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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente, informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Com Amaro fora do páreo, Pazolini deve ser candidato a prefeito de Vitória

O deputado estadual (sem partido) passa a ser o nome favorito para representar o grupo político do próprio Amaro na eleição a prefeito da Capital, pelo partido Republicanos

Publicado em 01/04/2020 às 16h45
Atualizado em 01/04/2020 às 18h37
Lorenzo Pazolini bateu de frente com Enivaldo
Quem quer ser candidato?. Crédito: Lissa de Paula/Ales

Pense num tabuleiro de “War”, “Combate” ou de qualquer jogo do gênero que leve de repente um tapão por baixo. Todas as peças voam pelos ares e caem de volta sobre o tabuleiro, espalhadas e reposicionadas de um jeito bem diferente. Foi mais ou menos esse o efeito imediato da decisão do deputado federal Amaro Neto (Republicanos) de transferir de Vitória para a Serra o seu título eleitoral. Balançou todas as peças.

Agora, se disputar a eleição municipal de outubro (ele não dá certeza quanto a isso), Amaro só poderá ser candidato a prefeito da Serra. Os reflexos imediatos da mudança na cidade hoje governada por Audifax Barcelos (Rede) já foram analisados pela coluna aqui. Mas e quanto aos desdobramentos em Vitória? A primeira resposta aponta para Lorenzo Pazolini. Com a saída de Amaro da disputa na Capital, o deputado estadual (sem partido) passa a ser o nome favorito para representar o grupo político do próprio Amaro na eleição a prefeito de Vitória.

O lançamento de Pazolini, muito provavelmente com apoio declarado do próprio Amaro, desponta praticamente como o caminho natural do grupo que tem no deputado federal seu rosto mais conhecido, mas do qual também fazem parte, por exemplo, o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso, e o diretor-geral da Casa, Roberto Carneiro. Assim como Amaro, ambos são do Republicanos, partido presidido por Carneiro no Espírito Santo.

Assim, com a decisão tomada por Amaro, o caminho fica livre para Pazolini, e torna-se enorme a tendência de que ele se filie ao próprio Republicanos para concorrer à Prefeitura da Capital como representante desse grupo.

Em conversa com a coluna, publicada no último dia 18, o próprio Pazolini revelou que ele e Amaro vinham mantendo diálogos em ritmo praticamente diário para troca de impressões e análise de cenários eleitorais. Também explicou que só um dos dois (ou ele ou Amaro) seria candidato a prefeito de Vitória, como representante desse núcleo político. Bem, Amaro já está eliminado. Sobra Pazolini.

“Temos conversado muito no sentido de construir uma candidatura única na Capital. Nossa ideia é mantermos esse grupo para caminharmos juntos não só aqui em Vitória”, afirmou, então, o deputado estadual e delegado de polícia licenciado.

Até a oficialização da decisão de Amaro de migrar eleitoralmente para a Serra, havia duas hipóteses mais fortes de filiação partidária para Pazolini, com vantagem para a primeira: o Republicanos (controlado no Espírito Santo pelo grupo de Amaro) ou o PSDB (presidido no Estado pelo deputado estadual Vandinho Leite).

Pazolini já tinha uma inclinação maior para se filiar ao Republicanos por uma questão pragmática, de equilíbrio de forças. Vandinho chegou a convidá-lo inicialmente para se filiar ao PSDB, diz que falou de Pazolini até com João Doria, mas, nos últimos tempos, o próprio presidente estadual do PSDB já considerava complicado lançar Pazolini a prefeito de Vitória pelo PSDB.

Isso porque, a princípio, os tucanos já têm duas pré-candidaturas à prefeitura de duas cidades da Região Metropolitana: a do próprio Vandinho na Serra e a do prefeito Max Filho, que tentará a reeleição em Vila Velha. Uma terceira candidatura do PSDB na Capital, entre as duas cidades mais populosas do Estado, certamente dificultaria a costura de apoios a Max e, principalmente, a Vandinho na Serra – pois, normalmente, o acordo para que um partido apoie determinado candidato em uma grande cidade vem condicionado ao pagamento desse apoio em outro grande município. “Lei da reciprocidade”, ou da “retribuição”.

Pazolini pelo PSDB em Vitória, além de Vandinho na Serra e Max em Vila Velha, pode dar ao mercado político a sensação de que o PSDB quer dominar tudo. E afugentar potenciais aliados. Mais um fator que aponta para sua candidatura pelo Republicanos, no vácuo deixado por Amaro Neto.

Amaro transferiu seu título eleitoral de Vitória para a Serra. Só poderá votar e ser votado nomunicípio
Amaro transferiu seu título eleitoral de Vitória para a Serra. Só poderá votar e ser votado nomunicípio. Crédito: Amarildo

E CAPITÃO ASSUMÇÃO?!?

Embora muito mais remota, existe ainda a possibilidade de o deputado estadual Capitão Assumção (sem partido, como Pazolini) ser o candidato do Republicanos à Prefeitura de Vitória, no lugar do delegado de polícia (que assim não seria candidato a nada neste ano).

Assumção é o bolsonarista mais convicto na Assembleia Legislativa. Já o Republicanos (antigo PRB) passou a ser, nos últimos dias, praticamente a nova “casa de passagem”, ou “abrigo”, da família Bolsonaro, com as filiações do senador Flávio Bolsonaro e do vereador do Rio de janeiro Carlos Bolsonaro – respectivamente, os filhos 01 e 02 do presidente da República

Assumção é pré-candidato declarado a prefeito de Vitória. Em conversa com a coluna na semana passada, disse que estava entre o DEM, o Patriotas e o PRTB. Mas, com a ida de Amaro para a Serra, isso também pode mudar.

O presidente da Assembleia, Erick Musso (Republicanos), tem ótima relação com Assumção. Os dois almoçam juntos de vez em quando. Quando Assumção apresentou um pedido de impeachment contra Casagrande, mesmo com frágil fundamentação, Erick não determinou de ofício o arquivamento do pedido, como poderia perfeitamente ter feito, como presidente da Casa.

Em uma das últimas sessões presenciais da Assembleia antes da suspensão dos trabalhos in loco por causa do coronavírus, Assumção subiu à tribuna para criticar o médico Drauzio Varella. Erick desceu da Mesa Diretora para discursar do microfone de apartes e concordou com o discurso do colega.

Por outro lado, se o Republicanos filiar Assumção e lançá-lo como candidato a prefeito da Capital, o governo de Renato Casagrande (PSB) poderá entender isso como uma declaração de guerra e passar a tratar o Republicanos como inimigo no “War” estadual. Afinal, Assumção é o maior opositor do governo estadual na Assembleia. O grupo de Erick e Amaro vai querer eleger na Capital o maior opositor de Casagrande?

Com Erick e Roberto Carneiro, o partido hoje comanda o Poder Legislativo e pretende ali continuar, na próxima eleição da Mesa Diretora. Para filiar e lançar Assumção, o grupo de Amaro teria que pensar muito bem se quer arcar com os riscos de passar a ter o Poder Executivo como adversário.

E QUEM MAIS GANHA COM A SAÍDA DE AMARO?

Por fim, uma constatação meio óbvia, mas vamos lá: a saída (ou "não entrada") de Amaro no páreo é uma ótima notícia para outros pré-candidatos a prefeito de Vitória, como Sergio Majeski (de saída do PSB), Sérgio Sá (PSB), João Coser (PT), Nylton Rodrigues (Novo) e Fabrício Gandini (Cidadania), que assim ficam livres, antes da largada, de um adversário supostamente forte. Quem também deve dormir mais tranquilo é o atual prefeito, Luciano Rezende (Cidadania), apoiador de Gandini.

ELEIÇÃO EM VITÓRIA TERÁ UM CHOQUE CLARO

Seja Pazolini (favoritíssimo), seja Assumção o candidato do Republicanos, o fato é que, com a saída de Amaro, a disputa em Vitória passa a ter um desenho muito mais bem definido de eleição polarizada entre candidatos bem relacionados com o governo Casagrande (Gandini, Sá, Coser e até Majeski, embora mais crítico), de um lado, e, do outro, candidatos que encarnam a oposição ao governo Casagrande (Pazolini e Assumção).

Amaro não é exatamente um aliado do governo Casagrande, mas os dois se relacionam bem, chegaram a ensaiar aproximação política... enfim, o Palácio Anchieta lidaria bem com eventual candidatura de Amaro à Prefeitura de Vitória.

Casagrande desconfiado de Amaro e Amaro bolado com Casagrande
Mesmo desconfiados um do outro, Casagrande e Amaro ensaiaram acordo eleitoral. Crédito: Amarildo

Já com Pazolini e Assumção, a história é completamente outra. Como é que o Palácio Anchieta lidará com essa mudança? Promete fortes emoções.

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