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Vitor Vogas

Ele quer voltar: Manato será candidato a deputado federal

Após passar todo o período de pré-campanha tentando viabilizar candidatura ao Senado, ex-deputado entrará na chapa do Republicanos à Câmara, no lugar da esposa, Soraya.

Publicado em 31 de Julho de 2026 às 14:21

Públicado em 

31 jul 2026 às 14:21
Vitor Vogas

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Vitor Vogas Vitor Vogas
Manato entre Erick Musso e Pazolini, em seu ato de filiação ao Republicanos
Manato entre Erick Musso e Pazolini, em seu ato de filiação ao Republicanos Divulgação

O ex-deputado federal Carlos Manato chegou a um entendimento com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, e vai disputar a eleição para deputado federal.


Manato passou toda a maratona de pré-campanha, desde 2025, apresentando-se como pré-candidato ao Senado. Mas, sem espaço para isso no Republicanos, decidiu “descer”. Agora tentará voltar à Câmara dos Deputados, na chapa do partido conservador que tem Lorenzo Pazolini como candidato a governador.


Enquanto buscava se viabilizar para senador, Manato também trabalhou durante todo o período de pré-campanha para emplacar a própria esposa, Soraya Manato, como candidata a deputada federal na chapa do Republicanos.


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Como parte desse projeto, os dois se aproximaram politicamente do grupo de Pazolini. Em março do ano passado, Soraya se tornou secretária de Assistência Social da Prefeitura de Vitória, por nomeação de Pazolini.


No bojo de tal nomeação, marido e mulher declararam apoio a Pazolini para governador. Isso não mudou.

Erick Musso, Soraya Manato, Lorenzo Pazolini, Carlos Manato e Cris Samorini, na nomeação de Soraya como secretária de Assistência Social de Vitória
Erick Musso, Soraya Manato, Lorenzo Pazolini, Carlos Manato e Cris Samorini, na nomeação de Soraya como secretária de Assistência Social de Vitória (março de 2025) Divulgação

Para se manter apta a disputar as eleições, Soraya se desincompatibilizou do cargo de secretária dentro do prazo (no dia 2 de abril). Passou para um cargo comissionado menor na mesma secretaria, na gestão Cris Samorini (PP), ficando cerca de três meses como assessora especial. No dia 2 de julho, foi exonerada, seguindo habilitada a disputar.

 

Entretanto, na noite da última quarta-feira (29), Manato informou o plot twist: Soraya desistiu de tentar voltar para a Câmara, onde exerceu um mandato, de fevereiro de 2019 a janeiro de 2023, pelo antigo PSL (sigla pela qual Jair Bolsonaro elegeu-se presidente em 2018).

 

A trajetória política de Soraya sempre esteve subordinada ao marido, como uma correia de transmissão... uma maneira de Manato seguir, sem seguir, na Câmara dos Deputados.

 

Segundo Manato – que sempre atuou como porta-voz político da esposa –, Soraya agora estava “desanimada” para voltar a encarar as urnas, preferindo se dedicar aos negócios familiares e à própria família.

 

Ao anunciar a desistência da esposa, Manato informou que “desceria” e preencheria o lugar deixado por ela na chapa de candidatos a deputado federal do Republicanos. Isso não estava tão bem combinado com a direção do partido.

 

A operação não é tão simples, pois não é uma troca de seis por meia-dúzia. O Republicanos contava com Soraya não só para contribuir com a votação total da chapa, mas para preencher a cota de gênero (pelo menos 30%, ou quatro mulheres num total de 11 candidatos).

 

Para Manato entrar na chapa no lugar de Soraya, outro homem que já tinha lugar nela terá de ser retirado, e uma outra mulher terá de ser incluída. Mulheres competitivas, sendo bem franco, estão em falta no “mercado político capixaba”. Mas, segundo uma fonte do Republicanos, eles trabalham com duas alternativas (duas mulheres já filiadas à legenda).

 

Na quinta-feira (30), Erick e Manato se reuniram e se entenderam. O próprio Erick é pré-candidato a deputado federal, ao lado, por exemplo, do Coronel Alexandre Ramalho e, a princípio, de Evair de Melo (que pode assumir candidatura a senador).

O partido de Pazolini é um dos poucos no Espírito Santo que terá chapa cheia à Câmara dos Deputados, com chances reais de eleger pelo menos um federal e apostando na possibilidade de chegar a dois. Dependerá da escalação final dos onze.

 

Com a troca da mulher pelo marido, a chapa do Republicanos ganha por um lado e perde por outro. Manato, em teoria, poderá obter até mais votos do que alcançaria sua esposa. Mesmo há oito anos sem mandato e há quase quatro anos fora da cena política, o ex-deputado deve preservar parte do seu recall acumulado, particularmente junto a eleitores bolsonaristas.

 

Por outro lado, a mulher que entrar na chapa, no apagar das luzes, dificilmente terá o mesmo potencial eleitoral que teria Soraya. Neste ponto, é impossível dizer se o saldo da equação será positivo ou negativo. Só as urnas o dirão.

 

Derrotado por Renato Casagrande (PSB) nas últimas duas eleições para governador, em 2018 e 2022, Manato exerceu quatro mandatos seguidos na Câmara dos Deputados, entre fevereiro de 2003 e janeiro de 2019.

 

Em suas três primeiras vitórias (2002, 2006 e 2010), elegeu-se pelo PDT, partido de centro-esquerda que apoiou os governos Lula e Dilma. Em 2014, renovou o mandato pelo Solidariedade. Depois alinhou-se a Jair Bolsonaro e passou por outras siglas, incluindo o PSL e o PL, até entrar no Republicanos, no último mês de março.

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Vitor Vogas

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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