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Rosiliência: contra todas as odds, Rose prevalece e estará de novo nas urnas

Inesperadamente, a nova candidatura de Rose de Freitas ao Senado agora é um fato oficial. É a vitória da obstinação de alguém que volta a demonstrar que, dela, não se pode duvidar. Rá-ré-ri melhor quem ri por último

Publicado em 06 de Agosto de 2026 às 05:00

Públicado em 

06 ago 2026 às 05:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
MDB lança candidatura de Ricardo Ferraço ao governo e de Rose de Freitas ao Senado em convenção
MDB lança candidatura de Ricardo Ferraço ao governo e de Rose de Freitas ao Senado em convenção Ricardo Medeiros

“Rá-ré-ri”... Quem é do Espírito Santo e tem mais de 30 anos já completou na mente o jinglezinho, composto, gravado e consagrado por Carlos Papel. Quem não sabe do que se trata, jogue no Google “jingle Rose”.


Rá-ré-ri melhor quem ri por último. E Rose, ela mesma, foi quem riu por último desta vez. Mais uma vez, aliás.


Consolidada e oficializada, por aclamação, na noite de quarta-feira (5), na convenção estadual do MDB, como candidata ao Senado, Rose terá pela frente uma eleição dificílima, com chances reduzidas de vitória, em meio a concorrentes duríssimos, a começar pelo próprio companheiro de chapa, Casagrande (PSB), além de Contarato (PT), Meneguelli (PSD), Maguinha (PL), Evair de Melo (Republicanos), entre outros.


Mas, caramba, ela chegou lá! Só o fato de ser candidata ao Senado (de novo!), contra todas as odds no começo deste ciclo eleitoral, já é uma incontestável vitória para ela.  


Ao longo de suas cinco décadas de vida pública, mais de quatro exercendo mandatos eletivos, Rose de Freitas deu reiteradas demonstrações de resiliência. Incontáveis vezes provou que quem duvida dela tende a errar. Agora, o faz mais uma vez. Rose é uma sobrevivente política. E, aos 77 anos, disputará mais uma eleição ao Senado.


Fenômeno de longevidade política, Rose já detém a incrível marca de sete mandatos parlamentares no Congresso Nacional, um recorde absoluto entre representantes do Espírito Santo na Nova República (inaugurada em 1985).


Foram seis na Câmara dos Deputados (cinco completos e um assumido como suplente), além da passagem de oito anos pelo Senado, para o qual se elegeu em 2014. Em 2022, não conseguiu se reeleger. Seu lugar ficou com Magno Malta (PL). Por menos de 100 mil votos, perdeu o lugar para um notório desafeto.


Agora, após quatro anos sem mandato, Rose voltará a postular um lugar na Câmara Alta, ao lado de Casagrande, na coligação majoritária liderada pelo governador Ricardo Ferraço. Do primeiro, é histórica aliada; do segundo, correligionária no MDB.


Aliás, repetindo 2022, os três voltam a figurar na mesma chapa. Naquele pleito, Casagrande concorreu à reeleição no Palácio Anchieta, tendo Ricardo como candidato a vice e Rose, a senadora.


A reedição da chapa RRR (Ricardo, Renato e Rose), em posições diferentes, deve-se tanto à obstinação pessoal de Rose quanto a um motivo inesperado e, em grande medida, surpreendente: o inacreditável deserto de concorrentes à mesma posição, no grupo de Ricardo e Casagrande, na reta final do processo.


Por incrível que possa soar, em princípios de junho – começo da Copa do Mundo –, Rose já era a única jogadora que restava de pé no túnel que liga o vestiário ao gramado da campanha, ao lado de Casagrande, no time capitaneado por Ricardo.


Traduzindo a analogia futebolística: Rose firmou-se, àquela altura, como a única aliada governista que sustentava sua pré-candidatura ao Senado.


De azarão, a ex-senadora passou a favorita absoluta para ocupar a vaga, seja por sua tenacidade, seja por “autoeliminação” de todos os potenciais postulantes ao mesmo espaço. Se fosse a “Corrida Maluca”, diríamos que Penélope (a única mulher) largou atrás, mas todos os outros competidores à sua frente foram abandonando a prova.


E olha que, ao longo do percurso, não faltaram aliados de Casagrande e Ricardo também interessados em ocupar essa segunda candidatura ao Senado na chapa governista!


Em certos trechos da prova, alguns deles pareceram muito mais “quentes”, com probabilidades bem maiores de se firmarem nessa posição: Euclério Sampaio (MDB) pareceu o nome mais provável, entre agosto do ano passado e março deste ano; Josias da Vitória (PP) assumiu a condição de favorito, nos bastidores, de março até o início de junho.


Mesmo correndo por fora, Rose jamais se intimidou. Levantou o dedinho (”eu quero”) e nunca mais o abaixou; deu um passinho à frente e nunca arredou o pé.


Sempre que questionada se mantinha a pré-candidatura ao Senado, ela jamais titubeou. 


Quando indagada sobre a possível dificuldade representada pelo fato de ser do mesmo partido do candidato a governador (cheio de aliados a contemplar, numa coligação tão ampla quanto a dele), Rose nunca se abateu: “Por que não?”


Nesse “jogo do resta um”, após ter reunido múltiplos apoios para ser candidato a senador, Euclério desacelerou e, em março, decidiu ficar à frente da Prefeitura de Cariacica e não ser candidato a nada.


Em dado momento, Arnaldinho Borgo (PSDB) chegou a ser cotado, mas ficou, por sua vez, na Prefeitura de Vila Velha. Luiz Paulo (PSDB) chegou a anunciar, em dois momentos, pré-candidatura ao Senado, mas recuou e será candidato a deputado estadual.


Presidente estadual da Federação União Progressista, o deputado Da Vitória recebeu, nos bastidores, a preferência de Ricardo e Casagrande para ser o segundo candidato a senador, se assim quisesse. Não o quis.


No começo de junho, Da Vitória anunciou que será candidato à reeleição e que a federação na verdade queria a vice de Ricardo. Assim foi feito: o vice de Ricardo veio da federação. Será o vereador Camillo Neves (PP), um grande aliado de Da Vitória, indicado pelo próprio.


Em meados de junho, ainda se aventou o nome do deputado Gilson Daniel como alternativa a Rose. Essa possibilidade não vingou. No dia 15 de junho, falando a este colunista, o presidente estadual do Podemos anunciou sua decisão final de concorrer à reeleição na Câmara a exemplo de Da Vitória. E ainda declarou apoio a Rose como segunda candidata ao Senado, na chapa da situação.


Como se nota, um a um, todos que estavam à frente de Rose foram recuando, abdicando, desistindo, declinando... saindo da frente e deixando a pista livre para ela. Após terem dado um passo à frente, voltaram um passo para trás, tornando ao ponto de partida. Rose deu seu passo à frente... e lá ficou.


O próprio presidente estadual do MDB, Euclério Sampaio, não se revelava grande fã da ideia de lançar Rose de Freitas. Isso no começo do ano. Em meados de junho, passou a admitir que ela se tornara a favorita para perfilar com Casagrande na coligação majoritária de Ricardo.


A ex-senadora não chegou a jogar parada, mas se movimentou muito pouco. Seu grande mérito foi o de jamais ter recuado, o de ter-se mantido firme e resoluta no desejo de ser candidata. E será.  


Não o será por inércia, mas, de certa forma, porque a conjuntura lhe sorriu a partir dessa soma de desistências. Pontos para ela.


Nesse jogo, Rose usou a seu favor outros trunfos. Sua excelente relação com os caciques nacionais do MDB, incluindo o presidente Baleia Rossi e os “cabeças brancas” da sigla, foi determinante para sua prevalência.


Mais de uma vez, a cúpula nacional do MDB posicionou-se no sentido de que queria Rose candidata ao Senado no Espírito Santo. Candidato ao governo pelo mesmo MDB, Ricardo lá seria besta de contrariar a direção nacional do próprio partido???


Por fim, até o mês passado, nos círculos casaferracistas, pairava um último “senão” sobre Rose: ok, muito leal a Casagrande, mas... será igualmente leal a Ricardo?


Rose calou qualquer resquício de dúvida durante a convenção do PSB de Casagrande, na presença de ambos, no dia 25 de julho. Em um “auto de humildade e lealdade”, declarou que seu trabalho e seus sapatos estão à disposição da campanha de Ricardo e que, se ele for (re)eleito, ela vai “carregar sua pasta em Brasília”. Palavras dela.


Por tudo isso, a pré-candidatura de Rose é a vitória da obstinação de alguém de quem todos, repito, incluindo cronistas políticos (e aqui também deixo uma autocrítica), já deveriam ter aprendido a jamais duvidar. 

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Vitor Vogas

Vitor Vogas Vitor Vogas

Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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