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Vitor Vogas

Renzo: “Tenho certeza que Hartung, Ricardo e Casagrande podem se reconciliar”

Após abraçar Magno Malta, Pazolini pode perder o abraço do partido de Paulo Hartung. Presidente estadual do PSD se reúne com Ricardo e jura que não está blefando. Agora, Ricardo abraçará o Paulo?

Publicado em 22 de Julho de 2026 às 15:16

Públicado em 

22 jul 2026 às 15:16
Vitor Vogas

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Vitor Vogas Vitor Vogas
Renato Casagrande com Ricardo Ferraço; Renzo Vasconcelos com Paulo Hartung
Renato Casagrande com Ricardo Ferraço; Renzo Vasconcelos com Paulo Hartung Divulgação

O prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos (PSD), protagonizou, na última segunda-feira (20), aquele que foi certamente o movimento que mais sacudiu o tabuleiro político eleitoral do Espírito Santo nesta temporada de definições: após já ter declarado apoio a Lorenzo Pazolini para o Governo do Estado, retirou o PSD da coligação liderada pelo Republicanos, anunciando que o partido está com o passe livre no mercado político e aberto a dialogar e apoiar outro candidato a governador, incluindo o atual mandatário, Ricardo Ferraço (MDB). 

 

Com a concordância do ex-governador Paulo Hartung – muito influente no PSD –, Renzo fez a inflexão após Pazolini mergulhar de cabeça na aliança com o Partido Liberal (PL) de Magno Malta, sacramentada no último sábado (18), em evento com Flávio Bolsonaro. Como detalhamos aqui, esse casamento público do Republicanos de Pazolini com o PL deixou o PSD em situação dificílima dentro dessa coligação de direita, asfixiado e sem espaço para emplacar um candidato a senador.


Renzo tem o compromisso público, declarado por ele algumas vezes à imprensa, de viabilizar a candidatura de Sérgio Meneguelli (PSD) ao Senado. Também chegou a dizer, em mais de uma ocasião, que o próprio Hartung teria legenda para ser candidato ao que quisesse, a pedido do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab. 


Hartung, segundo interlocutores, chegou a se animar a postular um lugar no Senado, embora nunca tenha declarado isso nem feito movimentos mais incisivos nesse sentido. 


Se o PSD ficar no movimento de Pazolini com o PL, Renzo não terá condições de concretizar nem uma coisa nem outra. Agora, procura alternativas.

Nesta quarta-feira (22), a portas fechadas, o prefeito de Colatina reuniu-se com Ricardo Ferraço para tratar de um possível acordo eleitoral.


A conversa ocorreu por volta das 9 horas, na Residência Oficial da Praia da Costa. Só os dois participaram. O diálogo foi breve.


Renzo manifestou o interesse do PSD em participar da chapa de Ricardo – ocupando espaço(s). Ricardo o ouviu e lhe respondeu que não pode decidir sozinho. 


Hoje, ele tem consolidada uma grande frente partidária e precisa levar a questão para deliberação dos líderes de outros partidos que estão com ele (Casagrande, Sérgio Vidigal, Marcelo Santos, Josias da Vitória, Euclério Sampaio, Gilson Daniel etc.). Foi o que disse a Renzo.


No Palácio Anchieta, grande parte dos aliados de Ricardo desconfia muito seriamente de que a aproximação não passe de um blefe: por esse ângulo, Renzo na verdade estaria buscando apenas melhorar sua posição na mesa de negociações com o Republicanos, isto é, ameaçando apoiar o adversário para aumentar seu poder de barganha e conseguir um espaço maior na chapa de Pazolini.


Falando à coluna nesta quarta, após a reunião com Ricardo, Renzo disse que não é nada disso e afirmou categoricamente: “Não estou blefando”.


Indo além, o prefeito de Colatina disse “ter certeza” de que é possível remover o maior empecilho para eventual ingresso do PSD na coligação de Ricardo e do ex-governador Renato Casagrande (PSB), pré-candidato a senador: o fato de que Hartung é notório inimigo político de ambos. 


Dado o histórico de animosidade entre eles, como o PSD, de Paulo Hartung, poderia apoiar Ricardo para governador e Casagrande para senador?


Questionado sobre esse “detalhe”, Renzo foi ainda mais categórico: 

Acho possível a reconciliação. Aliás, tenho certeza que é possível

Renzo Vasconcelos, prefeito de Colatina e presidente estadual do PSD

Na última segunda-feira (18), na nota enviada à imprensa comunicando a mudança de planos do PSD, Renzo também mandou uma foto. Além de sua esposa, a médica Lívia Vasconcelos, Paulo Hartung apareceu sorridente do seu lado no registro.


“Obviamente, nós dialogamos. E Paulo está ciente de todo nível de conversa que terei com outros atores. O PSD constrói junto. Paulo Hartung, Zé Carlinhos da Fonseca, Aridelmo Teixeira... Tudo o que o PSD fizer tem o aval e o conhecimento desses atores”, salienta o prefeito. 


“Todas as conversas que eu tive, Paulo sabe e está de acordo. Nós estamos na mesma direção. Se eu tenho a liberdade do partido para conversar com outros atores, pensando no crescimento do PSD e do Espírito Santo, Paulo está nesse projeto.”


Renzo não entrou em detalhes sobre a conversa com Ricardo Ferraço, mas garantiu que, para apoiar Ricardo e Casagrande, o PSD pleiteia espaços na composição. 


Paulo Hartung na posição de candidato ao Senado nessa chapa (ao lado de Ricardo e Casagrande) é algo totalmente impensável. Mas vale lembrar o compromisso de Renzo em viabilizar a candidatura de Meneguelli ao Senado e seu desejo de ver a mulher, Lívia Vasconcelos, como candidata a vice-governadora.


“Vamos lutar por algumas vagas, principalmente nas majoritárias, e estamos buscando construir isso”, afirma o prefeito de Colatina.


Renzo não faz nenhuma crítica a Pazolini nem a Magno Malta, mas fala em “erros de comunicação”.


“Tenho a obrigação de tornar o PSD mais forte no Espírito Santo, com uma representatividade bacana. Minha conversa com Paulo é a de fazer o PSD um partido maior em nosso estado. Esse também é meu compromisso com o Gilberto Kassab. Do Republicanos, nós já temos o que conversamos. Não teve desvalorização, mas houve erros de comunicação. Agora, o que estou fazendo é diálogo. Estou fazendo política.”


Segundo Renzo, ainda nesta quarta-feira, ele também vai se reunir com o pré-candidato a governador pelo PT, o deputado federal Helder Salomão.

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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