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Publicado em 18 de outubro de 2021 às 21:03
Os artefatos explosivos que têm assustado os moradores da Grande Vitória são fruto da disputa pelo tráfico de drogas, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). Eles são usados na luta entre facções rivais e servem tanto para atacar adversários na disputa por territórios quanto para demonstrar poder. >
Em pouco mais de um mês, o esquadrão antibombas da Polícia Militar foi acionada cinco vezes para ocorrências deste tipo. Três foram em Vitória, uma em Cariacica e uma em Vila Velha, nesta segunda-feira (18). No ano, já foram 24 ações desse tipo em todo o Espírito Santo.>
De acordo com o secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre Ramalho, os materiais são encontrados em locais onde há forte presença de grupos de traficantes. Trata-se de explosivos artesanais, improvisados, que os próprios criminosos fabricam ou compram de alguém que produz. >
O que torna a situação ainda mais perigosa para a população é o fato de que o uso de explosivos é cada vez mais frequente e os bandidos não parecem ter muito conhecimento sobre como detoná-los. >
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“Temos percebido aumento de apreensões e um descuido disso em determinados locais. São explosivos que não detonaram por desconhecimento deles. Às vezes não sabe nem qual é o mecanismo de acionamento deles. É extremamente perigoso nas mãos de pessoas inadequadas”, afirma Ramalho. >
Segundo um integrante do esquadrão antibombas que não quis se identificar, os artefatos são usados para intimidar, causar pânico, em uma estratégia que se assemelha ao terrorismo.>
“Eles querem causar pânico e sensação de insegurança, tanto na população quanto nos rivais. O risco é de todo mundo, mas a destinação deles é a guerra do tráfico”, disse. >
Ele afirma que o número de ocorrências subiu nos últimos três anos e que a estratégia é “importada” dos criminosos do Rio de Janeiro. >
“A gente vinha se preparando desde 2017. E calhou de copiarem o Rio de Janeiro, que é um local com muita incidência desse tipo de crime, e começaram a usar aqui recentemente”, relata. >
O secretário Alexandre Ramalho concorda que o método veio do Estado vizinho, mas diz que aqui ele ainda é usado em proporção menor. >
“É um modelo que está sendo copiado (do Rio de Janeiro) mas nem de longe se compara com a proporção de lá”, aponta. >
Ele diz que a situação é preocupante, principalmente porque os explosivos, utilizados por pessoas que parecem não ter conhecimento de como acioná-los, são um risco tanto para a população quanto para as forças de segurança. >
“Tudo que é utilizado pela criminalidade e que pode atingir nossas polícias é algo que nos preocupa. Isso coloca em risco a integridade física dos nossos policiais. Temos que ter cautela e preparo e o acionamento precisa continuar sendo pelo meio técnico”, diz. >
Rua foi isolada por suspeita de bomba em Vitória
Segundo o integrante do esquadrão antibombas, qualquer objeto pode ser usado como disfarce para um explosivo. O que determina o grau de perigo, inicialmente, é o contexto e que ele é encontrado. No caso das últimas ocorrências na Grande Vitória, estavam em bairros onde há forte presença do tráfico.>
Ao se deparar com algum objeto suspeito, a orientação é não se aproximar e acionar a Polícia Militar imediatamente. >
“Não pode mexer, nem tocar, nem tentar mudar de lugar, ou chegar perto para tirar fotos. É ligar imediatamente para a polícia, que vai dar o encaminhamento necessário para a ocorrência”, explica. >
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