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Bolsonaro publica vídeo falso sobre desabastecimento e depois apaga

No vídeo, um homem fazia críticas a governadores e dizia que Ceasa de BH estava sem alimentos. Não era verdade

Publicado em 01/04/2020 às 14h50
Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro publicou vídeo no Twitter com críticas a governadores devido a medidas que eles adotaram para conter o novo coronavírus. No vídeo, um homem fazia as críticas e mostrava a Ceasa de BH sem alimentos. Não é verdade. Crédito: Isac Nóbrega/PR

Um dia após adotar um discurso mais ameno em relação à pandemia do coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro publicou nas redes sociais um vídeo de um homem que apontava o desabastecimento na Ceasa de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, e dizia que "a culpa é dos governadores", que, segundo ele, querem "ganhar nome e projeção política a custa do sofrimento da população".

O conteúdo do vídeo, porém, foi desmentido pela Secretaria de Agricultura de Minas Gerais que, em nota, informou que o local está funcionando normalmente.

Além disso, um repórter da Rádio CBN BH esteve no local na manhã desta quarta-feira e mostrou, em vídeo, que o local estava  atendendo normalmente.

Diante da repercussão, Bolsonaro apagou a postagem.

"Não é um desentendimento entre o Presidente e ALGUNS governadores e ALGUNS prefeitos. São fatos e realidades que devem ser mostradas. Depois da destruição não interessa mostrar culpados", escreveu Bolsonaro em texto que acompanhava o vídeo. A publicação havia sido feita no Twitter, Facebook e Instagram.

MINISTRA DA AGRICULTURA DESMENTIU VÍDEO

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, tem afirmado que não há risco de desabastecimento. Ela, inclusive, enviou mensagens e vídeos no grupo de WhatsApp da Frente Parlamentar da Agropecuária que desmentiam o post de Bolsonaro.

No vídeo, gravado na terça-feira (31) o homem saiu em defesa do presidente. "Quem não tem dinheiro passa fome. Mas quem tem dinheiro mas não tem o que comprar também passa fome. E não vamos esquecer não, a culpa disso aqui é dos governadores, viu?", afirmou, mostrando imagens de um galpão quase vazio. "O presidente da república tá brigando incessantemente para que haja uma paralisação responsável. Não paralisar todos os setores, quem não é do grupo de risco voltar a trabalhar, ok?."

No Twitter, Jair Bolsonaro publica vídeo que falsamente diz que Ceasa de BH estava desabastecida. Depois, ele apagou
Tuíte postado por Bolsonaro. Após críticas, publicação foi apagada. Crédito: Reprodução/Twitter Jair Bolsonaro

COMO ESTÁ REALMENTE A CEASA DE BH

A reportagem do jornal "O Estado de S.Paulo" esteve no local. Ao lado de 150 caixas vendidas de pimentão, cada uma com dez quilos, já prontas para a entrega, o comerciário Sérgio Luiz dos Santos, 55 anos, que vende também abobrinhas e outros legumes, relata movimento normal nesta quarta, no chamado MLP, Mercado Livre do Produtor, na Ceasa, em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Sérgio dá uma dica do que pode ter acontecido em relação ao vídeo, replicado e depois apagado por Bolsonaro, de que não havia comércio na terça-feira, o que indicaria um suposto desabastecimento. "Às terças e quintas", o movimento é mais fraco", disse. O comerciário alertou ainda para o horário de funcionamento da Ceasa, que tem as manhã como período mais intenso.

Em nota, a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento disse que as informações do vídeo não são verdadeiras. "A Seapa afirma que a informação é inverídica. A limpeza do Mercado Livre do Produtor (MLP), local em que o vídeo foi gravado, é realizada todas as terças, quintas e sextas-feiras, no período da tarde, e aos finais de semana. Não é permitido no momento da limpeza a permanência das caixas com os alimentos".

A secretaria diz ainda que está sendo realizado "monitoramento da produção agropecuária no Estado, visando identificar possíveis impactos no processo de produção e abastecimento de alimentos. O levantamento e a sistematização das informações serão acompanhados semanalmente e atualizados uma vez por mês. Ainda segundo o governo "o relatório da segunda quinzena de março, apresentado ao Comitê Extraordinário covid-19, aponta situação de normalidade, sinalizando não haver impacto significativo da pandemia, nas produções dos principais grãos (soja, milho, feijão e sorgo); café, frutas e olerícolas; e carnes (bovina, suína e aves)".

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