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Publicado em 11 de março de 2026 às 16:56
Após pouco mais de vinte anos de seu assassinato, ocorrido em março de 2003, em Vila Velha, aos 32 anos, a figura do juiz Alexandre Martins de Castro Filho segue viva na história do Espírito Santo. Nesta quinta-feira (12), o juiz Antônio Lepoldo Texeira, acusado de ser um dos mandantes do crime contra o magistrado, deverá ir a julgamento no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).>
Familiares, amigos e colegas de carreira que falam sobre o magistrado, a cada vez que a trajetória dele precisa ser recontada, apontam Alexandre como um profissional brilhante e excepcional, além de ressaltar o trabalho visando ao combate do crime organizado no Estado.>
Pessoalmente, Alexandre é descrito como um jovem que era "muito brincalhão" fora do serviço, mas sério e dedicado profissionalmente, tendo sido influenciado pelo exemplo do pai, Alexandre Martins de Castro, que era militar. Durante entrevista concedida para documentário produzido por A Gazeta, em 2023, sobre os vinte anos do caso, o pai do magistrado reconheceu sua influência na postura do filho.>
Alexandre Martins de Castro
Pai do juiz Alexandre Martins de Castro, assassinado em março de 2003Na mesma entrevista, o pai também rasgou elogios ao filho, que era forma em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também atuava como professor. "Ele era excepcional, como filho, como profissional, como amigo, como colega. Teve uma infância normal e era brilhante. Gostava de praia, como bom carioca que era. Não demonstrava o profissional que ele acabou sendo, porque ele era muito brincalhão. E ele continuou sendo brincalhão, fora do serviço, e muito sério, dentro do serviço.">
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Com apenas 32 anos de idade, Alexandre Martins já atuava como juiz auxiliar na Vara de Execuções Penais, onde desempenhou um papel crucial na identificação de esquemas de corrupção e irregularidades no sistema carcerário capixaba, conforme indicam registros oficiais da época.>
Nesse período, Alexandre passou a atuar diretamente na Missão Especial de combate ao crime organizado, um esforço conjunto de órgãos federais e estaduais para retomar o controle do Estado, à época envolto em diversos casos de violência.>
Ao lado do também juiz Carlos Eduardo Lemos, Alexandre identificou graves irregularidades que teriam sido cometidas pelo então magistrado titular da vara, Antônio Leopoldo. Os dois magistrados descobriram um esquema de transferências ilegais e solturas irregulares de criminosos ligados ao tráfico e a grupos de extermínio.>
Mesmo diante de um ambiente marcado por ameaças, o magistrado seguiu decidindo de forma a reiterar que as medidas judiciais expedidas à época, mirando o crime organizado, deveriam ser cumpridas. E mostrava seu espírito combativo, inclusive em entrevistas.>
"Acabou a história de que só pobre é preso. Agora pessoas também com situação financeira boa, com bom posicionamento social, acabam sendo presas. Delegacia como Praia do Canto, que é um lugar que vivia vazio, agora está ficando superlotado", disse à TV Gazeta, naquela ocasião.>
Em função do trabalho de combate à corrupção, as ameaças teriam se tornado parte da rotina do juiz. Embora contasse com segurança garantida pelo Ministério da Justiça, o magistrado foi assassinado aos 32 anos, na manhã de 24 de março de 2003. O crime ocorreu por volta das 7 horas, quando ele chegava a uma academia em Vila Velha e foi atingido por três disparos na cabeça, no ombro e no peito.>
A execução foi rapidamente identificada como um crime de mando, motivado pelo incômodo que a atuação de Alexandre causava às estruturas criminosas que infiltravam o Estado. Sua morte gerou repercussão nacional, fazendo do magistrado uma das principais referências na luta contra a impunidade e o domínio do crime organizado nas instituições públicas.>
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