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Casagrande: Bolsonaro dá declaração equilibrada e depois publica fake

Governador do ES avaliou positivamente o último pronunciamento do presidente, mas questionou que, em poucas horas, Bolsonaro já compartilhou um vídeo fake

Publicado em 01/04/2020 às 17h03
Governadores Eduardo Leite, do Rio do Grande do Sul, Renato Casagrande, do Espírito Santo, e Mauro Mendes, do Mato Grosso, debateram com o jornalista Josias de Souza
Governadores Eduardo Leite, do Rio do Grande do Sul, Renato Casagrande, do Espírito Santo, e Mauro Mendes, do Mato Grosso, debateram com o jornalista Josias de Souza. Crédito: Repdoução/Youtube UOL

O governador Renato Casagrande (PSB) voltou a fazer um pedido de equilíbrio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na condução da crise do coronavírus, embora ele tenha, no pronunciamento desta terça (31), pregando uma junção de esforços.

"A declaração de ontem já foi mais equilibrada, mas hoje (quarta-feira, dia 1º) ele já compartilhou vídeo que é fake. Não existe o que aquele senhor [do vídeo] está falando. A Central de Abastecimento de Minas Gerais está funcionando normalmente. O que deixa claro é que o presidente politicamente é levado a ter uma posição equilibrada, mas pessoalmente, quando pode, se manifesta no enfrentamento, confronto, descartando e menosprezando a crise. Ele vai do céu ao inferno, do inferno ao céu em minutos, e isso atrapalha a coordenação", afirmou Casagrande.

Ele participou de um debate do UOL, nesta quarta-feira, junto com os governadores Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul, e Mauro Mendes (DEM), do Mato Grosso.

PACTO NACIONAL

A declaração de Bolsonaro à qual Casagrande se refere é a seguinte: "Agradeço e reafirmo a importância da colaboração e a necessária união de todos num grande pacto pela preservação da vida e dos empregos: Parlamento, Judiciário, governadores, prefeitos e sociedade", afirmou o presidente, durante pronunciamento em cadeia nacional, na terça-feira à noite.

VÍDEO FAKE

No entanto, na manhã desta quarta, poucas horas depois de ter pedido um pacto nacional, Bolsonaro compartilhou — e depois apagou — um vídeo com informação mentirosa sobre um suposto desabastecimento da Ceasa de Minas Gerais.

"Quero me prender à palavra dele ontem, em rede nacional, e nós estamos à disposição para estar em uma coordenação nacional, por que assim podemos salvar a vida de muitos brasileiros", acrescentou Casagrande.

Os governadores Eduardo Leite e Mauro Mendes também reforçaram o discurso pedindo trabalho conjunto no combate ao coronavírus, com a liderança de Bolsonaro. "Todos nós precisamos que ele [presidente] aponte os caminhos corretos, una o Brasil e não aponte caminhos distintos", disse Mendes.

"AS PALAVRAS TÊM PODER"

Questionado sobre o que espera, daqui pra frente, da conduta do presidente, Casagrande reforçou que Bolsonaro precisa ter cuidado com as declarações.

"As palavras têm poder, e as palavras do presidente têm muito mais poder. O primeiro passo é ele ser equilibrado nas suas palavras, quando for para pronunciamento, e também quando estiver sozinho. Que ele possa representar aquele ponto de equilíbrio que é o governo, mesmo que não seja a posição pessoal dele. Nós nem sempre representamos a posição social, e sim o consenso da sociedade que temos que representar, em uma hora de dificuldade como essa. Se ele ficar estável, e tiver controle das suas posições pessoais, ele tem diversos ministros com equilíbrio para coordenar um trabalho junto conosco um trabalho que pode ser mais efetivo no Brasil".

RECURSOS

Quanto ao dinheiro já liberado pelo governo federal para o Espírito Santo, Casagrande afirmou que até o momento foram R$ 8 milhões para a Secretaria de Saúde, recursos que já estavam liberados há mais tempo. Ele elogiou as medidas do governo federal na área econômica, como a manutenção do valor do Fundo de Participação dos Estados (FPE), a permissão para protelar o pagamento da dívida e dos bancos públicos, e o auxílio de R$ 600 para trabalhadores informais.

"O que é preciso cobrar é que elas sejam efetivamente concretizadas. Quero reconhecer que estamos no primeiro passo, o governo terá que dar outros passos, a crise é de médio prazo, de alguns meses. A primeira onda o governo fez, e teremos que ter outras ondas para a gente proteger e manter um equilíbrio social. Quem tem os instrumentos para fazer frente à crise é o governo federal. Ele pode emitir títulos, pode fazer dinheiro, aumentar deficit. Nós, nos Estados, não podemos fazer isso. Por isso é importante a coordenação por eles. Aqui, estamos tomando medidas complementares".

Na entrevista, o governador revelou ainda que a duração das medidas de restrição à circulação de pessoas ainda devem durar por alguns meses, pelo menos até julho ou agosto, e que vão depender do comportamento do vírus no Estado. Somente nesta quarta, até o meio-dia, houve 17 novos casos confirmados da doença, enquanto a média vinha sendo de até 12 casos por dia, de acordo com Casagrande.

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