Repórter / [email protected]
Publicado em 25 de setembro de 2025 às 17:53
Ao longo dos últimos anos, o Espírito Santo tem avançado em indicadores educacionais, mas os resultados obtidos ainda estão longe da qualidade desejada. Estudo recente, divulgado nesta quinta-feira (25) no Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, demonstra que pouco mais de 10% dos alunos concluem o ensino médio com aprendizagem adequada em Língua Portuguesa e Matemática. >
Essa capacidade de aprendizado vai caindo à medida que os alunos avançam nas séries: >
Daniela Mendes, coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação — uma das entidades responsáveis pela elaboração do anuário —, pontua o que está por trás dessa redução vertiginosa na aprendizagem adequada, um problema que não se restringe ao Espírito Santo.>
>
A especialista faz uma analogia, afirmando que a educação é construída por meio de peças e, se no início da trajetória escolar esses recursos faltarem, isto é, o estudante não conseguir absorver os conteúdos, o impacto será sentido ao longo de todo o percurso.>
“Cada peça importa. Se em cada ano escolar vai acumulando essa defasagem, esse número de peças faltantes, isso vai se refletir nos resultados educacionais. Uma dificuldade que lá atrás não era tão grande, torna-se maior”, analisa.>
Por essa razão, Daniela Mendes defende que essas lacunas sejam preenchidas com estratégias que comecem pelo processo de alfabetização. >
Daniela Mendes
Coordenadora de Políticas Educacionais do Todos Pela EducaçãoO país, conforme observa a especialista, só muito recentemente passou a adotar uma política para a área, que é o Compromisso Nacional da Criança Alfabetizada, lançado pelo governo federal em 2023, estimulando uma parceria entre União, Estados e municípios. >
“Além disso, os gestores precisam investir na recomposição de aprendizagem. Se um aluno, em determinada série, ainda não atingiu a aprendizagem daqueles conteúdos, é importante garantir políticas para ele alcançar. O aluno não pode, simplesmente, não aprender.”>
Isso não significa, segundo ela, que os estudantes devem ser reprovados – medida que aumenta os indicadores de evasão e abandono escolar. Para Daniela Mendes, o fundamental é recompor aquele conhecimento não adquirido, ainda que na série seguinte. >
Embora tenha indicadores dedicados à aprendizagem, o anuário apresenta outros dados da educação brasileira, da infraestrutura das escolas, passando pela falta de equidade, até as oportunidades de acesso oferecidas por Estados e municípios. >
Sobre espaços de aprendizagem e equipamentos, 67,5% das unidades de educação infantil no Espírito Santo possuem parquinho e 60,5% das escolas dos anos iniciais do ensino fundamental têm sala de leitura ou biblioteca. No quesito estrutura básica, banheiro, água potável e energia elétrica alcançam mais de 99% das escolas, mas, em apenas 44,1%, as salas de aula são climatizadas. >
"O anuário tem um grande potencial de fazer a gente conseguir enxergar os desafios da educação básica de maneira mais aprofundada porque não olha especificamente para um indicador ou outro. O grande valor do anuário está em trazer diferentes dados, diferentes indicadores, com uma discussão mais ampla sobre acesso e qualidade da educação", ressalta Daniela Mendes. >
Para ela, um dos grandes desafios é unir estratégias que melhorem a aprendizagem associada à redução das desigualdades, para que todos os alunos nas escolas tenham as mesmas oportunidades. Se o recorte da educação no país ou nos Estados se mostra ruim, Daniela Mendes frisa que, para pretos, pardos e indígenas, o cenário é ainda pior.>
"A desigualdade é um grande problema que precisamos enfrentar no país, garantindo oportunidades, independentemente de raça ou cor. Os dados do anuário mostram que, nos últimos anos, há uma diferença bastante inaceitável entre o grupo de brancos e amarelos e o de negros e indígenas. A desigualdade precisa ser combatida com políticas públicas que influenciem no direcionamento de recursos", defende Daniela Mendes, citando que não se trata apenas de dinheiro, mas de recursos humanos. "As escolas com alunos em situação de maior vulnerabilidade precisam ter os melhores professores, os melhores diretores, os melhores materiais e mais apoio porque é assim que faremos avançar", acrescenta. >
A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) respondeu, em nota, que acompanha os resultados do Anuário Brasileiro da Educação Básica e reconhece os desafios de aprendizagem no ensino médio, especialmente em Língua Portuguesa e Matemática. >
"Desde a retomada das aulas presenciais (após a pandemia da Covid-19), a Sedu vem desenvolvendo um conjunto de ações para recomposição e fortalecimento das aprendizagens. Entre elas estão as Rotinas Pedagógicas Escolares (RPE), materiais elaborados por professores da rede com base nos resultados das avaliações externas; o Programa de Fortalecimento da Aprendizagem (PFA); e o Projeto Grupos de Aprendizagem, com foco em Matemática", pontua o órgão. >
Na área de Língua Portuguesa, ainda segundo a nota, destaca-se a parceria com a Plataforma Letrus, que utiliza inteligência artificial para apoiar o desenvolvimento da leitura e da escrita dos estudantes. Já o Programa Matemática na Rede, em colaboração com instituições de ensino e pesquisa, promove a formação continuada de professores e estimula a iniciação científica dos alunos.>
"Complementando esse conjunto de estratégias, a Busca Ativa Escolar atua para garantir o acesso e a permanência dos estudantes, prevenindo infrequência, abandono e evasão", conclui a Sedu. >
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta