Em dia decisivo para as próprias pretensões eleitorais e as
do Partido Social Democrático (PSD), o deputado estadual e ex-prefeito de
Colatina Sérgio Meneguelli foi ao encontro do governador Ricardo Ferraço (MDB)
na Residência Oficial da Praia da Costa. Ele saiu de Colatina pela manhã e
pegou a estrada rumo a Vila Velha. A reunião com Ricardo teve início perto das
14h30 desta terça-feira (4).
Presidente estadual do PSD, o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, também participou
do encontro sigiloso, assim como a médica
Lívia Vasconcelos, primeira-dama de Colatina. Ela é a mulher ao lado de
Meneguelli no registro acima – obtido com exclusividade pela coluna.
O assunto da conversa com Ricardo só pode ter sido um: as
eleições estaduais e a reta final das definições das chapas majoritárias, com a
possibilidade de o PSD aderir de última hora à coligação liderada pelo
governador (pré-candidato a mais um mandato).
O período oficial de convenções partidárias termina nesta
quarta-feira (5), data em que estão marcadas a do PSD e a do MDB de Ricardo
Ferraço. O agendamento no limite do prazo legal se explica, precisamente, pelas
questões ainda em aberto na montagem das chapas – entre elas a mais importante:
para onde vai o PSD?
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No Espírito Santo, entre todos os maiores partidos, a sigla
comandada por Renzo é a única que ainda não definiu seu caminho nas disputas
majoritárias (para o Governo do Estado e o Senado).
Ricardo, evidentemente, gostaria de atrair o PSD, um dos
partidos com maiores bancadas federais, com quase um minuto de tempo de TV e
rádio a cada bloco de 10 minutos no horário eleitoral (segundo as contas de
Renzo).
Além disso, eventual chegada de Renzo, Lívia e Meneguelli ao grupo do governador encorparia sua campanha em Colatina, terceiro município capixaba mais populoso ao norte do Rio Doce.
Mas a possível acoplagem do PSD demanda uma engenharia política das mais complexas.
Meneguelli é pré-candidato ao Senado, não abre mão disso e pressiona Renzo. Este tem o compromisso, publicamente assumido algumas vezes,
de garantir a legenda para o ex-prefeito concorrer a senador. Também foi
aventada por Renzo a possibilidade de Lívia Vasconcelos concorrer como vice-governadora.
A princípio, o PSD estava na frente liderada por Lorenzo
Pazolini (Republicanos). Em maio, mesmo dedicando palavras elogiosas a Ricardo,
Renzo anunciou o seu apoio e o do PSD a Pazolini para governador. A ideia era
encaixar Meneguelli e/ou Lívia Vasconcelos na chapa do ex-prefeito de Vitória (respectivamente,
como um dos candidatos ao Senado e como candidata a vice).
A chegada do PL à coligação de Pazolini mudou tudo. Com vetos
de Magno Malta e espaço atrofiado nessa chapa, Renzo anunciou, no dia 20 de
julho, que o PSD conversaria com outros pré-candidatos a governador. Dois dias
depois, reabriu diálogo eleitoral com Ricardo, também na Residência Oficial da
Praia da Costa.
Na última segunda-feira (3), o ex-governador Paulo Hartung,
também filiado ao PSD, anunciou sua decisão de não concorrer a cargo algum
nesta eleição.
Agora, quais são os três
únicos caminhos que restam ao PSD?
O primeiro, bastante improvável, é uma composição com a
frente governista liderada por Ricardo Ferraço, “encaixando” Meneguelli como um
dos candidatos ao Senado. Mas isso não é nada simples. A priori, as duas vagas
já estão preenchidas, pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB) e pela ex-senadora
Rose de Freitas (MDB).
Casagrande tem cadeira cativa na chapa. A única hipótese
verossímil seria a substituição de Rose por Meneguelli, no apagar das luzes. A
coluna apurou que Ricardo e outros “cabeças” do movimento governista chegaram a
colocar na mesa essa alternativa, a título de exercício. Mas é um exercício difícil
de se concretizar.
Aliada histórica de Casagrande, a ex-senadora também já fez
manifestações públicas de lealdade a Ricardo, disse em mais de uma ocasião que
não abre mão da candidatura e é respaldada pela direção nacional do MDB, com
quem mantém excelentes conexões políticas.
Na coligação de Ricardo, Lívia não poderá ser candidata a vice, até porque o ocupante do posto foi anunciado na manhã desta terça-feira pelo governador. Será o vereador de Vitória Camillo Neves (PP).
O segundo caminho para o PSD é Renzo respirar fundo e voltar
para a coligação de Pazolini, com o Republicanos e o PL. Nesse caso, voltará
menor do que partiu. Poderá ainda tentar emplacar a própria esposa, Lívia
Vasconcelos, como candidata a vice-governadora do ex-prefeito da Capital.
Mas isso não resolveria sua questão com Meneguelli. Hoje, se
Renzo levar o PSD de volta para esse grupo oposicionista, a pré-candidatura do
ex-prefeito de Colatina explodirá de vez.
O terceiro caminho é o PSD bancar e registrar uma chapa isolada apenas com a candidatura de Meneguelli ao Senado (contra tudo e contra todos). Nesse caso, Lívia Vasconcelos não será candidata a vice-governadora, já que a chapa não terá um candidato a governador. E o PSD não apoiará ninguém, nem Ricardo nem Pazolini, para o Palácio Anchieta.
Pela manhã, antes de partirem para Vila Velha, Renzo e Lívia receberam em Colatina o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon. Na véspera, em entrevista à colunista Letícia Gonçalves, o ex-prefeito criticou Renzo e ameaçou até sair do PSD se a legenda não apoiar Pazolini.
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