, por sua vez, no cenário com apenas três candidatos, tinha 32% em abril e agora tem 37%.

O emedebista tem o apoio de diversos partidos e lideranças políticas e está à frente do Palácio Anchieta há três meses e meio, o que lhe confere mais visibilidade.

É preciso ressaltar, entretanto, que a pesquisa não mediu o quanto os eleitores do Espírito Santo estão cientes da recente mudança no comando do Executivo estadual.

O governador tem 31% de rejeição, o que não é muito menor que a de Helder Salomão.

Mas ampliou a vantagem em relação ao segundo colocado.

Antes, ele estava oito pontos percentuais à frente de Pazolini. Agora, abriu 12 pontos de diferença. Foi o que mais cresceu.

É um feito positivo na pré-campanha, mas nada garantido.

Pesquisas são um retrato do momento, não uma previsão do futuro.

PAZOLINI ESTACIONADO

Já Pazolini oscilou um ponto percentual para cima, passou de 24% para 25%. Novamente, tratando aqui do cenário com apenas os três pré-candidatos em questão.

O ex-prefeito está na mesma, considerando a margem de erro, de três pontos percentuais.

O republicano está há cerca de três meses e meio fora do comando do Executivo municipal e em acelerada pré-campanha.

Está prestes a se aliar ao PL de Magno Malta, como já mencionado neste texto, e
declarou apoio à pré-candidatura à Presidência da República do senador Flávio Bolsonaro (PL).

Esse anúncio, entretanto, ocorreu em 13 de julho. Os pesquisadores da Quaest foram às ruas entre 10 e 13 de julho. 

Logo, o impacto do aceno de Pazolini aos eleitores bolsonaristas ainda não foi captado.

Um ponto positivo para o ex-prefeito é que ele é mais "leve" que os demais, ao menos no quesito rejeição.

É o menos rejeitado, com 21%.

O DESEMPENHO DE HELDER

O candidato do PT ganhou mais dois pontos percentuais em comparação com a pesquisa de abril, passou de 9% para 11%.

A pré-candidatura de Helder foi consolidada dentro do próprio partido no final do ano passado, meses depois de Ricardo e Pazolini terem começado a se movimentar como potenciais candidatos ao Palácio.

O lançamento oficial da pré-candidatura do petista ocorreu somente no último dia 4.

O desempenho mais recente dele, provavelmente, pode ser creditado ao fato de que mais eleitores agora sabem que ele está na corrida pelo governo. Mas é uma oscilação dentro da margem de erro.

Os 11% que Helder marcou agora ainda estão longe dos 30% que ele pretende alcançar.

E uma barreira já se avizinha: a rejeição.

Considerando os cinco possíveis candidatos, Helder é o terceiro mais rejeitado, uma vez que 34% dos entrevistados disseram que o conhecem, mas não votariam nele.

O percentual é superado por Magno Malta, rejeitado por 55%. E por Hartung, rejeitado por 35%.

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PODE MUDAR

O que caiu foi o percentual de indecisos, de 18% para 14%.

Volto a registrar que pesquisa é foto do momento, não filme de clarividência.

A própria Quaest mostra que 53% dos eleitores do Espírito Santo dizem que podem mudar a intenção de voto "caso algo aconteça". 

O percentual é menor do que o verificado em abril, quando era de 60%.

Mas, ainda assim, isso gera um potencial de risco e de crescimento para todos os três pré-candidatos.


Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral

A pesquisa Quaest sobre o cenário eleitoral no Espírito Santo, contratada por A Gazeta, foi realizada entre os dias 10 e 13 de julho, com 804 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. 

Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. 

A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES-07211/2026.

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Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espírito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiária no site Gazeta Online/CBN Vitória. Em 2008, passou a atuar como repórter da rádio. Em 2012, migrou para a editoria de Política de A Gazeta, tambem como repórter. Exerceu a função de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Letícia Goncalves.

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