O mercado imobiliário da Serra passa por uma transição estrutural. Historicamente associada à predominância de lançamentos populares impulsionados pela forte presença industrial local, a cidade passa a atrair empreendimentos voltados aos segmentos de médio e alto padrão.
Entre os fatores, está a consolidação de redes de serviços, melhorias na mobilidade urbana e investimentos regionais, como a proximidade com Aracruz, que receberá a nova fábrica da montadora chinesa GWM, aliado à escassez de terrenos e à valorização mais acelerada dos imóveis em Vitória. Isso gera uma nova forma de enxergar o município, aumentando o interesse por moradias de alto e médio padrão, criando uma demanda reprimida por novos perfis de imóveis.
“Durante muitos anos, a principal vantagem competitiva da Serra esteve associada ao custo dos imóveis e à disponibilidade de áreas para novos empreendimentos. Hoje, outros fatores ganham peso na decisão de compra, como mobilidade, comércio, serviços, segurança e qualidade dos espaços urbanos”, avalia o diretor administrativo da Octo Empreendimentos, Bruno Boechat.
Na avaliação do executivo, esse movimento explica o crescimento dos empreendimentos de médio padrão e a diversificação da oferta imobiliária no município. “O consumidor tornou-se mais exigente. Ele busca bairros completos, com infraestrutura consolidada e boa oferta de serviços. A decisão de compra deixou de considerar apenas o imóvel e passou a incorporar a experiência de viver naquela região”, diz.
Segundo o diretor da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi-ES) e gerente comercial da Épura, Fabiano Martins, a transformação da infraestrutura urbana foi determinante para alterar a percepção de mercado sobre o município.
“Conforme o município foi se desenvolvendo, começaram a chegar empresas mais qualificadas e a oferecer mais serviços aos munícipes. Com a dificuldade de mobilidade na Região Metropolitana e o volume de empresas na Serra, pessoas que optavam por morar em Vitória começaram a olhar para a Serra com outros olhos. Como no passado não havia oferta expressiva de médio e alto padrão, formou-se uma demanda reprimida que o mercado começa a atender agora”, analisa Martins.
Outro vetor econômico que passa a impactar o planejamento imobiliário da região é a proximidade com o município de Aracruz, polo que recebe investimentos industriais expressivos, a exemplo da instalação da montadora GWM e da cadeia de fornecedores.
A mudança no perfil dos lançamentos acompanha o amadurecimento econômico da cidade. A decisão de compra do consumidor passou a priorizar a qualidade dos espaços urbanos e a infraestrutura do entorno, além das características do imóvel.
Para Bruno Boechat, a valorização do ambiente urbano passou a se sobrepor ao apelo exclusivo do custo do metro quadrado. “Cidades amadurecem, e o mercado acompanha esse processo. À medida que a Serra amplia sua oferta de empregos, fortalece sua economia e melhora sua infraestrutura, surgem novas demandas habitacionais e novos perfis de compradores”, analisa.
Com a consolidação econômica e a atração de novos eixos industriais na Grande Vitória e no norte do Estado, a tendência aponta para a contínua diversificação da oferta imobiliária na Serra, exigindo do setor privado planejamento focado em qualidade urbana e integração com serviços locais.
No mapeamento de expansão urbana, a região entre os bairros Morada de Laranjeiras e Manguinhos destaca-se como o principal eixo de desenvolvimento imobiliário para novos projetos residenciais e comerciais.
“Observo como o bairro com mais potencial Morada de Laranjeiras, seguindo na direção de Manguinhos. Toda aquela região dispõe de áreas aptas a receber projetos residenciais e comerciais. Por se tratar de uma área mais nova, conta com um planejamento urbano estruturado que comporta projetos de médio e alto padrão”, destaca Fabiano Martins.
MRV soma 658 unidades vendidas no Espírito Santo no 1º semestre
Outra empresa que tem investido no potencial da Serra é a MRV, com empreendimentos voltados para o público do projeto Minha Casa, Minha Vida. Inclusive, a companhia está preparando novos lançamentos no município para o segundo semestre de 2026. A cidade tem concentrado parte significativa dos investimentos da MRV no Estado, impulsionada pela demanda por habitação em bairros com infraestrutura consolidada de comércio e serviços.
Um dos projetos mais recentes na região é o condomínio Parque Vila de Setiba, localizado em Morada de Laranjeiras. O empreendimento registrou a comercialização de 35% de suas unidades nos primeiros 20 dias após o lançamento. Para sustentação das vendas no município, a empresa tem adotado condições comerciais que incluem o parcelamento direto com a construtora em até 144 vezes, além de incentivos como a isenção de ITBI e dos custos de registro imobiliário para unidades selecionadas.
O movimento no município contribuiu para os resultados gerais da incorporadora no Espírito Santo, que encerrou o primeiro semestre com 658 unidades habitacionais comercializadas em toda a Grande Vitória. O volume de vendas no período gerou um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 196 milhões no mercado capixaba.
Além dos novos aportes previstos para a Serra, o plano de lançamentos da companhia para a segunda metade do ano também contempla novos projetos residenciais no município de Cariacica.
A Recanto Construtora iniciou as vendas do Recanto Aurora, empreendimento do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) em Aribiri, Vila Velha, e comercializou 50% das unidades da primeira torre logo no período de lançamento. Com valor geral de vendas (VGV) de R$ 132 milhões e unidades a partir de R$ 314.900, o projeto soma 384 apartamentos de dois quartos distribuídos em quatro torres, com entrega prevista para dezembro de 2030.
O Recanto Aurora terá dois elevadores por torre, edifício-garagem, estrutura de lazer com mais de 1.600 metros quadrados, incluindo piscinas, salão de festas, áreas gourmet, playground, quadra, pet place, espaço fitness e cowork, além de unidades adaptáveis para pessoas com deficiência (PCD).
O lançamento faz parte do plano de expansão da empresa para o ciclo 2026/2027, que prevê nove empreendimentos no Espírito Santo: ao todo, serão 2.220 unidades e VGV total estimado em R$ 736,9 milhões. São 11 projetos já entregues e seis obras em andamento.
Javé projeta entrega no Parque das Castanheiras para 2027
A Javé Construtora expande o seu portfólio no município de Vila Velha com a entrega do Residencial Park 68, prevista para o primeiro semestre de 2027. Localizado no Parque das Castanheiras, na Praia da Costa, o projeto conta com unidades de 2 e 3 quartos, com opções de até 3 suítes, apartamentos do tipo garden e coberturas.
O anúncio ocorre simultaneamente à entrega de outro empreendimento, o condomínio Terrace, localizado no mesmo bairro. O projeto é o 19º empreendimento concluído pela construtora e marca a primeira entrega residencial da empresa na região após um intervalo de 12 anos sem lançamentos imobiliários no local. O edifício entregue recentemente possui apartamentos de 2 e 3 quartos. O projeto arquitetônico traz como elemento central da fachada a combinação de painéis de madeira com jardins verticais integrados e varandas com linhas geométricas.
Uma comitiva formada pelo presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), João Teodoro, e por presidentes de dez Conselhos Regionais (Crecis), inclusive o do Espírito Santo, participou de uma missão institucional no Paraguai de 19 a 22 de julho.
A viagem foi realizada a convite da incorporadora Raíces Real Estate com o objetivo de apresentar aos dirigentes a legislação local, modelos de negócios e regras de intermediação imobiliária para profissionais brasileiros no país vizinho. A programação contou com reuniões com o vice-ministro da Rede de Investimentos e Exportações (Rediex), Eduardo Gustale, e visitas a empreendimentos situados em Assunção.
Durante o encontro, a Raíces Real Estate divulgou que compradores brasileiros correspondem a 50% de seu volume de vendas. A participação do Creci-ES no evento visa orientar os corretores de imóveis do Espírito Santo sobre os procedimentos legais e operacionais para o atendimento a investidores interessados na aquisição de ativos imobiliários no país vizinho.
Rede Vistorias cresce 15% na Grande Vitória no 1º semestre de 2026
A operação da Rede Vistorias nos municípios de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica registrou um crescimento de 15% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período de 2025. O volume de inspeções realizadas na região metropolitana ultrapassou a marca de 10 mil metros quadrados atendidos por meio do sistema proprietário da empresa.
Em âmbito nacional, a companhia acumulou a marca de 570 mil imóveis vistoriados em dez anos de atuação, abrangendo a análise de 7,3 milhões de ambientes e 75 milhões de itens cadastrados. No decorrer de 2026, a plataforma registrou uma expansão de 19% na base total de imóveis cadastrados, além de manter operações internacionais em Portugal, Uruguai, Paraguai e Colômbia.
A aplicação de métodos construtivos industrializados, como estruturas pré-moldadas de concreto, steel frame e drywall, começa a avançar do setor logístico para os mercados residencial e corporativo. No condomínio residencial BLVD.Alti, localizado em Alphaville, a adoção desse sistema integrado gerou uma redução de 30% na necessidade de mão de obra direta no canteiro e permitiu estimar a entrega da obra com quatro meses de antecedência em relação ao cronograma original.
“A escolha do método construtivo interfere no partido arquitetônico, e o projeto precisa levar em consideração a flexibilidade, as características do sistema, sempre com uma dose de desafio e inovação”, destaca Grazzieli Gomes Rocha, sócia-diretora da aflalo/gasperini arquitetos.
A metodologia de pré-fabricação também está presente em grandes projetos corporativos, como o Campus JK, futura sede do Santander Brasil desenvolvida pela GTIS Partners, com projeto assinado pelos escritórios KPF e aflalo/gasperini arquitetos.
“A industrialização da construção civil surge como resposta às limitações estruturais do modelo convencional, ainda intensivo em mão de obra e com baixa previsibilidade de custos e prazos. No projeto BLVD.Alti, a engenharia foi concebida a partir de uma abordagem sistêmica baseada em soluções industrializadas, que incluem estrutura em concreto pré-fabricado, fachadas em light steel frame, vedações internas em drywall e instalações elétricas e hidráulicas pré-montadas em kits”, afirma Pedro Incer, diretor de engenharia da Arqos.