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Vitor Vogas

A maior novidade do Novo para as eleições 2026

E mais: se o Novo realmente registrar uma “chapa independente” (sem aliados), seu candidato ao Senado terá tempo de TV e rádio? Terá de ser convidado para debates? Respondemos

Publicado em 21 de Julho de 2026 às 17:58

Públicado em 

21 jul 2026 às 17:58
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Iuri Aguiar é presidente estadual do Novo
Iuri Aguiar é presidente estadual do Novo Acervo pessoal

Tendo nascido em 2015 com grandes aspirações, o Novo pouco cresceu desde então. Hoje, ainda é um partido pequeno nacionalmente, no Espírito Santo mais ainda. Para as eleições de 2026, o partido que virou quase sinônimo de liberalismo econômico no Brasil vem com algumas novidades. A maior delas: pela primeira vez na história, o Novo terá, no Espírito Santo, uma chapa de candidatos a deputado estadual.


Nas duas últimas eleições gerais, em 2018 e 2022, o partido passou em branco. Nem sequer registrou chapa para a Assembleia Legislativa. Desta vez, o presidente estadual do Novo, Iuri Aguiar, anunciou uma chapa completa (com 31 candidatos), homologada na convenção da legenda, na tarde desta terça-feira (21).


Segundo Aguiar, o Novo desta vez acredita ser até capaz de eleger um deputado estadual. Para isso, a chapa precisará atingir o quociente eleitoral, estimado por dirigentes partidários em cerca de 65 mil votos. Se a previsão se concretizar, será a primeira vez que o Novo terá um representante no Poder Legislativo do Espírito Santo.


A bem da verdade, desde a sua fundação, o partido tem números para lá de tímidos no Estado, quando se trata de mandatários. Até hoje, só elegeu três vereadores em solo capixaba (todos em 2024): Sidimar do Mercadinho, de Ibatiba, Sargento Assis, de Venda Nova do Imigrante, e Leonardo Monjardim, de Vitória.


Este último foi o primeiro mandatário filiado ao Novo na história do Espírito Santo, pois migrou para o partido antes do fim do seu mandato anterior na Câmara de Vitória.


Já na eleição para a Câmara dos Deputados, o Novo também terá chapa completa (com 11 candidatos), segundo Iuri Aguiar, mas a meta nesse caso é mais modesta. Sem a ilusão de que conseguirá fazer um deputado federal, a direção estadual só deseja ajudar o partido a superar, nacionalmente, a cláusula de barreira – para que o Novo possa seguir recebendo recursos do Fundo Partidário e sobrevivendo nos próximos anos.


No Espírito Santo, para uma chapa eleger um deputado federal, precisará atingir algo próximo a 200 mil votos. Para fazer sua parte na meta de ultrapassar a cláusula de desempenho, a chapa do Novo no Estado só precisa superar a marca de 45 mil votos, pelas contas de Aguiar. É factível.


Em todo caso, lançar uma chapa completa para a Câmara Federal também não deixa de ser uma evolução para o Novo, já que, em 2022, incrivelmente, o partido lançou apenas uma candidata a deputada federal, a professora Patricia Bortolon, que concorreu para marcar posição.


Ainda de acordo com Aguiar, o grande responsável pela montagem das chapas do Novo nas duas esferas chama-se Leonardo Monjardim. O vereador de Vitória encarregou-se pessoalmente dessa construção. Mas essa não é a única tarefa de Monjardim no processo eleitoral deste ano. A mais importante está por vir.

Eleição majoritária

Leonardo Monjardim também teve a candidatura homologada, na convenção estadual, para concorrer ao Senado.


O Novo não abre mão de lançar a candidatura do vereador, mesmo com remotíssimas chances de vitória nas urnas, num páreo que se prenuncia duríssimo pelas duas vagas em jogo no Espírito Santo.


Para viabilizar o projeto, o Novo está determinado a lançar uma chapa majoritária avulsa (Aguiar prefere “independente”), só com Monjardim e seus dois suplentes, sem nenhum partido coligado.


“Vimos trabalhando nisso há muito tempo. Temos conversado com vários atores e chegamos à conclusão de que vamos lançar o Monjardim, fazendo coligação ou não”, afiança Aguiar.


“Sim, exatamente. Estou disposto a disputar, mesmo sozinho, porque quero ser uma alternativa”, corrobora Monjardim.


O Novo estava mais próximo do movimento eleitoral liderado pelo Republicanos, partido do ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, pré-candidato a governador. O próprio Monjardim, além de aliado de Pazolini, era o líder do então prefeito na Câmara de Vitória e agora exerce a mesma função no governo de Cris Samorini (PP).


Mas a viabilização da candidatura de Monjardim na coligação de Pazolini provou-se praticamente impossível, mais ainda com a chegada do Partido Liberal (PL), no último sábado (18).


Em troca do apoio do PL, a principal condição, cumprida por Pazolini, foi absorver Maguinha Malta (PL) como a primeira candidata da coligação. Resta a segunda vaga, mas esta é disputada a foice por outros agentes, inclusive do próprio Republicanos (Manato e Evair de Melo).

O Novo acabou “espirrando”...


Aguiar afirma que está disponível para dialogar com todos. Mas seu telefone não tem tocado. “Estamos esperando eles nos chamarem. Enquanto isso, tocamos nossa vida.”


No último dia 10, ele conversou pessoalmente com o senador Magno Malta, presidente estadual do PL, mas foi só, segundo ele, uma “conversa de cortesia entre presidentes partidários”.


Ao longo dos últimos meses, o dirigente também conversou bastante com o governador Ricardo Ferraço (MDB), pré-candidato à reeleição, até porque Juninho Corrêa, vice-prefeito de Theodorico Ferraço em Cachoeiro, era filiado ao Novo (hoje, está no PP). Mas eles nunca evoluíram para formação de uma aliança eleitoral.


Hoje nem lá, nem cá, o Novo está mesmo disposto a encarar o pleito sozinho.


“Todas as conversas que eu precisava ter já aconteceram. Não vejo sinalização de ninguém. E acho que vamos caminhar assim, de modo independente”, arremata Aguiar.  

E o tempo de propaganda de TV e rádio?

Se Monjardim for mesmo candidato a senador sem coligação, o vereador terá pouquíssimo tempo de TV e rádio no horário eleitoral gratuito.


Pela legislação eleitoral, 10% do tempo total de TV devem ser distribuídos por igual entre os candidatos ao mesmo cargo majoritário, de modo que todos tenham o mínimo do mínimo para, pelo menos, mostrar a cara no vídeo. Deverá ser o caso de Monjardim.


Na hora do almoço e à noite, haverá blocos de 10 minutos para todos os candidatos ao Senado em cada estado. Dez por cento corresponde a 1 minuto, que será dividido por igual.


Supondo que haja seis candidatos ao Senado no Espírito Santo, cada um terá 10 segundos no vídeo. Se houver dez candidatos, cada um terá direito a 6 segundos. Esse é o tempo de partida, mas Monjardim não terá muito mais que isso.


O resto do tempo (90%) é distribuído proporcionalmente ao tamanho da bancada de cada partido ou coligação na Câmara dos Deputados.


O Novo só tem cinco dos 513 deputados federais.


Em conclusão, na melhor hipótese, o tempo de Monjardim no ar, a cada bloco de 10 minutos, não será muito superior a 10 segundos.


A título de comparação, os partidos que hoje estão na coligação de Casagrande totalizam 209 deputados federais – considerando PSB, MDB, Podemos, PDT, PSDB/Cidadania e Federação União Progressista. 

Monjardim terá de ser convidado para debates?

Em compensação, o candidato do Novo pelo menos poderá participar de debates eventualmente promovidos por emissoras de TV e rádio.


A emissora que promover debate é obrigada a convidar os candidatos dos partidos ou federações que possuam representação de, no mínimo, cinco parlamentares no Congresso Nacional, conforme a legislação eleitoral.


O Novo tem hoje, precisamente, seis congressistas: cinco deputados federais e um senador (Eduardo Girão, do Ceará). 

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Vitor Vogas

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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