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Guerra no Irã pode afetar exportações do ES e aumentar custo de produção

Secretaria de Agricultura e economistas avaliam que o fechamento do Estreito de Ormuz pode encarecer o preço do petróleo e ter impacto no custo de fertilizantes

Publicado em 04 de Março de 2026 às 10:16

Vinicius Zagoto

Publicado em 

04 mar 2026 às 10:16
Navios ancorados no terminal da TVV, em Vitória
Exportações do Estado podem ser prejudicadas por guerra no Oriente Médio Crédito: Ricardo Medeiros
escalada de tensões no Oriente Médio,  iniciada com ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã no último sábado (28), pode afetar o agronegócio do Espírito Santo, especialmente o setor do café e o da pimenta, e pode encarecer os custos de produção. A avaliação foi feita pelo secretário de Estado de Agricultura, Enio Bergoli, terça-feira (3), e por economistas ouvidos por A Gazeta.
De acordo com o secretário, cerca de 20% da pimenta-do-reino e 8% dos cafés exportados pelo Espírito Santo têm como destino a região do Golfo Pérsico.
“A região tem muita relevância para o Espírito Santo porque nós exportamos para lá, em 2025, cerca de US$ 186 milhões (R$ 973 milhões), sendo cerca de US$ 120 milhões (R$ 627 milhões) em café verde, arábica, conilon e solúvel e US$ 56 milhões (R$ 292 milhões) de pimenta”, destacou, em entrevista ao Gazeta Meio Dia, da TV Gazeta.
Dados do painel de exportações do agronegócio capixaba, do 4º trimestre de 2025, apontam que os Emirados Árabes foram a segunda região do planeta para a qual o Espírito Santo exportou mais pimenta-do-reino.
Guerra no Irã pode afetar exportações do ES e aumentar custo de produção -
Ainda segundo o secretário, a expectativa é que haja uma alta nos custos de logística, caso o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo, fique fechado. “Podemos ter uma tendência de alta de preços internacionais por conta da ampliação dos custos de logística, especialmente com o estreito sendo fechado. Então, rotas alternativas encarecem nossas exportações”, avaliou.
Além disso, segundo Enio Bergoli, como o Brasil e o Espírito Santo são grandes importadores de fertilizantes, sobretudo os nitrogenados com base em petróleo, pode haver aumento dos custos de produção. “Com a ampliação do custo do petróleo, a gente aumenta o custo da operação de máquinas agrícolas e de fretes.”
A avaliação do secretário é reforçada pela perspectiva apontada pelo economista Eduardo Araújo, auditor de Finanças da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). Na visão dele, o agronegócio capixaba terá como ponto central de impacto não a falta de produtos, mas o aumento de custos na compra de insumos. 
“O Estreito de Ormuz é estratégico porque por ali passam cerca de 20% do petróleo mundial e também parte relevante dos fertilizantes nitrogenados exportados por países do Golfo, como ureia e amônia. Se a tensão elevar o risco na região, o primeiro efeito tende a ser frete e seguro mais caros, além de possível atraso em embarques, o que encarece a chegada de adubos ao Brasil. Isso pressiona a conta do produtor, especialmente em culturas mais dependentes de fertilização, mas não implica, neste momento, interrupção estrutural da oferta. O impacto dependerá essencialmente da duração do conflito”, contextualizou.
O economista Ricardo Paixão, por sua vez, cita outros impactos nos custos, como o frete internacional. "A alta do frete internacional também é um fator de custo mais elevado, assim como a instabilidade no preço internacional, a volatilidade cambial, o aumento do risco logístico, o atraso nos transportes marítimos, tudo isso pode estar impactando de forma negativa o agro capixaba e também do Brasil inteiro. Infelizmente, a guerra tem um efeito que a gente chama de externalidade negativa, muito significativa para os setores da nossa economia", avaliou.

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