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Confira relatório do caso Alexandre Martins lido em julgamento de Leopoldo

Confira relatório do caso Alexandre Martins lido em julgamento de Leopoldo

O documento foi apresentado à cúpula de desembargadores pelo relator Fábio Brasil Nery durante sessão iniciada na manhã desta quinta-feira (12)

Publicado em 12 de março de 2026 às 10:11

Apresentação do relatório do caso, feito pelo desembargador Fábio Brasil Nery, relator do processo.
Apresentação do relatório do caso, feito pelo desembargador Fábio Brasil Nery, relator do processo. Crédito: A Gazeta

O julgamento do magistrado aposentado Antônio Leopoldo Teixeira, pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), começou nesta quinta-feira (12), quase 23 anos após o assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho. A medida marca o encerramento do processo criminal contra o último réu, suspeito de ser um dos mentores da execução que expôs as entranhas do crime organizado no Estado.

O início do debate do caso foi iniciado com a leitura do relatório do processo (veja documento mais abaixo), feito pelo desembargador Fábio Brasil Nery, relator do processo.  Segundo o documento, o homicídio foi motivado por promessa de recompensa e está profundamente ligado a um esquema de corrupção na época em que Antônio Leopoldo era o titular da 5ª Vara Criminal de Vitória.

Pontos abordados no relatório

  • A denúncia narra que o ex-juiz concedia benefícios irregulares a condenados e ordenava transferências para facilitar resgates de presos, recebendo vantagens financeiras indevidas em troca e favorecendo o crime organizado.
  • A vítima, Alexandre Martins, integrava a "Missão Especial de Combate ao Crime Organizado" e foi um dos magistrados responsáveis por constatar e denunciar essas irregularidades à Corregedoria-Geral da Justiça.
  • Além disso, Martins determinou a transferência do Coronel PM da Reserva Walter Gomes Ferreira — descrito como amigo íntimo do réu e "braço armado" do grupo criminoso — para um presídio no Acre, com o objetivo de cessar sua influência e impedir que continuasse ordenando homicídios.
  • Com o enfraquecimento do esquema e a transferência do réu para a Vara de Órfãos e Sucessões, os magistrados envolvidos nas investigações começaram a sofrer ameaças.
  • O assassinato de Alexandre Martins teria sido orquestrado como forma de vingança, intimidação e uma tentativa de garantir a impunidade da quadrilha.
  • Em suas alegações finais, o Ministério Público exige a condenação do ex-juiz em regime inicial fechado, a decretação imediata de sua prisão e a perda da função pública, o que resultaria na cassação da sua aposentadoria remunerada

Confira o relatório completo

Arquivos & Anexos

Relatório da investigação contra o juiz Leopoldo, acusado de mandar matar o magistrado Alexandre Martins

De acordo com o relatório do Desembargador Fabio Brasil Nery, o homicídio foi motivado por promessa de recompensa e está profundamente ligado a um esquema de corrupção na época em que Antônio Leopoldo era o titular da 5ª Vara Criminal de Vitória.

Tamanho de arquivo: 2mb

Quem era Alexandre Martins?

Alexandre Martins era um juiz de Direito de 32 anos, integrante da Vara de Execuções Penais e um dos magistrados mais atuantes no combate ao crime organizado no Espírito Santo no início dos anos 2000. Era conhecido por sua coragem, ética e pelo perfil técnico e rigoroso. Além de juiz, era professor universitário e fazia parte de uma missão especial que investigava a atuação de grupos de extermínio e a corrupção no sistema penitenciário capixaba.

Por que ele incomodou o crime organizado?

O juiz tornou-se um alvo porque suas decisões atingiam diretamente o coração do crime organizado do Estado. Ao assumir a Vara de Execuções Penais, ele passou a fiscalizar presídios e a combater esquemas de corrupção que envolviam a venda de benefícios para detentos e transferências irregulares de presos de alta periculosidade. Suas investigações e sentenças ameaçavam o poder de ex-policiais, contraventores e até membros do Judiciário que mantinham negócios ilícitos dentro do sistema prisional.

Como ele foi morto?

Alexandre Martins foi assassinado na manhã de 24 de março de 2003, com três tiros, quando chegava a uma academia de ginástica em Itapoã, Vila Velha. Ele estava sozinho e não utilizava escolta no momento do ataque, apesar das ameaças que recebia. O crime foi uma execução planejada: dois pistoleiros em uma motocicleta o aguardavam e efetuaram os disparos à queima-roupa. Embora a defesa dos acusados tenha tentado sustentar a tese de latrocínio (roubo seguido de morte), as investigações provaram que se tratou de um crime de mando, articulado por uma rede que envolvia intermediários e mandantes ligados ao crime organizado.

Quem é o juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira?

Antônio Leopoldo é um juiz aposentado que, na época do crime (2003), era colega da vítima na Vara de Execuções Penais de Vitória. Ele é apontado pelas investigações como um dos mandantes do assassinato. Diferente dos executores e intermediários, que já foram julgados e condenados em anos anteriores, Leopoldo é o último réu de grande relevância a enfrentar o julgamento devido a uma série de recursos que prolongaram o processo por mais de duas décadas. O caso será analisado pelo Tribunal do Pleno do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES).

As acusações contra Leopoldo

O Ministério Público sustenta que Antônio Leopoldo participou do planejamento da morte de Alexandre Martins por motivos de vingança e queima de arquivo.

Segundo a acusação, a motivação seria porque Alexandre Martins teria descoberto e passado a combater um esquema de venda de alvarás de soltura e benefícios a presos, do qual Leopoldo supostamente fazia parte.

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