O prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos (PSD), protagonizou, na última segunda-feira (20), aquele que foi certamente o movimento que mais sacudiu o tabuleiro político eleitoral do Espírito Santo nesta temporada de definições: após já ter declarado apoio a Lorenzo Pazolini para o Governo do Estado, retirou o PSD da coligação liderada pelo Republicanos, anunciando que o partido está com o passe livre no mercado político e aberto a dialogar e apoiar outro candidato a governador, incluindo o atual mandatário, Ricardo Ferraço (MDB).
Com a concordância do ex-governador Paulo Hartung – muito
influente no PSD –, Renzo fez a inflexão após Pazolini mergulhar de cabeça na
aliança com o Partido Liberal (PL) de Magno Malta, sacramentada no último sábado
(18), em evento com Flávio Bolsonaro. Como detalhamos aqui, esse casamento público do Republicanos de Pazolini com o PL deixou o PSD em situação dificílima dentro dessa coligação de direita, asfixiado e sem espaço para emplacar um candidato a senador.
Renzo tem o compromisso público, declarado por ele algumas vezes à imprensa, de viabilizar a candidatura de Sérgio Meneguelli (PSD) ao Senado. Também chegou a dizer, em mais de uma ocasião, que o próprio Hartung teria legenda para ser candidato ao que quisesse, a pedido do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab.
Hartung, segundo interlocutores, chegou a se animar a postular um lugar no Senado, embora nunca tenha declarado isso nem feito movimentos mais incisivos nesse sentido.
Se o PSD ficar no movimento de Pazolini com o PL, Renzo não
terá condições de concretizar nem uma coisa nem outra. Agora, procura
alternativas.
Nesta quarta-feira (22), a portas fechadas, o prefeito de Colatina reuniu-se
com Ricardo Ferraço para tratar de um possível acordo eleitoral.
A conversa ocorreu por volta das 9 horas, na Residência
Oficial da Praia da Costa. Só os dois participaram. O diálogo foi breve.
Renzo manifestou o interesse do PSD em participar da chapa de Ricardo – ocupando espaço(s). Ricardo o ouviu e lhe respondeu que não pode decidir sozinho.
Hoje, ele tem consolidada uma grande frente partidária e precisa
levar a questão para deliberação dos líderes de outros partidos que estão com
ele (Casagrande, Sérgio Vidigal, Marcelo Santos, Josias da Vitória, Euclério
Sampaio, Gilson Daniel etc.). Foi o que disse a Renzo.
No Palácio Anchieta, grande parte dos aliados de Ricardo desconfia
muito seriamente de que a aproximação não passe de um blefe: por esse ângulo,
Renzo na verdade estaria buscando apenas melhorar sua posição na mesa de
negociações com o Republicanos, isto é, ameaçando apoiar o adversário para aumentar
seu poder de barganha e conseguir um espaço maior na chapa de Pazolini.
Falando à coluna nesta quarta, após a reunião com Ricardo, Renzo disse que não é
nada disso e afirmou categoricamente: “Não estou blefando”.
Indo além, o prefeito de Colatina disse “ter certeza” de que é possível remover o maior empecilho para eventual ingresso do PSD na coligação de Ricardo e do ex-governador Renato Casagrande (PSB), pré-candidato a senador: o fato de que Hartung é notório inimigo político de ambos.
Dado o histórico de
animosidade entre eles, como o PSD, de Paulo Hartung, poderia apoiar Ricardo
para governador e Casagrande para senador?
Questionado sobre esse “detalhe”, Renzo foi ainda mais categórico:
Acho possível a reconciliação. Aliás, tenho certeza que é possível
Renzo Vasconcelos, prefeito de Colatina e presidente estadual do PSD
Na última segunda-feira (18), na nota enviada à imprensa
comunicando a mudança de planos do PSD, Renzo também mandou uma foto. Além de sua esposa, a médica Lívia Vasconcelos, Paulo Hartung apareceu sorridente do seu lado no registro.
“Obviamente, nós dialogamos. E Paulo está ciente de todo
nível de conversa que terei com outros atores. O PSD constrói junto. Paulo Hartung,
Zé Carlinhos da Fonseca, Aridelmo Teixeira... Tudo o que o PSD fizer tem o aval
e o conhecimento desses atores”, salienta o prefeito.
“Todas as conversas que eu tive, Paulo sabe e está de
acordo. Nós estamos na mesma direção. Se eu tenho a liberdade do partido para
conversar com outros atores, pensando no crescimento do PSD e do Espírito
Santo, Paulo está nesse projeto.”
Renzo não entrou em detalhes sobre a conversa com Ricardo Ferraço, mas garantiu que, para apoiar Ricardo e Casagrande, o PSD pleiteia espaços na composição.
Paulo Hartung na posição de candidato ao Senado nessa chapa (ao lado de
Ricardo e Casagrande) é algo totalmente impensável. Mas vale lembrar o compromisso de
Renzo em viabilizar a candidatura de Meneguelli ao Senado e seu desejo de ver a
mulher, Lívia Vasconcelos, como candidata a vice-governadora.
“Vamos lutar por algumas vagas, principalmente nas
majoritárias, e estamos buscando construir isso”, afirma o prefeito de
Colatina.
Renzo não faz nenhuma crítica a Pazolini nem a Magno Malta,
mas fala em “erros de comunicação”.
“Tenho a obrigação de tornar o PSD mais forte no Espírito
Santo, com uma representatividade bacana. Minha conversa com Paulo é a de fazer
o PSD um partido maior em nosso estado. Esse também é meu compromisso com o Gilberto Kassab. Do Republicanos, nós já temos o que conversamos. Não teve desvalorização,
mas houve erros de comunicação. Agora, o que estou fazendo é diálogo. Estou fazendo política.”
Segundo Renzo, ainda nesta quarta-feira, ele também vai se
reunir com o pré-candidato a governador pelo PT, o deputado federal Helder Salomão.
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