A pré-candidatura de Sérgio Meneguelli ao Senado, que já
respirava por aparelhos, já não emite sinais de vida. O acordo do PSD com o
Republicanos foi fechado pelos respectivos dirigentes estaduais. E não prevê a
candidatura de Meneguelli ao Senado.
Após rodar bastante, o PSD voltará ao seu ponto de partida e
se juntará à coligação liderada pelo Republicanos no Espírito Santo, tendo Lorenzo
Pazolini como candidato a governador.
Em troca do apoio a Pazolini, o PSD conseguiu emplacar a
companheira de chapa do ex-prefeito de Vitória: a candidata a vice-governadora
de Pazolini será a médica Lívia Vasconcelos, primeira-dama de Colatina.
Lívia é esposa de Renzo Vasconcelos, prefeito colatinense e
presidente estadual do PSD.
Tudo isso deverá ser anunciado na convenção estadual do PSD,
marcada para a noite desta quarta-feira (5), em um hotel de Vitória.
O acordo foi selado na véspera, entre quatro personagens
capitais: de um lado, o casal Vasconcelos; do outro, Pazolini e o presidente
estadual do Republicanos, Erick Musso.
> Quer receber as publicações da
Coluna Vitor Vogas pelo Whatsapp? É só clicar aqui
O pacto também prevê que o ex-prefeito de Linhares Guerino
Zanon (PSD) será o primeiro suplente de Evair de Melo (Republicanos), um dos
dois candidatos ao Senado na mesma chapa. A outra é Maguinha Malta (PL).
Nesse arranjo final, confirmado reservadamente por fontes
dos dois partidos, não há espaço para Meneguelli ser candidato ao Senado. O que
resta ao PSD (leia-se Renzo) é tentar convencê-lo a ser candidato a deputado
federal.
Mas Meneguelli já declarou à imprensa incontáveis vezes que
só aceitaria ser candidato ao Senado (“Senado ou nada”). E que, se não
conseguisse, terminaria o atual mandato na Assembleia Legislativa e voltaria
para Colatina.
O risco, para Renzo Vasconcelos, é criar um inimigo político
que poderá se voltar contra ele. Se se sentir ferido e traído, Meneguelli, em
tese, pode se candidatar a prefeito de Colatina, contra o atual prefeito, em
2028.
Bastidores da
definição: reuniões secretas
Renzo Vasconcelos prometeu publicamente, mais de uma vez,
que, entrando no PSD, Meneguelli teria legenda garantida para ser candidato ao
Senado. O cumprimento da promessa (que agora não será cumprida mesmo) ficou
cada vez mais difícil conforme foi se estreitando o período de definições de
candidaturas e alianças eleitorais.
Em maio, o PSD declarou apoio a Pazolini. Mas, em meados de
julho, o PL chegou à coligação do delegado e ex-prefeito. A primeira vaga ao Senado
nessa coligação foi dada a Maguinha Malta, filha do presidente estadual do PL,
Magno Malta. Além de emplacar a própria filha, este chegou vetando o nome de
Meneguelli para a segunda vaga.
Assim, Renzo voltou atrás, tirou (momentaneamente) o PSD
dessa coligação e reabriu conversas com o governador Ricardo Ferraço (MDB),
candidato a mais um mandato.
A prioridade de Renzo realmente era cumprir sua palavra com
Meneguelli. Para isso, tentou encaixar o deputado na chapa de Ricardo – e, de
preferência, também, a sua esposa como companheira de chapa do governador.
Nada disso foi possível no time de Ricardo. A chapa do
governador já está fechadinha. Ao Senado, os candidatos serão Renato Casagrande
(PSB), que sempre teve lugar cativo, e Rose de Freitas (MDB), que se credenciou
sobretudo via Brasília, chancelada pela direção nacional do MDB.
Ricardo não compraria essa briga a esta altura com a direção
nacional do próprio partido e com siglas aliadas a ele, que já o apoiam há
muito mais tempo, só para contemplar o pleito de um recém-chegado... Não rolou.
Na tarde de terça-feira (4), diplomaticamente, Ricardo recebeu o casal Vasconcelos e Sérgio Meneguelli, na Residência Oficial da Praia da Costa. O saldo dessa conversa final foi,
basicamente, um educado “não” ao pleito do PSD, ouvido pelo trio.
“Sem novidades”, resumiu
o governador, em mensagem à coluna após o encontro.
Acoplar Meneguelli não era possível. Aceitar Lívia como
candidata a vice? Horas antes, Ricardo anunciara o seu companheiro de chapa: o
vereador de Vitória Camillo Neves (PP). Todos os espaços ali já estavam
preenchidos.
Depois desse encontro com Ricardo, o casal Vasconcelos (só
os dois, sem Meneguelli) teve outra reunião decisiva, mas dessa vez com
Pazolini e Erick Musso.
Na verdade, durante todo esse tempo, enquanto Renzo batia a
outras portas, os dois lados nunca deixaram de manter o diálogo. O Republicanos
sempre manteve a vaga de vice de Pazolini “reservada” para Lívia, caso o PSD
quisesse retornar. E foi o que eles concordaram em fazer.
Essa reunião definitiva ocorreu exatamente entre o encontro
com Ricardo na Residência Oficial e a convenção estadual do Republicanos.
Quando a convenção ocorreu, na noite de terça, o acordo já estava fechado.
Em entrevistas, Pazolini e Erick enfatizaram que as portas
estavam abertas para o PSD (mas o PSD na verdade já havia entrado por essa
porta...).
Não por acaso, também, o Republicanos registrou em ata que a
candidatura a vice de Pazolini ficaria em aberto, a ser preenchida por membro
do próprio partido ou de outra sigla coligada, conforme as deliberações a serem
tomadas pela direção estadual.
O que resta a Meneguelli?
O grande efeito colateral desse acordo é que, mais uma vez,
pela segunda eleição seguida, a pré-candidatura de Meneguelli ao Senado implode
na hora H das definições, por decisão dos dirigentes do seu próprio partido.
Em 2022, ele estava no Republicanos. A sigla lhe negou a
legenda para ser candidato ao Senado. Mesmo contrariado, ele acabou aceitando
ser candidato a deputado estadual. E elegeu-se como o recordista de votos para
o cargo no Espírito Santo.
Agora, no PSD, a tentativa será de convencê-lo a “descer”
para a chapa federal do partido e tentar chegar à Câmara dos Deputados.
A leitura de dirigentes envolvidos é que uma candidatura à
Câmara é muito mais viável para Meneguelli.
Como candidato ao Senado, ele teria uma disputa dificílima,
contra Casagrande, Contarato (PT), Maguinha, Evair, entre outros.
Já se for candidato a federal, como puxador de votos da
chapa do PSD, ele poderá “quebrar a banca” e ser um dos campeões de voto.
Com seus votos nominais e a ajuda dos outros candidatos da
chapa, ele teria boas chances de garantir uma cadeira para si na bancada federal
do Espírito Santo. E chegaria a Brasília, de igual modo.
Para isso, a chapa do partido precisaria atingir uma votação
total estimada entre 180 mil e 200 mil votos.
Mas lembremos o que já disse Meneguelli inúmeras vezes: “Senado ou nada”. E ainda: “Não acredito em traição de Renzo. Ele é um homem de palavra, até onde eu sei. Nunca me deu motivos para não confiar nele”.