Tendo nascido em 2015 com grandes aspirações, o Novo pouco
cresceu desde então. Hoje, ainda é um partido pequeno nacionalmente, no
Espírito Santo mais ainda. Para as eleições de 2026, o partido que virou quase
sinônimo de liberalismo econômico no Brasil vem com algumas novidades. A maior
delas: pela primeira vez na história, o Novo terá, no Espírito Santo, uma chapa
de candidatos a deputado estadual.
Nas duas últimas eleições gerais, em 2018 e 2022, o partido
passou em branco. Nem sequer registrou chapa para a Assembleia Legislativa.
Desta vez, o presidente estadual do Novo, Iuri Aguiar, anunciou uma chapa
completa (com 31 candidatos), homologada na convenção da legenda, na tarde
desta terça-feira (21).
Segundo Aguiar, o Novo desta vez acredita ser até capaz de
eleger um deputado estadual. Para isso, a chapa precisará atingir o quociente
eleitoral, estimado por dirigentes partidários em cerca de 65 mil votos. Se a
previsão se concretizar, será a primeira vez que o Novo terá um representante
no Poder Legislativo do Espírito Santo.
A bem da verdade, desde a sua fundação, o partido tem
números para lá de tímidos no Estado, quando se trata de mandatários. Até hoje,
só elegeu três vereadores em solo capixaba (todos em 2024): Sidimar do
Mercadinho, de Ibatiba, Sargento Assis, de Venda Nova do Imigrante, e Leonardo
Monjardim, de Vitória.
Este último foi o primeiro mandatário filiado ao Novo na história
do Espírito Santo, pois migrou para o partido antes do fim do seu mandato
anterior na Câmara de Vitória.
Já na eleição para a Câmara dos Deputados, o Novo também
terá chapa completa (com 11 candidatos), segundo Iuri Aguiar, mas a meta nesse
caso é mais modesta. Sem a ilusão de que conseguirá fazer um deputado federal, a
direção estadual só deseja ajudar o partido a superar, nacionalmente, a
cláusula de barreira – para que o Novo possa seguir recebendo recursos do Fundo
Partidário e sobrevivendo nos próximos anos.
No Espírito Santo, para uma chapa eleger um deputado
federal, precisará atingir algo próximo a 200 mil votos. Para fazer sua parte
na meta de ultrapassar a cláusula de desempenho, a chapa do Novo no Estado só
precisa superar a marca de 45 mil votos, pelas contas de Aguiar. É factível.
Em todo caso, lançar uma chapa completa para a Câmara
Federal também não deixa de ser uma evolução para o Novo, já que, em 2022, incrivelmente,
o partido lançou apenas uma candidata a deputada federal, a professora Patricia
Bortolon, que concorreu para marcar posição.
Ainda de acordo com Aguiar, o grande responsável pela
montagem das chapas do Novo nas duas esferas chama-se Leonardo Monjardim. O
vereador de Vitória encarregou-se pessoalmente dessa construção. Mas essa não é
a única tarefa de Monjardim no processo eleitoral deste ano. A mais importante
está por vir.
Eleição majoritária
Leonardo Monjardim também teve a candidatura homologada, na
convenção estadual, para concorrer ao Senado.
O Novo não abre mão de lançar a candidatura do vereador, mesmo
com remotíssimas chances de vitória nas urnas, num páreo que se prenuncia
duríssimo pelas duas vagas em jogo no Espírito Santo.
Para viabilizar o projeto, o Novo está determinado a lançar
uma chapa majoritária avulsa (Aguiar prefere “independente”), só com Monjardim
e seus dois suplentes, sem nenhum partido coligado.
“Vimos trabalhando nisso há muito tempo. Temos conversado
com vários atores e chegamos à conclusão de que vamos lançar o Monjardim,
fazendo coligação ou não”, afiança Aguiar.
“Sim, exatamente. Estou disposto a disputar, mesmo sozinho,
porque quero ser uma alternativa”, corrobora Monjardim.
O Novo estava mais próximo do movimento eleitoral liderado
pelo Republicanos, partido do ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini,
pré-candidato a governador. O próprio Monjardim, além de aliado de Pazolini,
era o líder do então prefeito na Câmara de Vitória e agora exerce a mesma
função no governo de Cris Samorini (PP).
Mas a viabilização da candidatura de Monjardim na coligação
de Pazolini provou-se praticamente impossível, mais ainda com a chegada do Partido
Liberal (PL), no último sábado (18).
Em troca do apoio do PL, a principal condição, cumprida por
Pazolini, foi absorver Maguinha Malta (PL) como a primeira candidata da
coligação. Resta a segunda vaga, mas esta é disputada a foice por outros agentes, inclusive do
próprio Republicanos (Manato e Evair de Melo).
O Novo acabou “espirrando”...
Aguiar afirma que está disponível para dialogar com todos. Mas
seu telefone não tem tocado. “Estamos esperando eles nos chamarem. Enquanto isso,
tocamos nossa vida.”
No último dia 10, ele conversou pessoalmente com o senador
Magno Malta, presidente estadual do PL, mas foi só, segundo ele, uma “conversa
de cortesia entre presidentes partidários”.
Ao longo dos últimos meses, o dirigente também conversou
bastante com o governador Ricardo Ferraço (MDB), pré-candidato à reeleição, até porque Juninho Corrêa, vice-prefeito
de Theodorico Ferraço em Cachoeiro, era filiado ao Novo (hoje, está no PP). Mas
eles nunca evoluíram para formação de uma aliança eleitoral.
Hoje nem lá, nem cá, o Novo está mesmo disposto a encarar o
pleito sozinho.
“Todas as conversas que eu precisava ter já aconteceram. Não
vejo sinalização de ninguém. E acho que vamos caminhar assim, de modo
independente”, arremata Aguiar.
E o tempo de
propaganda de TV e rádio?
Se Monjardim for mesmo candidato a senador sem coligação, o
vereador terá pouquíssimo tempo de TV e rádio no horário eleitoral gratuito.
Pela legislação eleitoral, 10% do tempo total de TV devem
ser distribuídos por igual entre os candidatos ao mesmo cargo majoritário, de
modo que todos tenham o mínimo do mínimo para, pelo menos, mostrar a cara no
vídeo. Deverá ser o caso de Monjardim.
Na hora do almoço e à noite, haverá blocos de 10 minutos para
todos os candidatos ao Senado em cada estado. Dez por cento corresponde a 1 minuto,
que será dividido por igual.
Supondo que haja seis candidatos ao Senado no Espírito Santo, cada um terá 10 segundos
no vídeo. Se houver dez candidatos, cada um terá direito a 6 segundos. Esse é o
tempo de partida, mas Monjardim não terá muito mais que isso.
O resto do tempo (90%) é distribuído proporcionalmente ao
tamanho da bancada de cada partido ou coligação na Câmara dos Deputados.
O Novo só tem cinco dos 513 deputados federais.
Em conclusão, na melhor hipótese, o tempo de Monjardim no ar,
a cada bloco de 10 minutos, não será muito superior a 10 segundos.
A título de comparação, os partidos que hoje estão na coligação
de Casagrande totalizam 209 deputados federais – considerando PSB, MDB,
Podemos, PDT, PSDB/Cidadania e Federação União Progressista.
Monjardim terá de ser
convidado para debates?
Em compensação, o candidato do Novo pelo menos poderá
participar de debates eventualmente promovidos por emissoras de TV e rádio.
A emissora que promover debate é obrigada a convidar os
candidatos dos partidos ou federações que possuam representação de, no mínimo,
cinco parlamentares no Congresso Nacional, conforme a legislação eleitoral.
O Novo tem hoje, precisamente, seis congressistas: cinco
deputados federais e um senador (Eduardo Girão, do Ceará).
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