Sair
Assine
Sair
Entrar

Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Vitor Vogas

Por que Vidigal voltou a ser considerado de verdade para vice de Ricardo?

Movimento em prol da "solução Vidigal" é um fato. Saiba o que o ex-prefeito da Serra aportaria que seus "concorrentes internos" não entregam à campanha do governador. Quais os seus prós e contras?

Publicado em 30 de Julho de 2026 às 15:37

Públicado em 

30 jul 2026 às 15:37
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Ricardo Ferraço e Sérgio Vidigal
Ricardo Ferraço e Sérgio Vidigal Divulgação

Altamente cobiçada por razões que vão até a eventual sucessão de Ricardo Ferraço (MDB) em 2030, a vaga de candidato a vice na chapa do atual governador virou objeto de intensa disputa entre aliados na reta final da “pré-campanha”.

> Quer receber as publicações da Coluna Vitor Vogas pelo Whatsapp? É só clicar aqui


Muitos nomes já foram apresentados ou especulados, e há outros partidos interessados. O Podemos, por exemplo (um dos primeiros a embarcar na arca de Ricardo), ofereceu uma relação de nomes. E até Arnaldinho Borgo (um dos últimos a embarcarem) manifestou interesse em indicar alguém do PSDB. Isso é fumaça.


Objetivamente, podemos afirmar que, a esta altura do processo, a disputa real é mais restrita, e a escolha de Ricardo se reduz a duas opções: ou ele contempla a União Progressista, ungindo um dos quadros apresentados pela federação, ou convida o ex-prefeito Sérgio Vidigal (PDT) para a missão.


Este é o cabo de guerra que está sendo travado, no momento, no quintal da casa do governador (ou em frente ao Palácio Anchieta): de um lado, a União Progressista, dona de um poderio eleitoral sem par e representada no Espírito Santo pelos deputados Da Vitória (PP) e Marcelo Santos (União); do outro, um conjunto de aliados ferracistas que apoiam fortemente a indicação de Vidigal.


O movimento de aliados em defesa do nome do pedetista é mais que um blefe. É um fato. As caras do movimento são Euclério Sampaio, simplesmente o presidente estadual do MDB de Ricardo, e, principalmente, Enivaldo dos Anjos (PSB), que já defenderam publicamente Vidigal como companheiro de chapa de Ricardo.


Mas há mais gente na arca governista – até mais importante e influente – encampando essa tese e aconselhando Ricardo nesse sentido. O próprio ex-prefeito da Serra repete, reitera e reafirma que não quer ser candidato. Mas, se ele realmente não quer, está sendo “querido” por outros.


Nesse contexto, a pergunta que se impõe é: por que Sérgio Vidigal? Por que o nome dele ganhou força nos últimos dias, a ponto de ameaçar as pretensões da União Progressista? O que ele acrescentaria à chapa e à campanha de Ricardo que só ele poderia oferecer?

Simplifiquemos a resposta. Em uma palavra: votos.


Na perspectiva mais pragmática possível – verbalizada por Enivaldo dos Anjos, em entrevista à coluna –, Vidigal possui o ativo mais importante em qualquer disputa democrática: densidade eleitoral.


Um ano e meio após ter encerrado seu quarto governo, o pedetista seguramente mantém elevado recall político na Serra, o maior colégio eleitoral do Espírito Santo. Será um reduto essencial para as pretensões de qualquer candidato a governador, Ricardo incluído.


Mesmo com vantagem nas pesquisas da série da Quaest, a máquina estadual nas mãos, uma legião de apoiadores consideravelmente maior que a de qualquer oponente e o apoio pessoal de Casagrande, a eleição está longe de estar dada para Ricardo Ferraço. Ao contrário: tende a ser uma batalha duríssima. Particularmente, a disputa com Lorenzo Pazolini promete ser dificílima, com um desfecho imprevisível.


Nesse contexto, qualquer voto conta. E Vidigal, ao lado de Ricardo – ou um passinho atrás dele no material de campanha –, é alguém que tem o poder de fazer uma diferença real em seu reduto – de novo: o maior colégio eleitoral do Espírito Santo.


Uma coisa, por exemplo, é ganhar com 55% dos votos válidos em Ponto Belo. Outra, proporcionalmente bem maior, é alcançar 55% dos votos válidos na Serra. Estamos falando de dezenas de milhares de votos, os quais, numa chegada acirrada, podem ser decisivos.

E quanto aos nomes da federação?  

Enquanto Vidigal, potencialmente, agrega votos à campanha de Ricardo, o que se pode dizer dos nomes apresentados pela Federação União Progressista? Aí é que está: são praticamente desconhecidos do eleitorado e agregariam muito pouco, em termos práticos, à campanha de Ricardo, na visão de quem defende Vidigal.


Entre aliados do governador, ok, ninguém discute o tamanho e a importância da União Progressista e tudo o que ela soma à campanha de Ricardo, em matéria de recursos e tempo de propaganda de TV e rádio (algo que certamente segue sendo fundamental, sobretudo no interior e na periferia da Grande Vitória). Em 2022, PP e União Brasil, somados, elegeram mais de 100 deputados federais pelo país. O PDT elegeu 17.


Por esse ângulo, ninguém questiona que a federação, a priori, teria mesmo a “preferência” para emplacar o companheiro ou companheira de chapa de Ricardo... se tivesse nomes à altura da missão, com musculatura política compatível com o espaço almejado.


Nomes como os da Capitã Andresa (PP), Amaro Neto (PP), Messias Donato (União) e os próprios Marcelo Santos (União) e Da Vitória (PP) chegaram a ser cogitados ao longo dos últimos meses. 


Mas todos fazem parte da chapa da federação para a Câmara dos Deputados, e a direção do partido não deseja desfalcá-la, para não reduzir as próprias chances de eleger pelo menos dois federais. Vamos riscá-los, então.


Quem é que sobra?

Joelma Costalonga

Sobram outros três quadros da federação. Pelo lado da União Brasil, foi oficialmente indicada Joelma Costalonga, aliada fiel de Marcelo Santos. É uma completa desconhecida do eleitorado capixaba. Pela lógica da complementariedade (buscar no/a vice um “perfil complementar”, com traços diferentes do titular), Joelma obviamente tem a seu favor o fato de ser mulher. Mas podemos parar por aí.


À frente do projeto Arranjos Produtivos, da Assembleia, ela é mais conhecida entre prefeitos e líderes políticos do interior... Ricardo já é forte nesse meio. Entre seus aliados, é quase consenso que seu vice precisa ser da Grande Vitória – até para balancear a luta com Pazolini na Região Metropolitana.


Pode não ser um arranjo político tão produtivo para ele.

Rodolfo Mai e Camillo Neves

Além de Joelma, há dois nomes apresentados pelo PP. Um deles é Rodolfo Mai, empresário de Guarapari. É mais um absoluto “quem?” para a massa de eleitores.


O outro é Camillo Neves, jogador de futebol de areia e vereador de Vitória. Cumprindo o segundo ano do seu primeiro mandato, ele mal inaugurou sua trajetória política. Fora da Capital, também é pouquíssimo conhecido pelo eleitorado capixaba.


Camillo tem a seu favor o fato de ser muito próximo a Da Vitória. Para alguns, por ser da Capital e ter se tornado um crítico da administração Pazolini/Samorini, ele poderia desempenhar o papel de “bater” no ex-prefeito de Vitória (ou rebatê-lo), poupando Ricardo de cumprir esse papel que não raro soa antipático para a população e pode se voltar contra o candidato.


Por aquela lógica da complementariedade, com 34 anos, pouco mais da metade da idade de Ricardo, Camillo também “rejuvenesce” a chapa do sexagenário candidato. 

A disparidade prática

Todavia, se somarmos o capital político de Joelma, Rodolfo e Camillo, qual é o “tamanho” deles na comparação com Vidigal? Esse é o ponto, muito prático, destacado pelos defensores do ex-prefeito da Serra. 

 

Considerando os perfis, a ideia de “complementariedade” iria para o espaço com Vidigal na chapa de Ricardo: assim como o governador, ele é um homem branco, sessentão e político da velha guarda. E, tal como Ricardo, iniciou-se na vida pública nos anos 1980. Tem 69 anos, enquanto Ricardo tem 62. “Envelhece” a chapa? Sim.


Mas, para quem defende Vidigal, nada disso supera o critério mais importante: voto. E na Grande Vitória. 

Decisão solitária

A decisão, no fim das contas, é solitária e intransferível: compete exclusivamente a Ricardo Ferraço. É claro, como ele mesmo tem dito, que o governador ouvirá parceiros e dirigentes dos partidos integrados à sua coligação. Mas, como ele mesmo também já afirmou: “No fim do dia, quem vai decidir sou eu”.


Afinal, pelos próximos quatros anos, se ele conseguir vencer em outubro, seu vice terá de ser alguém que lhe inspire a máxima confiança e com quem ele nutra excelente relacionamento político e pessoal.


Vidigal pode ser essa pessoa? Pode. A relação entre eles é ótima. São parceiros históricos. 

A União Progressista já está contemplada? 

Mas suponhamos que Ricardo se decida por Vidigal. Obviamente, tal escolha desagradará com força à Federação União Progressista. Como a contentar? Como a compensar?


Para aliados ferracistas que defendem a “solução Vidigal”, a federação na verdade já está “mais que contemplada” na construção política de Ricardo.


Contemplada porque foi graças à ajuda do governo e ao empenho pessoal de Ricardo que a União Progressista manteve Bruno Resende e conseguiu filiar Messias Donato e Amaro, em março, robustecendo sua chapa e suas chances de fazer dois ou mais federais em outubro.


Contemplada porque, na montagem de seu secretariado, Ricardo nomeou para a Sesport ninguém menos que Paulo Marcos Lemos. Servidor de carreira da Assembleia desde 1994, ele era um dos homens de confiança de Marcelo Santos na administração da Casa. Nos bastidores, foi indicação direta de Marcelo, que passou a exercer influência na pasta.


De todo modo, Ricardo já acenou, muito sutilmente, com a possibilidade de a União Progressista ocupar espaço(s) na alta cúpula de seu próximo governo, em caso de vitória nas urnas. “A federação terá protagonismo em minha campanha e em meu governo.”

No sentido da leitura: Amaro Neto, Da Vitória, Ricardo Ferraço, Marcelo Santos, Messias Donato e Adilson Espindula. Federação União Progressista anuncia apoio a Ricardo (março de 2026)
No sentido da leitura: Amaro Neto, Da Vitória, Ricardo Ferraço, Marcelo Santos, Messias Donato e Adilson Espindula. Federação União Progressista anuncia apoio a Ricardo (março de 2026) Divulgação

O viés de centro-esquerda de Vidigal

Não há que se discutir: ao longo das últimas décadas, Vidigal estabeleceu-se como o cacique político do Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Espírito Santo. Sigla fundada por Leonel Brizola, o PDT é um partido de centro-esquerda, que apoia Lula (PT) e seu governo.


Embora transite bem com líderes mais à direita (como Ricardo), o próprio Vidigal pode ser definido como um político de centro-esquerda. Para alguns, isso pode ser ruim para o governador.


Basta lembrarmos que, na última eleição municipal, o próprio candidato de Vidigal, Weverson Meireles (PDT), evitou o rótulo de esquerda e esnobou o apoio oferecido pelo PT da Serra.


Por outro lado, a ideia agrada a setores do PSB de Casagrande. Seus defensores entendem que, justamente por ser mais de centro-esquerda, Vidigal pode trazer “equilíbrio ideológico” à chapa de Ricardo, ajudando-o a atrair votos de eleitores do centro para a esquerda, numa disputar direta com Pazolini (agora, o candidato dos Bolsonaro no Espírito Santo).


Além disso, em eventual 2º turno contra Pazolini, a presença de Vidigal na chapa poderia servir como uma “ponte” com as forças do centro para a esquerda, incluindo o PT de Helder Salomão. 

Weverson sem tanto appeal

Outro ponto a se levar em conta é que, até o momento, Weverson Meireles e sua gestão ainda carecem de um “brilho próprio” na Serra.


No estratégico colégio eleitoral, Ricardo pode carecer de um cabo eleitoral mais forte: o criador, não a criatura.


Mesmo sem lugar na chapa, Vidigal atuará como apoiador de Ricardo... Mas, se ele for o vice de Ricardo, será mais fácil convencer “seus” eleitores. 

A sucessão em 2030 (em caso de vitória)

A solução “Vidigal na vice” também esbarra em resistências de aliados de Ricardo por outro fator.


Se o governador vencer, o vice-governador eleito com ele passará automaticamente a ser um potencial candidato à sucessão de Ricardo, em 2030. 


Muitos outros ferracistas estão de olho nessa posição... e, por isso mesmo, não gostariam de ver Vidigal tão bem posicionado, como o “primeirão da fila”. Seria um concorrente muito forte.  

Leia mais colunas de Vitor Vogas 

Baixa na União Progressista: Marcus Vicente desiste de se candidatar

Por que Vidigal voltou a ser considerado de verdade para vice de Ricardo?

Soraya Manato desiste de ser candidata

Quem será desta vez “o deputado federal do Arnaldinho”?

Neucimar Fraga será candidato a deputado federal pelo PL

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Acidente com morte na Rodovia do Sol, na Ponta da Fruta, em Vila Velha
Ciclista de 76 anos morre atropelado na Rodovia do Sol, em Vila Velha
Maguinha Malta e Evair de Melo
Senado no ES: Evair de Melo pode fazer dobradinha com Maguinha Malta
Imagem de destaque
Prêmio Biguá lança campanha com foco em atitudes sustentáveis; inscreva-se

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados