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Advogado cita filmes 'Casablanca' e 'Comando para matar' em defesa de Leopoldo

Advogado cita filmes 'Casablanca' e 'Comando para matar' em defesa de Leopoldo

Para a defesa, a acusação age de forma implacável e disparando para todos os lados com o único objetivo de destruir o alvo. O julgamento de Antônio Leopoldo Teixeira ocorre nesta quinta-feira (12)

Publicado em 12 de março de 2026 às 11:30

Fabrício Campos faz a defesa de Antônio Leopoldo no julgamento do caso Alexandre Martins
Fabrício Campos faz a defesa de Antônio Leopoldo no julgamento do caso Alexandre Martins Crédito: Reprodução / A Gazeta

A defesa do juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira recorreu ao cinema clássico para questionar a acusação de que ele seria um dos mandantes do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, em 2003. Durante o julgamento nesta quinta-feira (12), o advogado Fabrício Campos citou o filme Casablanca (1942) para ilustrar o que chamou de "conveniência investigativa".

A referência faz alusão à famosa ordem do personagem Capitão Renault: "Prendam os suspeitos de sempre". Segundo a defesa, essa frase resume a lógica do processo, afirmando que diante da pressão pública e o tempo do caso, as autoridades teriam escolhido um culpado óbvio para encerrar a narrativa, em vez de buscar provas concretas.

Outra citação do cinema usada pela defesa de Antônio Leopoldo foi o filme Comando para Matar, de 1985. Campos utilizou a obra para ilustrar a atuação do Ministério Público no caso. Para a defesa, a acusação age de forma implacável e disparando para todos os lados com o único objetivo de destruir o alvo.

Para o advogado, a denúncia do Ministério Público funciona como uma "metralhadora giratória" e a metodologia da investigação se assemelha a "peças de Lego", que podem ser montadas e desmontadas para incriminar qualquer pessoa conforme a necessidade. O argumento central é que Leopoldo enfrenta uma "crueldade seletiva" que já dura mais de 20 anos, sendo mantido como réu apenas para preencher uma lacuna em uma tese acusatória moldável e sem lastro real.

Antes do início da sessão, Campos refutou ainda que as alegações de que os recursos apresentados pela defesa tiveram o intuito de procrastinar o andamento do processo. Segundo ele, as medidas judiciais foram respostas diretas a ilegalidades identificadas, muitas das quais acabaram reconhecidas pela Justiça — incluindo a existência de um documento que permaneceu oculto por mais de 15 anos.

O advogado Fabrício Campos, responsável pela defesa de Leopoldo, refuta ainda as alegações de que os recursos apresentados tiveram o intuito de procrastinar o andamento do processo

O julgamento de Antônio Leopoldo Teixeira, pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), ocorre nesta quinta-feira (12), quase 23 anos após o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho. A medida marca o encerramento do processo criminal contra o último réu, suspeito de ser um dos mentores da execução que expôs as entranhas do crime organizado no Estado.

Entre a tese de crime de mando e a negação de autoria por falta de provas, Leopoldo é apontado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) como uma das peça-chave no consórcio criminoso que era investigado por Alexandre. O juiz aposentado nega todas as acusações.

O julgamento é realizado pelo Tribunal do Pleno e não em um júri popular. Isso significa que o caso será debatido no órgão máximo de julgamento do Estado, por desembargadores da Corte. O réu será condenado se a maioria votar a favor da punição.

Ponto a ponto

ENTENDA A MORTE DE ALEXANDRE MARTINS

Quem era Alexandre Martins?

Alexandre Martins era um juiz de Direito de 32 anos, integrante da Vara de Execuções Penais e um dos magistrados mais atuantes no combate ao crime organizado no Espírito Santo no início dos anos 2000. Era conhecido por sua coragem, ética e pelo perfil técnico e rigoroso. Além de juiz, era professor universitário e fazia parte de uma missão especial que investigava a atuação de grupos de extermínio e a corrupção no sistema penitenciário capixaba.

Por que ele incomodou o crime organizado?

O juiz tornou-se um alvo porque suas decisões atingiam diretamente o coração do crime organizado do Estado. Ao assumir a Vara de Execuções Penais, ele passou a fiscalizar presídios e a combater esquemas de corrupção que envolviam a venda de benefícios para detentos e transferências irregulares de presos de alta periculosidade. Suas investigações e sentenças ameaçavam o poder de ex-policiais, contraventores e até membros do Judiciário que mantinham negócios ilícitos dentro do sistema prisional.

Como ele foi morto?

Alexandre Martins foi assassinado na manhã de 24 de março de 2003, com três tiros, quando chegava a uma academia de ginástica em Itapoã, Vila Velha. Ele estava sozinho e não utilizava escolta no momento do ataque, apesar das ameaças que recebia. O crime foi uma execução planejada: dois pistoleiros em uma motocicleta o aguardavam e efetuaram os disparos à queima-roupa. Embora a defesa dos acusados tenha tentado sustentar a tese de latrocínio (roubo seguido de morte), as investigações provaram que se tratou de um crime de mando, articulado por uma rede que envolvia intermediários e mandantes ligados ao crime organizado.

Quem é o juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira?

Antônio Leopoldo é um juiz aposentado que, na época do crime (2003), era colega da vítima na Vara de Execuções Penais de Vitória. Ele é apontado pelas investigações como um dos mandantes do assassinato. Diferente dos executores e intermediários, que já foram julgados e condenados em anos anteriores, Leopoldo é o último réu de grande relevância a enfrentar o julgamento devido a uma série de recursos que prolongaram o processo por mais de duas décadas. O caso será analisado pelo Tribunal do Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).

As acusações contra Leopoldo

O Ministério Público sustenta que Antônio Leopoldo participou do planejamento da morte de Alexandre Martins por motivos de vingança e queima de arquivo.

Segundo a acusação, a motivação seria porque Alexandre Martins teria descoberto e passado a combater um esquema de venda de alvarás de soltura e benefícios a presos, do qual Leopoldo supostamente fazia parte.

  • Articulação: ele é acusado de ter se unido a outros mandantes (como ex-policiais e contraventores) para eliminar o colega, que estava "atrapalhando" os negócios ilícitos do grupo ligado ao crime organizado no Espírito Santo.
  • Qualificadoras: responde por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante pagamento ou promessa de recompensa.

O que diz a defesa

A defesa de Antônio Leopoldo nega veementemente qualquer participação no crime e baseia sua estratégia nos seguintes pilares:

  • Negativa de autoria: afirma que não existem provas materiais ou testemunhais sólidas que liguem o juiz aposentado aos executores ou ao planejamento do atentado.

  • Fragilidade do inquérito: os advogados argumentam que a investigação foi conduzida sob forte pressão política e midiática na época, o que teria levado a conclusões precipitadas e erros processuais.

  • Questionamento de testemunhas: a defesa frequentemente aponta contradições nos depoimentos de criminosos que teriam delatado Leopoldo em troca de benefícios judiciais, alegando que tais relatos são mentirosos e sem lastro em fatos reais.
Antônio Leopoldo Teixeira e a mulher Rosilene Emerich gravaram vídeo para falar sobre a inocência do ex-juiz no homicídio de Alexandre Martins

Confira os três episódios da websérie sobre o assassinato do juiz Alexandre Martins

Primeiro episódio da websérie sobre o assassinato de Alexandre Martins conta como o magistrado assassinado acabou atuando em força-tarefa para investigar autoridades envolvidas com o mundo da criminalidade
Segundo episódio da websérie documental de A Gazeta traz detalhes sobre o dia 24 de março de 2003, quando o magistrado foi morto, em Vila Velha, e as investigações que levaram aos assassinos e os demais envolvidos; assista
O episódio final da websérie documental de A Gazeta detalha a situação de todos os réus do caso, traz depoimentos do pai da juiz assassinado e do único acusado do crime que ainda não foi a julgamento, 20 anos depois

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