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Vitor Vogas

Meneguelli tem encontro secreto com Ricardo Ferraço em Dia D para ele e o PSD

Na pauta, a reta final das definições das chapas majoritárias, com a possibilidade de o PSD aderir de última hora à coligação liderada pelo governador

Publicado em 04 de Agosto de 2026 às 15:32

Públicado em 

04 ago 2026 às 15:32
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas Vitor Vogas
Sérgio Meneguelli chega com Lívia Vasconcelos a encontro com Ricardo Ferraço na Residência Oficial da Praia da Costa
Sérgio Meneguelli chega com Lívia Vasconcelos a encontro com Ricardo Ferraço na Residência Oficial da Praia da Costa (04/08/2026)

Em dia decisivo para as próprias pretensões eleitorais e as do Partido Social Democrático (PSD), o deputado estadual e ex-prefeito de Colatina Sérgio Meneguelli foi ao encontro do governador Ricardo Ferraço (MDB) na Residência Oficial da Praia da Costa. Ele saiu de Colatina pela manhã e pegou a estrada rumo a Vila Velha. A reunião com Ricardo teve início perto das 14h30 desta terça-feira (4).


Presidente estadual do PSD, o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos, também participou do encontro sigiloso, assim como a médica Lívia Vasconcelos, primeira-dama de Colatina. Ela é a mulher ao lado de Meneguelli no registro acima – obtido com exclusividade pela coluna.


O assunto da conversa com Ricardo só pode ter sido um: as eleições estaduais e a reta final das definições das chapas majoritárias, com a possibilidade de o PSD aderir de última hora à coligação liderada pelo governador (pré-candidato a mais um mandato).


O período oficial de convenções partidárias termina nesta quarta-feira (5), data em que estão marcadas a do PSD e a do MDB de Ricardo Ferraço. O agendamento no limite do prazo legal se explica, precisamente, pelas questões ainda em aberto na montagem das chapas – entre elas a mais importante: para onde vai o PSD?


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No Espírito Santo, entre todos os maiores partidos, a sigla comandada por Renzo é a única que ainda não definiu seu caminho nas disputas majoritárias (para o Governo do Estado e o Senado).


Ricardo, evidentemente, gostaria de atrair o PSD, um dos partidos com maiores bancadas federais, com quase um minuto de tempo de TV e rádio a cada bloco de 10 minutos no horário eleitoral (segundo as contas de Renzo). 


Além disso, eventual chegada de Renzo, Lívia e Meneguelli ao grupo do governador encorparia sua campanha em Colatina, terceiro município capixaba mais populoso ao norte do Rio Doce. 

Mas a possível acoplagem do PSD demanda uma engenharia política das mais complexas.


Meneguelli é pré-candidato ao Senado, não abre mão disso e pressiona Renzo. Este tem o compromisso, publicamente assumido algumas vezes, de garantir a legenda para o ex-prefeito concorrer a senador. Também foi aventada por Renzo a possibilidade de Lívia Vasconcelos concorrer como vice-governadora.


A princípio, o PSD estava na frente liderada por Lorenzo Pazolini (Republicanos). Em maio, mesmo dedicando palavras elogiosas a Ricardo, Renzo anunciou o seu apoio e o do PSD a Pazolini para governador. A ideia era encaixar Meneguelli e/ou Lívia Vasconcelos na chapa do ex-prefeito de Vitória (respectivamente, como um dos candidatos ao Senado e como candidata a vice).


A chegada do PL à coligação de Pazolini mudou tudo. Com vetos de Magno Malta e espaço atrofiado nessa chapa, Renzo anunciou, no dia 20 de julho, que o PSD conversaria com outros pré-candidatos a governador. Dois dias depois, reabriu diálogo eleitoral com Ricardo, também na Residência Oficial da Praia da Costa.


Na última segunda-feira (3), o ex-governador Paulo Hartung, também filiado ao PSD, anunciou sua decisão de não concorrer a cargo algum nesta eleição. 

Agora, quais são os três únicos caminhos que restam ao PSD?

O primeiro, bastante improvável, é uma composição com a frente governista liderada por Ricardo Ferraço, “encaixando” Meneguelli como um dos candidatos ao Senado. Mas isso não é nada simples. A priori, as duas vagas já estão preenchidas, pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB) e pela ex-senadora Rose de Freitas (MDB).


Casagrande tem cadeira cativa na chapa. A única hipótese verossímil seria a substituição de Rose por Meneguelli, no apagar das luzes. A coluna apurou que Ricardo e outros “cabeças” do movimento governista chegaram a colocar na mesa essa alternativa, a título de exercício. Mas é um exercício difícil de se concretizar.


Aliada histórica de Casagrande, a ex-senadora também já fez manifestações públicas de lealdade a Ricardo, disse em mais de uma ocasião que não abre mão da candidatura e é respaldada pela direção nacional do MDB, com quem mantém excelentes conexões políticas.

Na coligação de Ricardo, Lívia não poderá ser candidata a vice, até porque o ocupante do posto foi anunciado na manhã desta terça-feira pelo governador. Será o vereador de Vitória Camillo Neves (PP)


O segundo caminho para o PSD é Renzo respirar fundo e voltar para a coligação de Pazolini, com o Republicanos e o PL. Nesse caso, voltará menor do que partiu. Poderá ainda tentar emplacar a própria esposa, Lívia Vasconcelos, como candidata a vice-governadora do ex-prefeito da Capital.


Mas isso não resolveria sua questão com Meneguelli. Hoje, se Renzo levar o PSD de volta para esse grupo oposicionista, a pré-candidatura do ex-prefeito de Colatina explodirá de vez.


O terceiro caminho é o PSD bancar e registrar uma chapa isolada apenas com a candidatura de Meneguelli ao Senado (contra tudo e contra todos). Nesse caso, Lívia Vasconcelos não será candidata a vice-governadora, já que a chapa não terá um candidato a governador. E o PSD não apoiará ninguém, nem Ricardo nem Pazolini, para o Palácio Anchieta.

Mais cedo, encontro apaziguador com Guerino

Pela manhã, antes de partirem para Vila Velha, Renzo e Lívia receberam em Colatina o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon. Na véspera, em entrevista à colunista Letícia Gonçalves, o ex-prefeito criticou Renzo e ameaçou até sair do PSD se a legenda não apoiar Pazolini

Renzo e Lívia Vasconcelos recebem Guerino Zanon
Renzo e Lívia Vasconcelos recebem Guerino Zanon (04/08/2026) Reprodução Instagram

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Vitor Vogas

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Vitor Vogas é jornalista com atuação na imprensa capixaba há quase 20 anos. Cobriu várias eleições. De 2008 a 2021, trabalhou na Rede Gazeta, como repórter e colunista de Política. Também foi comentarista da CBN. Em 2026, após passagens por veículos da Rede Capixaba e do Grupo Sim, voltou a assinar esta coluna. Aqui, diariamente, você encontra informações de bastidores e análises em profundidade sobre o cenário político do Espírito Santo.

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