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Vitor Vogas

E agora, José Renato? PT quer que Casagrande entre na campanha de Lula

Apoio do ex-governador é até certo ponto normal, mas o coloca em uma encruzilhada eleitoral: desta vez, ele se engajará de verdade na campanha do presidente? É o que o PT espera e cobra dele

Publicado em 31 de Julho de 2026 às 07:35

Públicado em 

31 jul 2026 às 07:35
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Helder Salomão, Fabiano Contarato e Renato Casagrande
Helder Salomão, Fabiano Contarato e Renato Casagrande Vitor Vogas

Conhecido nas redes sociais como Casão, pelo público em geral como Casagrande e por todos os políticos apenas como Renato, o ex-governador na verdade tem nome de batismo composto: José Renato.

 

Diante de sua declaração explícita de apoio à reeleição do presidente Lula (PT), no último sábado (25), poderíamos lhe perguntar, como no célebre poema de Carlos Drummond de Andrade: “E agora, José?”

 

Ou “e agora, José Renato?!?”

 

“Meu candidato à Presidência é o Lula”, disse ele.

 

Sua tomada de posição faz sentido e é até certo ponto natural, principalmente do ponto de vista partidário (o do PT de Lula e o do seu PSB). Mas coloca o ex-governador em uma encruzilhada eleitoral: até que ponto, desta vez, ele se engajará de verdade, pessoalmente, na campanha de Lula contra o bolsonarismo?

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O PT o pressiona por isso. No Espírito Santo, o partido de Lula prioriza a reeleição do senador Fabiano Contarato. A Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) também tem candidato próprio a governador, o deputado federal Helder Salomão, adversário do governador Ricardo Ferraço (MDB) – por sua vez, apoiado por Casagrande.

 

Tanto Helder quanto Contarato foram oficialmente lançados na noite de quinta-feira (30), na convenção estadual do PT, realizada no Clube Álvares Cabral.

 

Apesar de Casagrande não apoiar Helder para o governo, o partido de Lula tende a apoiar informalmente o retorno de Casagrande ao Senado, pedindo para ele o segundo voto para o cargo.

 

A relação entre eles é boa. O PT apoiou formalmente a reeleição de Casagrande em 2022, integrando a sua coligação, numa aliança tática para ajudar a derrotar no Estado o bolsonarismo então encarnado por Carlos Manato.

 

O PT participou do último governo de Casagrande. Ele tem no partido de Lula alguns velhos aliados, como os deputados estaduais João Coser e Iriny Lopes. Por acaso, os dois são hoje os principais dirigentes do partido de Lula no Espírito Santo.

 

Mas o PT, desta vez, espera reciprocidade. Quer participação real de Casagrande na campanha de Lula, no lugar da postura passiva que ele assumiu quatro anos atrás, quando disputava um terceiro mandato no Palácio Anchieta. 

 

O próprio João Coser, presidente estadual do PT, verbalizou essa expectativa logo após a convenção da Federação Brasil da Esperança. Segundo ele, muita gente no partido deseja e aposta numa dobradinha informal entre o ex-governador e Contarato.

 

“Tem um desejo, mas precisamos ajustar uma conversa ainda com o Renato. Tem muita gente do partido que deseja apoiar Renato, mas ainda não tem uma deliberação do partido. Já declarei publicamente que torço pelo apoio a Renato. 

Nós confiamos no Renato. Ele tem muito a contribuir o segundo voto com o Contarato. Prefeitos, lideranças empresariais, sociais e políticas... Eu estou apostando nisso, mas não tem deliberação formal.”

João Coser, deputado e presidente estadual do PT

Coser disse esperar que desta vez a atitude Casagrande em relação a Lula “seja diferente”, isto é, que ele entre de verdade na campanha.

 

“Nós esperamos que ele entre na campanha. Ele já declarou voto, já declarou apoio, o PSB tem declarado apoio. Agora, essa pergunta tem que ser feita para ele. Eu não posso falar por ele. O meu desejo é que ele faça campanha para o Lula por diversas razões, mas principalmente porque o Lula é o melhor presidente, o melhor candidato, e também porque o PSB está na vice do Lula, com o Alckmin, então não tem lógica não fazer campanha. Espero que seja diferente.”

 

Já a deputada federal Jack Rocha, antecessora de Coser na presidência estadual do PT, opina que “foi muito importante a declaração do Renato, dizendo que vai votar no Lula”. Foi um passo importante para que, em breve, o PT consolide o apoio informal a Casagrande.


“O PT segue a orientação nacional. E, nacionalmente, estamos também numa aliança formal com o PSB. Uma das reivindicações era o Casagrande se posicionar ao lado do palanque do Lula, e isso aconteceu.”


Coligados nacionalmente, PT e PSB não estarão na mesma coligação no Espírito Santo, já que o PSB apoia Ricardo Ferraço e faz parte da coligação do atual governador.

A postura de Casagrande em 2022

Em 2022, mesmo com o PT em sua coligação estadual e com seu PSB na coligação nacional de Lula, Casagrande limitou-se a fazer manifestações protocolares de apoio ao petista para a Presidência, em uma ou outra entrevista. No período de campanha, não pediu votos para Lula, nem nas ruas nem na propaganda eleitoral.

 

Por estratégia, no segundo turno, ele acolheu o “voto Casanaro”, derrotando Carlos Manato. Também por estratégia, Lula nem sequer pisou no Espírito Santo durante aquela campanha.

 

Desta vez, a sinuca de bico em que se encontra Casagrande é ainda maior… Como é que ele, mesmo apoiado informalmente pelo PT, poderá pedir votos para Lula, se ele mesmo e o PSB aqui estarão com Ricardo Ferraço, político mais simpático à direita?

A relação de Ricardo com o PT

Ricardo, pessoalmente, é tão refratário ao PT que assinou, em março, com outros 16 presidentes estaduais do MDB, manifesto entregue ao presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, pedindo que o MDB não se coligasse com ninguém na disputa presidencial, ou seja, que o partido não apoiasse Lula, liberando os diretórios regionais para se posicionarem livremente em cada estado.

 

De fato, há poucos dias, a direção nacional do MDB oficializou a neutralidade na eleição para a Presidência.

 

Pouco antes de Ricardo assumir o governo, em 2 de abril, o PT, que estava com Casagrande, decidiu não participar do governo do emedebista.

 

Secretária de Recuperação do Rio Doce no início do governo de Ricardo, Margareth Saraiva Coelho foi filiada ao PT por quase 40 anos, mas se desfiliou em 26 de março, poucos dias antes de Ricardo tomar posse. Em junho, foi exonerada. 

Para onde marchará José Renato?

Para aumentar a sinuca de bico, há a segunda candidatura ao Senado, hoje ocupada por Rose de Freitas (MDB), na coligação que terá Ricardo a governador e Casagrande a senador.

 

Como Casagrande poderá pedir votos para Contarato, se o segundo candidato de sua coligação com Ricardo será outra aliada?

 

O risco está em um dos versos quase esquecidos lá no meio do consagrado poema de Drummond (o penúltimo da terceira estrofe), o qual poderão lhe apontar:

 

sua incoerência,

 

Na eleição estadual deste ano, dois caminhos estão muito bem definidos na mente do José Renato: seu candidato ao governo é Ricardo e sua marcha pessoal é mesmo em direção a Brasília: marcha de retorno ao Senado, 16 anos depois.

 

Quanto ao resto, marchará desta vez José Renato com Luiz Inácio? Ficamos com os dois versos derradeiros do icônico poema de Drummond:

 

você marcha, José!

José, para onde?

Adendo: ainda há o candidato do PSol

Os dirigentes petistas também mostram cuidado em não desrespeitar um quarto candidato ao Senado nesta história, o Professor Carlos Fabian, lançado pelo PSol.

A Federação Rede/PSol não estará coligada no Espírito Santo com a Federação Brasil da Esperança, mas o PSol decidiu apoiar os candidatos majoritários do PT: Helder para governador e Contarato para senador.

 

O Professor Fabian até compareceu à convenção da Federação Brasil da Esperança. 

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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