Há mais de duas décadas, Alexandre Martins de Castro espera pela conclusão do julgamento do último acusado pela morte de seu filho. Ele é convicto ao afirmar que o juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira, acusado como mandante do crime, é culpado.
Lembra que o filho, o juiz Alexandre Martins de Castro Filho, foi um ativo combatente do crime organizado, o que levou a sua morte. A expectativa dele é de que seja feita justiça nesta quinta-feira (12), para quando está marcado o julgamento no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).
Nesta entrevista ele compartilha reflexões sobre a dor da perda e o legado de integridade deixado por seu filho. Confira:
Qual a expectativa do senhor para o julgamento?
De que haja uma condenação exemplar, porque o crime foi muito grave. Não é admissível que o Estado empodere uma pessoa para fazer justiça e essa pessoa cometa um crime tão hediondo quanto esse. Eu tenho a certeza de que a condenação virá.
Ele vai dizer que é inocente. Mas, sem dúvida, Leopoldo é culpado. Desde o primeiro dia eu sabia que ele estava envolvido, mesmo antes de haver provas contra ele. A sociedade inteira sabe que ele é culpado. Se eu tivesse dúvida, honestamente, eu não falaria.
A minha expectativa é de que amanhã o caso se resolva de uma forma definitiva. Não traz o meu filho de volta, mas eu tenho a certeza de que a condenação virá.
Na sua avaliação, o que levou a morte do seu filho?
O que causou a morte dele foi o combate ferrenho ao crime organizado. Isso se agravou com a denúncia que ele fez das vendas de sentença e saídas irregulares de presos promovidas pelo Leopoldo. Juntou-se a isso o fato dele ter mandado o Coronel Ferreira cumprir prisão no Acre.
O Ferreira e o Leopoldo tinham uma ligação muito próxima, juntaram os dois inimigos e acabou nessa consequência. O efeito foi que a sociedade percebeu que o crime organizado era forte no Estado e que aquilo tinha que acabar. Não posso dizer que acabou, mas reduziu substancialmente.
Como foi a espera?
Foi muito desagradável, principalmente em algumas datas de família, como Natal, Ano Novo, Semana Santa, Dia dos Pais, dia de aniversário. Eu não pude comemorar porque o meu filho não está vivo. Isso dá uma tristeza muito grande, mas faz parte da vida e a gente tem que se acostumar com essa ideia. Eu não me conformei, mas eu me acostumei com a ideia.
Perdi minha esposa quando meu filho tinha 6 anos e a irmã 3 anos. Nove anos antes da morte do Alexandre, perdi minha filha em um acidente. Ela era estudante de Medicina. Mas tenho certeza que criei meus dois filhos bem.
Quem foi o Alexandre?
A pessoa mais doce que você pudesse imaginar. Era respeitador, cumpridor de dever, nunca me deu trabalho nenhum e ajudava os amigos. Ele tinha uma capacidade de trabalho fantástica, não levava trabalho para casa porque resolvia na hora, não sentava em cima de processo. Foi um excelente juiz.
Além do mais, era um grande amigo; íamos ao Maracanã, desfiles de escola de samba e pagode juntos. As coisas que pai e filho gostam de fazer.
O senhor ainda guarda lembranças do Alexandre?
Todas as lembranças, físicas e emocionais. O que eu mais lembro foi a forma como ele me tratava, não só como pai, mas como um amigo mesmo. Ele fazia qualquer coisa para me ajudar, estava sempre me chamando para almoçar, jantar ou bater papo. Sinto muito a falta dele por ser uma pessoa tão presente.
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