Quem também está na chapa de federais do Republicanos é
Evair de Melo. A princípio, ele é pré-candidato à reeleição e assim sempre se
declara. Mas não é segredo que, no fundo, o deputado almeja lançar candidatura
ao Senado – e tem batalhado por isso, há meses, nos bastidores políticos.
Profundamente bolsonarista, Evair chegou a ser citado por
Jair Bolsonaro (PL), em entrevista a um podcast
amigo, como seu candidato ao Senado no Espírito Santo. Isso na virada de 2024
para 2025.
Em fevereiro deste ano, papéis de Flávio Bolsonaro, com
anotações sobre os planos do PL nas disputas estaduais, continham o nome de Evair, juntamente com o de Maguinha Malta, como os
dois possíveis candidatos do bolsonarismo ao Senado no Espírito Santo.
À mão, Flávio fez uma rasura, corrigindo o partido atribuído
a Evair: riscou “(PL)” e mudou para “(PP)”. Do nome do deputado, puxou uma seta
e escreveu “JB” (vinculando Evair diretamente ao pai, Jair Bolsonaro).
Flávio ainda registrou: “Conversa c/ Magno”.
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Entre fevereiro e março, ainda no PP, Evair chegou a se
articular para entrar no PL e buscou convencer Magno Malta a abraçá-lo como
único candidato da direita bolsonarista no Espírito Santo (em vez de Maguinha
Malta), por entender que seria mais competitivo. Mas o presidente estadual do
PL manteve-se irredutível: jamais abriu mão de ver a filha candidata a
senadora, reservando a legenda para ela.
Com a porta fechada no PL e as pretensões barradas por
Magno, Evair entrou naquela que sempre foi mantida como sua porta de saída: no
fim de março, trocou o PP pelo Republicanos, legenda de Lorenzo Pazolini,
presidida em terras capixabas pelo ex-deputado Erick Musso. Assim, manteve
vivas suas chances de viabilizar candidatura ao Senado.
Evair é parceiro de primeira hora de Erick Musso e Pazolini.
Foi dos primeiros a embarcar na pré-campanha do então prefeito de Vitória a
governador. Desde janeiro do ano passado, os três têm percorrido juntos
municípios da Grande Vitória e, principalmente, do interior do Estado, onde
Evair tem alta capilaridade.
No último dia 18, PL
e Republicanos sacramentaram a aliança no Espírito Santo. Estarão juntos na
coligação majoritária. Com isso, Pazolini
topou apoiar Maguinha, que passou a ser a primeira candidata ao Senado
dessa coligação liderada por ele.
Em contrapartida, Maguinha e Magno declararam apoio ao
ex-prefeito de Vitória para governador. Pazolini
também passou a apoiar e ser apoiado por Flávio Bolsonaro. Tornou-se o
candidato do PL e da família Bolsonaro ao Palácio Anchieta. Tudo isso foi
anunciado no dia 18, com a presença de Flávio, num evento do PL em Vitória.
Resta, assim, a segunda candidatura ao Senado nessa chapa do
PL com o Republicanos. E esta está a cada dia mais perto de Evair.
A princípio, havia outros concorrentes internos na mesma
construção eleitoral, como o deputado estadual Sérgio Meneguelli, do PSD. O
partido já havia anunciado apoio a Pazolini. Mas Magno chegou à coligação
trazendo não só o PL, mas um veto ao ex-prefeito de Colatina.
Sufocado nessa composição, o PSD de Meneguelli e Paulo Hartung afastou-se e até reabriu conversas com o governador Ricardo Ferraço (MDB), adversário de Pazolini.
Restaram, assim, nesse jogo de “fica um”, os dois possíveis
candidatos do próprio Republicanos ao Senado: Evair de Melo e Manato. Mas, com
a “descida” oficial de Manato, resta agora só Evair. O caminho fica aberto para
ele.
Agora só falta Magno ser plenamente convencido e dar suas
bênçãos públicas a Evair. É o único ponto em que ainda é preciso dar nó.
Mas o trabalho de convencimento, pelo que apuramos, está avançado,
e o acordo, bem encaminhado. Magno só deve tratar do tema na convenção estadual
do PL, marcada para a manhã deste sábado (1º).
Cumprindo sua parte, Evair está seguindo o “protocolo Magno
Malta”. À colunista Letícia Gonçalves,
já declarou que, se concorrer ao Senado, pedirá votos para ele mesmo e também
para Maguinha.
Como mostramos aqui no último dia 17, os defensores dessa dobradinha entendem que ela faz total sentido, pois os dois estão no mesmo campo ideológico e, se fizerem uma “campanha
realmente casada”, com um pedindo seu segundo voto para o outro, podem “fechar
a porteira” do eleitorado ferreamente bolsonarista em território capixaba.
Por essa perspectiva, os eleitores mais ligados a Jair e Flávio
darão a ambos os seus votos para o Senado.
O entendimento é que o parlamentar, com forte densidade
eleitoral no interior do Estado, pode agregar votos à filha de Magno, em
setores onde ela “inexiste”: empresários e, principalmente, produtores rurais.
Os senões
No meio político capixaba, há um sentimento quase geral de
que o ex-governador Casagrande (PSB) é favoritíssimo para abocanhar uma das duas
vagas em disputa, o que só deixaria uma para jogo entre todos os outros
candidatos.
Assim, Evair e Maguinha, ao mesmo tempo em que podem se impulsionar,
também disputarão entre si essa segunda vaga.
Por isso mesmo, Magno preferiria – e teria trabalhado para –
que a coligação Republicanos/PL não tivesse um segundo candidato tão competitivo
quanto Evair.
Mas defensores desse arranjo argumentam:
1)
Magno não pode querer tudo; Pazolini e seu
Republicanos já abraçaram Maguinha, como era sua prioridade;
2)
Eventual chegada de Evair ao Senado também não deixa
de ser positiva para Magno, na medida em que ele engrossará a base bolsonarista
no Senado;
3)
A palavra final compete a Pazolini, e não se
pode privar o cabeça da chapa do direito de escolher quem ele quer escalar na
posição;
4)
Para Pazolini, logicamente, convém completar sua
chapa com um candidato ao Senado como Evair, que pedirá votos com força para
ele na disputa para governador, sobretudo no interior, onde o ex-prefeito
carece de maior tração.
5)
Que vença o melhor!
Efeito colateral para
o Republicanos
Para o Republicanos, o efeito colateral é que o possível
deslocamento de Evair para a majoritária desfalcará a chapa de deputados
federais do partido, de um modo irremediável. Quem entrar no lugar dele
dificilmente terá o mesmo potencial de votos, colocando em risco a meta do
partido de eleger dois federais no Estado.
Bom lembrar que, em março, essa chapa de Erick Musso já
sofreu um duplo abalo imposto pelo Palácio Anchieta, com a migração casada dos
dois federais eleitos pela sigla em 2022: Amaro Neto e Messias Donato. Ambos
foram para a Federação União Progressista, por ação de Ricardo Ferraço e
Casagrande na coxia do poder.
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