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Tarifaço de Donald Trump trava salto maior de PIB capixaba

Economia do Estado cresceu 3,9%, mas, na avaliação do Instituto Jones dos Santos Neves, resultado teria sido ainda melhor sem a alta das tarifas dos EUA

Publicado em 06 de Março de 2026 às 16:35

Leticia Orlandi

Publicado em 

06 mar 2026 às 16:35
Presidente Donald Trump anuncia tarifaço global a parceiros comerciais dos EUA
Donald Trump impôs tarifaço global à importação de produtos pelos EUA Crédito: Reuters/Folhapress
Apesar de ter encerrado 2025 com um crescimento de 3,9% — superando a média nacional de 2,3% —, a economia do Espírito Santo poderia ter alcançado um patamar ainda mais elevado. O principal freio foi o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados UnidosDonald Trump, às importações de produtos brasileiros, o que gerou incertezas e impactou diretamente o comércio exterior do Estado.
Um estudo realizado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) aponta que a estimativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo, em 2025, alcançou R$ 248,2 bilhões, mas o resultado poderia ter sido ainda maior.
O diretor de integração e projetos do IJSN, Antonio Rocha, explica que o Espírito Santo sentiu mais os efeitos do tarifaço do que o restante do Brasil, devido ao grau de abertura comercial. Ele lembra que, enquanto o comércio exterior representa 27% do PIB brasileiro, no Espírito Santo esse índice chega a 54%.
Tarifaço de Donald Trump trava salto maior de PIB capixaba
"A nossa economia depende do comércio exterior o dobro em relação ao Brasil. Então, logicamente, tudo o que acontece lá fora impacta mais aqui. Poderíamos ter tido um desempenho melhor do comércio exterior, não fosse o tarifaço, apesar de termos conseguido abrir novos mercados. Ainda assim, as exportações para os Estados Unidos caíram 7,5%”, aponta.
Essa retração no mercado americano, segundo ele, foi responsável por puxar para baixo o volume total das exportações do Estado em 2% em relação a 2024. As ações do protecionismo norte-americano atingiram pilares da pauta exportadora do Estado, como o envio de semimanufaturados de ferro e aço, celulose, minério de ferro e café bruto para os EUA. Na contramão, cresceram as exportações para os Estados Unidos de petróleo, rochas ornamentais e café solúvel.
Por outro lado, o diretor lembra que o café, por exemplo, conseguiu compensar parte da perda de espaço na América do Norte ampliando sua entrada em países da Europa e da Ásia. No entanto, esse movimento de substituição nem sempre é imediato ou proporcional, pois depende do preço internacional por produtos específicos.
Já Pablo Lira, diretor-presidente do IJSN, acrescenta que, se não tivesse ocorrido a parada de unidades produtivas de petróleo no final de 2025 para manutenção, como na FPSO Maria Quitéria, da Petrobras, o setor da indústria extrativa teria contribuído para um resultado ainda mais expressivo.
Mesmo com esse cenário adverso, o PIB capixaba foi sustentado pela força do mercado interno e por setores que não dependem diretamente da política tarifária norte-americana. A indústria extrativa de petróleo — que levou o Estado de volta ao posto de segundo maior produtor nacional — e o desempenho recorde da safra de café conilon (com previsão de alta de 32%) foram os pilares que garantiram o saldo positivo de R$ 248 bilhões ao final do ano.

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