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Vitor Vogas

Chapa Bolsolini formada: o que Pazolini ganha a partir do abraço em Flávio Bolsonaro

Os ganhos práticos, financeiros e políticos proporcionados pela aliança com o PL, a dificuldade imposta a Ricardo Ferraço, o fato novo gerado, a reserva de mercado bolsonarista, a anulação do risco de divisão do mesmo eleitorado

Publicado em 18 de Julho de 2026 às 21:44

Públicado em 

18 jul 2026 às 21:44
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Flávio Bolsonaro e Lorenzo Pazolini em encontro do PL no Espaço Patrick Ribeiro
Flávio Bolsonaro e Lorenzo Pazolini em encontro do PL no Espaço Patrick Ribeiro Fernando Madeira

A aliança entre o PL e o Republicanos foi fechada e lacrada na manhã de sábado (18), com a presença de Lorenzo Pazolini no encontro estadual do PL estrelado por Flávio Bolsonaro em Vitória e com as declarações públicas de apoio mútuo entre o ex-prefeito de Vitória e o filho 01 de Jair Bolsonaro.


Pazolini apoiará Flávio à Presidência da República e garantiu à coluna que não será um apoio protocolar: disse que “com certeza” fará campanha para ele. Em troca, Flávio passa a apoiar Pazolini para governador.


No Espírito Santo, as duas partes queriam, precisavam e têm muito a ganhar com essa união de forças (embora a parceria com o partido bolsonarista também traga embutidos alguns riscos e possa ocultar algumas armadilhas lá na frente, no decorrer da campanha).


Para o próprio Pazolini, os ganhos políticos são muitos. Desde que começou essa construção (logo após as eleições municipais de 2024, quando o foco dos políticos e dirigentes se voltou para as eleições estaduais seguintes), o Republicanos, representado por Erick Musso, sempre priorizou a meta de ter o PL no palanque liderado por Pazolini. Sempre. Agora, essa meta é atingida.


Em primeiro lugar, garantindo o PL em sua coligação, Pazolini elimina o risco de ter de competir com um candidato do próprio PL, o que poderia arruinar seus planos de se apresentar como o principal candidato da direita capixaba. Evita uma fragmentação das forças posicionadas da direita para a extrema-direita bolsonarista, bem como dos votos dos eleitores mais identificados com esse campo – numerosos no Espírito Santo.


Desde meados do ano passado, não foram poucas as vezes em que o próprio Magno Malta ameaçou lançar candidatura do PL ao Palácio Anchieta. Chegou a apresentar a si mesmo para a missão, em entrevista dada a este colunista em 2025, caso concluísse que não havia nenhum candidato verdadeiramente comprometido com a agenda bolsonarista – ou, como o senador prefere, com os “valores da direita”.


Com mais quatro anos de mandato pela frente no Senado e sem precisar renunciar, Magno não teria muito a perder...


Tudo pode nunca ter passado de um grande blefe do senador, só para pressionar Pazolini a aceitar seus termos, deixando o acordo com o Republicanos do jeito que ele gostaria, ou o mais próximo possível do desenho ideal para ele? É bem provável que sim.


Para alguns players do próprio PL, Magno nunca quis de fato ser candidato a governador. “Tinha medo de ganhar”, chega a troçar um deles.


Nessa (remota) hipótese de vitória, o senador talvez nem soubesse o que fazer no Palácio Anchieta... Está realizado no Senado, Casa habitada por ele há 20 anos, tem mais quatro de mandato garantidos e deseja prosseguir por mais tempo – de preferência, com a filha Maguinha ao seu lado, conforme ele tanto idealiza. É lá em Brasília que estão suas batalhas e moinhos.


Por outro lado, se Pazolini não cedesse a seus “pedidos” – apoio incondicional a Maguinha para o Senado, apoio declarado a Flávio Bolsonaro, alinhamento do discurso e defesa de pautas bolsonaristas –, Magno seria mesmo capaz de lançar outro correligionário ao governo, só para erguer um palanque para Flávio no Espírito Santo e fazer, na campanha estadual, a defesa de Jair Bolsonaro. Era bem capaz. E essa hipótese representava um risco para Pazolini, agora inteiramente anulado.


Ao mesmo tempo, uma vez estabelecido como o candidato do PL e de Flávio, apoiado não só pelo partido dos Bolsonaro como pessoalmente pelo 01, Pazolini naturalmente tende a atrair, por gravidade, os votos daqueles eleitores mais ideologicamente identificados com a cartilha bolsonarista e mais apaixonados pela figura do ex-presidente.


Simplificando: passa a ser o candidato natural do eleitor de Bolsonaro que só vota em candidatos do Bolsonaro. No Espírito Santo, não são poucos.

Parêntese: a dificuldade imposta a Ricardo 

Aqui, o governador Ricardo Ferraço (MDB), posicionado em algum outro ponto do espectro de direita, passa a ter um desafio a superar.


Mais que acenos, Ricardo tem feito gestos de inflexão rumo à direita bolsonarista, mostrando simpatia por algumas pautas caras à extrema-direita. A estratégia parece muito clara: quer disputar parcelas do espólio desse numeroso eleitorado capixaba “bolsonarista raiz”, que se viu meio órfão, carente de referências, desde o duplo revés de Manato para Casagrande em 2018 e 2022.


Agora, isso fica mais difícil para o atual incumbente, na medida em que Pazolini passa a ser, oficialmente, o candidato de Flávio Bolsonaro, colocando, assim, um calço na porta que Ricardo vem tentando entreabrir. Esta é outra evidente vantagem que a aliança com o PL proporciona ao ex-prefeito de Vitória.

Recursos, tempo de TV e “exército de pitbulls sem vacina”

Outros benefícios para Pazolini são de ordem absolutamente prática: o PL robustece, e muito, sua campanha a governador, em termos políticos, financeiros e estruturais.


Com 97 deputados federais ao fim da última janela partidária (início de abril), o PL terá direito à maior fatia do Fundo Eleitoral e ao maior tempo de propaganda de rádio e TV no horário eleitoral gratuito, a estrear em 28 de agosto.


Com isso (somando o tempo de Republicanos e PSD, siglas com bancadas de bom porte), Pazolini conseguirá, no mínimo, equilibrar o jogo com Ricardo nos meios de comunicação de massa, se não o superar na soma dos segundos.


Além disso, um autêntico exército de apoiadores, com ramificações em todo o Estado, incorpora-se, a partir de hoje, à campanha do ex-prefeito de Vitória. O Republicanos tem chapas competitivas para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados, mas um partido só não faz verão na primavera eleitoral. 


O PL também tem chapas completas e bastante competitivas para a Ales e a Câmara (quer eleger pelo menos 6 estaduais e dois federais no Espírito Santo). Salvo um ou outro que não se dão com Pazolini, serão cerca de 40 pré-candidatos pedindo votos para si e para ele, uma matilha de “pitbulls sem vacina”, como costuma dizer Magno Malta.


Em solo capixaba, o partido de Magno tem, ainda, cinco prefeitos (todos no interior), alguns vice-prefeitos e mais de 50 vereadores espalhados de norte a sul do Estado, inclusive na Grande Vitória. Está organizado em mais de 60 diretórios municipais.


Isso tende a dar a Pazolini uma capilaridade de que sua campanha carece, notadamente no interior. São os “vasos sanguíneos comunicantes”, para bombear sua mensagem e seu nome aonde ele não consegue chegar.

Neutralização de críticos bolsonaristas

Com o PL sob sua tenda, Pazolini ainda neutraliza potenciais ataques indesejados e críticas inconvenientes para ele durante a campanha por parte de mandatários do PL que são seus conhecidos desafetos, como o vereador Dárcio Bracarense (um dos maiores entusiastas da ideia, ora sepultada, de lançar Magno ao governo) e o deputado estadual Capitão Assumção.


Este último, em 2024, foi adversário eleitoral de Pazolini na disputa pela Prefeitura de Vitória. Mal votado nas urnas, fez muito barulho antes e durante a campanha, firmando-se como um algoz de Pazolini. Em um debate, ao qual o então prefeito faltou, o deputado chegou a chamá-lo por termos como “histrião”. No seguinte, da Rede Gazeta, fez-lhe provocações como “apareceu a Margarida”.

    

Para evitar problemas internos e acusações de incoerência, Assumção, Dárcio e as respectivas verves ficam agora neutralizadas durante o período de campanha. 

Estagnação e fato novo

Por último, mas não menos importante, a adesão do PL e o selo de “candidato do Flávio” chegam para Pazolini num momento oportuno para ele, no qual o pré-candidato de fato precisava gerar um “fato novo” com o poder de impulsionar sua campanha.


A menos de um mês para o tiro de largada oficial, a última pesquisa Quaest, divulgada pela Rede Gazeta na quinta-feira (16), mostrou um candidato altamente competitivo, em ótima posição de partida, mas com índices de intenção de voto estagnados desde a rodada anterior do instituto, publicada no dia 30 de abril.


Enquanto isso, Ricardo vem crescendo, e sua vantagem para ele subiu. 

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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