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Vitor Vogas

Quem será desta vez “o deputado federal do Arnaldinho”?

Relação com Victor Linhalis esfriou, e prefeito decidiu dividir seus ovos em vários cestos. Vai apoiar alguns candidatos à Câmara dos Deputados, sem concentrar forças em seu ex-vice-prefeito, como fez em 2022

Publicado em 29 de Julho de 2026 às 18:22

Públicado em 

29 jul 2026 às 18:22
Vitor Vogas

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Vitor Vogas Vitor Vogas
Acima, Arnaldinho Borgo; abaixo, Marcelo Santos, Manu Pedroso, Neucimar Fraga, Victor Linhalis e Da Vitória
Acima, Arnaldinho Borgo; abaixo, Marcelo Santos, Manu Pedroso, Neucimar Fraga, Victor Linhalis e Da Vitória Fotomontagem

Nas eleições gerais de 2022, o até então vice-prefeito Victor Linhalis foi eleito para a Câmara dos Deputados como o 6º candidato mais votado no Espírito Santo (entre os dez que entraram). Na campanha, ele contou com o engajamento pessoal e maciço do prefeito Arnaldinho Borgo, sendo apresentado à população, a todo instante, como “o federal do Arnaldinho”. Os dois então estavam no mesmo partido, o Podemos.


Dos 53.483 votos obtidos por Victor Linhalis, 41.853 foram dados em seções eleitorais de Vila Velha – quase 80% de sua votação. De cada cinco votos nele, quatro vieram da cidade governada por Arnaldinho.


Agora, no pleito que se avizinha, a história será diferente. No Partido Socialista Brasileiro (PSB), Victor será candidato a mais um mandato na Câmara, mas dessa vez não poderá carregar a alcunha de “o federal do Arnaldinho” (no singular). Nas eleições deste ano, o prefeito decidiu dividir seus ovos em vários cestos: ajudará alguns aliados (plural) que disputam a mesma eleição para deputado federal.


Na prática, isso significa que Arnaldinho dividirá suas forças, distribuindo-as entre alguns candidatos. Em Vila Velha, o prefeito lidera um verdadeiro exército de cabos eleitorais sob sua influência: vereadores, líderes comunitários e uma legião de servidores comissionados.


Muitos deles ajudarão Emanuela Pedroso, a Manu (PSB), ex-secretária estadual de Governo e grande aliada de Arnaldinho – frequentemente vista ao lado dele em solenidades em Vila Velha desde os tempos de governo Casagrande.


Outros “soldados de Arnaldinho” serão colocados a serviço da campanha do presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União). Outros tantos serão direcionados para a campanha de Josias da Vitória (PP). E alguns aliados em comum vão colaborar com o ex-prefeito Neucimar Fraga (PL). Os três são aliados de Arnaldinho e disputarão um lugar na Câmara.


Dessa vez, portanto, Victor não terá “contrato de exclusividade”, por assim dizer. Não será “o candidato do Arnaldinho”. Será, no máximo, um dos candidatos. No máximo.


Pessoas próximas ao prefeito dizem que a relação política entre eles esfriou. Arnaldinho não vai atrapalhar seu ex-vice-prefeito... Seus apoiadores que quiserem ajudar na campanha de Victor estão liberados para isso. Mas ele mesmo não fará muita força pessoal para ajudá-lo a se reeleger... e isso, convenhamos, é uma diferença radical em relação ao que se viu em 2022.


Ciente da nova conjuntura, Dr. Victor (seu nome de urna) passou a intensificar sua presença em alguns municípios do interior, a fim de expandir seu raio de votação e não ficar mais tão dependente dos votos de Vila Velha.

A nota oficial de Arnaldinho

Questionado sobre seus apoios a deputado federal nesse pleito, Arnaldinho respondeu com esta nota, enviada por sua assessoria:

 

“A definição dos apoios está sendo construída com responsabilidade, diálogo e foco nos interesses de Vila Velha. Nosso compromisso é fortalecer a representação da cidade em Brasília, ampliando a rede de parceiros para viabilizar mais investimentos, recursos e projetos que contribuam para melhorar a vida da população”.


Trecho-chave: “ampliando a rede de parceiros para viabilizar mais investimentos”.

A turbulenta experiência no PSDB

Vale lembrar que, na realidade, o partido de Arnaldinho é o PSDB, presidido no Espírito Santo desde dezembro do ano passado. Mas, sob a liderança do prefeito, o partido não conseguiu montar uma chapa à Câmara dos Deputados no Estado.


Arnaldinho recebeu do presidente nacional, Aécio Neves, a presidência do PSDB no Espírito Santo, no lugar do deputado estadual Vandinho Leite, em dezembro. Como afiançou Aécio, o prefeito assumiu com carta branca para buscar viabilizar sua candidatura a governador. Em troca, deveria entregar à cúpula nacional uma boa chapa para a Câmara Federal.


Resumindo: deu tudo errado.


Arnaldinho desistiu de renunciar para ser candidato a governador e, no fim de março, anunciou a decisão de completar seu atual mandato na prefeitura. Acabou optando por apoiar Ricardo Ferraço (MDB).


A chegada de Arnaldinho à presidência, pelo modo como se deu, desencadeou uma debandada de tucanos no Espírito Santo. Deputados estaduais, prefeitos e vice-prefeitos saíram do partido. Entre os prefeitos, só ele restou.


Quanto à “encomenda” de Aécio, em meados de março, Arnaldinho chegou a apresentar um rascunho de chapa, com Neucimar, Luiz Paulo Vellozo Lucas e Victor Linhalis (que era a coluna cervical).


Aliás, o malsinado capítulo PSDB na história dos dois ajuda a explicar o recente distanciamento.


Para salvar a própria candidatura, após Arnaldinho anunciar que não seria candidato a governador, Victor desistiu de entrar no partido do prefeito. No finzinho do prazo legal para filiações de candidatos (4 de abril), ele entrou no PSB de Renato Casagrande. Foi o tiro de misericórdia na chapa do PSDB para a Câmara. No dia seguinte, Neucimar Fraga foi para o PL. 


A chapa morreu ali.


O modo como isso ocorreu deixou mágoas. Não foi muito bem resolvido entre eles.

Mas foi aquela típica situação em que não havia muito o que fazer.


Victor acompanhou Arnaldinho no projeto de criar um novo PSDB no Espírito Santo, à feição do prefeito. Mas o projeto derreteu em poucos meses. E, se fosse candidato a deputado pelo PSDB, sem companheiros de chapa minimamente competitivos, Victor teria de ir para o sacrifício, numa candidatura kamikaze.


Agora, por outro lado, Arnaldinho não se sente mais obrigado a apoiá-lo como fez em 2022.

O distanciamento entre ambos pode ter implicações até na sucessão de Arnaldinho em 2028. Até dois ou três meses atrás, Victor era tratado no meio político como principal aposta de Arnaldinho para ser seu candidato a prefeito nas próximas eleições municipais.


Agora, essa hipótese perde força. E perderá ainda mais caso Victor não consiga se reeleger. 

A força de Victor em Vila Velha em 2022

Só em Vila Velha, Dr. Victor alcançou 41.853 votos em 2022.

O segundo mais votado para federal no município, Devacir Rabello (PL), não chegou à metade dessa marca, com 16.454 votos na cidade. Seja por concentração de votos, seja por influência direta de um prefeito, o caso só guarda paralelo com o de Messias Donato, candidato a federal de Euclério Sampaio no mesmo ano.  

Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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