Quem caminha, pedala ou anda de patinete elétrico pelo novo calçadão do Canal de Camburi já pode ter notado as placas espalhadas pelo trecho: a velocidade máxima permitida para bicicletas, bicicletas elétricas e equipamentos autopropelidos no local é de 6 km/h (equivalente a, mais ou menos, o ritmo de uma caminhada).
A regra, definida pela Prefeitura de Vitória em abril de 2026, vale para o trecho de aproximadamente 1 km entre a Ponte de Camburi e a Rua Moacir Strauch, na Praia do Canto. O espaço de lazer foi entregue à população em 18 de julho como parte da primeira etapa do programa Vitória de Frente para o Mar.
Tipo de via: | Calçadão de uso compartilhado (sem ciclovia segregada) |
Limite de velocidade: | 6 km/h |
Veículos abrangidos: | Bicicletas tradicionais, bicicletas elétricas e autopropelidos (patinetes elétricos, entre outros) |
Prioridade: | Pedestres |
Trecho: | Entre a Ponte de Camburi e a Rua Moacir Strauch, na Praia do Canto |
Sinalização: | 28 placas instaladas (aviso de área compartilhada e indicação de lado para cada grupo) |
Fiscalização: | Caráter educativo, sem aplicação de multas até o momento |
O trecho não apresenta ciclovia segregada, ou seja, pedestres, ciclistas e usuários de equipamentos autopropelidos dividem a mesma faixa de circulação. É essa característica (a falta de uma via exclusiva para bicicletas) que fundamenta a fixação de um limite único de velocidade para todos os veículos não motorizados que passam pelo local.
Segundo o secretário de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana de Vitória, Alex Mariano, a solução adotada foi dividir o calçadão em dois lados: um voltado para o canal, destinado aos pedestres, e outro, mais próximo dos bairros, para a circulação das bicicletas.
"Assim, a gente consegue ordenar mais o uso do espaço. Vitória está ampliando o número de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas e fazendo o ordenamento naquilo que a gente julga que deve ser feito como calçada compartilhada", afirmou, considerando que os ciclistas que passam por lá costumam vir de diferentes ciclovias da cidade.
A velocidade de 6 km/h corresponde ao ritmo médio de uma caminhada humana. Isso significa que é uma velocidade bem baixa em relação à potência de bicicletas elétricas tradicionais.
De acordo com o secretário, a prefeitura já tem um decreto municipal que estabelece regras de circulação para bicicletas elétricas, e a resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) equipara os autopropelidos às bicicletas comuns.
Ele explica que a decisão também leva em conta o crescimento do movimento de pessoas no local. "O volume de pessoas circulando ali tende a aumentar cada vez mais. O grande volume que a gente percebeu, principalmente durante o pôr do sol, virou um ponto de atração turística. Ali não é um local onde se deve ter uma circulação de alta velocidade, inclusive, por ser um lugar de contemplação", afirmou.
Frequentador do local como pedestre e como ciclista, o psicólogo André Arpini utiliza o calçadão para o trajeto até o trabalho e atividades de lazer.
Ao ser perguntado sobre o novo limite de 6 km/h, ele afirmou não ter conhecimento da orientação, mas acredita ser necessária e viável.
Como pedestre, eu não me sinto seguro, porque, realmente, as pessoas passam com excesso de velocidade, sendo que é um espaço compartilhado. Então, baixar o nível de velocidade é muito importante e não é difícil, só precisa de paciência
André Arpini, frequentador do local
Segundo ele, como condutor de uma bike elétrica, também é comum precisar desviar ou frear de repente por causa de outros usuários.
Para André, a divulgação e ações educativas mais eficientes são importantes para que ciclistas e usuários de autopropelidos respeitem o limite.
"É preciso que os pedestres também tenham noção para compartilhar o espaço com segurança com as bicicletas, porque muitos andam mexendo no celular ou distraídos e acabam prejudicando a passagem das bicicletas. Isso acontece até em ciclovias separadas, onde é bem mais fácil, mas aqui a sinalização está bem clara", disse.
Desde a inauguração, em 18 de julho, foram instaladas 28 placas ao longo do trecho até o momento, e novas sinalizações podem ser incluídas caso a prefeitura avalie necessário. As placas incluem um modelo amarelo na entrada do calçadão, avisando que o local é de uso compartilhado entre bicicletas e pedestres, e outro tipo de placa dentro do canal, indicando o posicionamento de cada grupo – pedestres de um lado e ciclistas no lado oposto.
Sobre o caráter da fiscalização de velocidade, Mariano afirmou que hoje ela é "totalmente educativa", sem aplicação de multas. A Guarda Municipal já realizou, em conjunto com a gerência de educação do trânsito, mais de 10 mil abordagens sobre o uso de bicicleta elétrica e o compartilhamento de calçadas.
O monitoramento do trecho também conta com câmeras da Guarda Municipal, operadas a partir do Centro de Controle Operacional. Os equipamentos não são homologados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) para medir velocidade, mas permitem observar o comportamento dos usuários e orientar as abordagens dos agentes.
A primeira etapa do novo espaço de lazer do Canal de Camburi foi entregue em 18 de julho e integra o programa Vitória de Frente para o Mar, que prevê a requalificação da orla da Praia do Canto, Barro Vermelho, Santa Luiza e Pontal de Camburi.
O trecho recebeu deque, atracadouros flutuantes, bancos, jardineiras e guarda-corpo. Ao final das duas etapas do projeto, a via deve somar 3,3 km de passeio público para pedestres e ciclistas, com investimento total estimado em R$ 350 milhões pela Prefeitura de Vitória.