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Publicado em 3 de março de 2026 às 17:48
O Espírito Santo atingiu, em 2025, o menor número de estudantes matriculados na educação básica dos últimos 10 anos, segundo dados do Censo Escolar. O resultado confirma uma nova queda nas matrículas neste ano e reforça a tendência de redução observada desde 2015 no Estado. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).>
Em 2025, eram 867 mil alunos da educação básica, contra 903 mil há dez anos. A redução está ligada diretamente à queda no número de matrículas da rede pública, que chegou a 744 mil — cerca de 42 mil a menos que há 10 anos no ensino básico, que compreende a educação infantil, o ensino fundamental e o médio, além da educação profissional e da modalidade voltada para jovens e adultos.>
No Brasil, foram registrados 46 milhões de estudantes, distribuídos em mais 178,7 mil escolas públicas e privadas, considerando todas as etapas da educação básica. Houve uma redução de 2,29% em comparação a 2024, quando foram registrados 47.088.922 estudantes. A queda corresponde a 1,08 milhão de alunos a menos.>
Outro dado que chama a atenção é o número de escolas da rede de educação básica no Estado, que também é menor do que há 10 anos. Em 2015, havia 368 unidades privadas, 2,3 mil municipais, 493 estaduais e 21 federais. No ano passado, eram 358 privadas, 2,2 mil municipais, 384 estaduais e 23 federais.>
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Nesse contexto, a maior redução ocorreu na zona rural. Há 10 anos, eram 1,1 mil unidades disponíveis no interior. Em 2025, esse número caiu para 882. >
Ao passo que o número de matrículas cai no Estado, o de estudantes em unidades de tempo integral cresceu nos últimos 10 anos e atingiu o maior patamar da década em 2025, nos ensinos fundamental e médio.>
O MEC avaliou que a redução não representa um problema e justificou que a queda está ligada a mudanças no perfil demográfico e melhoria da eficiência do sistema, com maior aprovação de alunos. >
De acordo com o ministério, houve redução das taxas de repetência e melhoria dos indicadores de distorção idade-série. Esse parâmetro avalia a quantidade de alunos que frequentam a série adequada à sua idade e não estão “atrasados” nos estudos.>
“Os alunos estão repetindo menos. Antes, a retenção inchava o sistema. Passando ano a ano, à medida que eu reduzo a distorção idade-série e dou oportunidades aos alunos que estão atrasados para eles concluírem, eu reduzo o número de matrículas”, apontou o ministro da Educação, Camilo Santana.>
Para o ministro, o censo mostrou que a educação brasileira conquistou avanços significativos em 2025.>
Segundo Camilo, a distorção idade-série no ensino médio, por exemplo, teve uma redução de 61% de 2022 a 2025. “Nós saímos de 27,2% para 13,99% só no 3° ano do ensino médio”, destacou. “O Brasil praticamente universalizou o acesso à escola. Precisamos garantir a qualidade, a equidade”, disse o ministro.>
A superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, aponta os mesmos motivos para a diminuição no número de matrículas. >
"É o menor número de alunos desde 2021, quando o Brasil registrou 46,6 milhões de matrículas. Esse é um dado que merece atenção, mas que precisa ser analisado com cuidado e à luz de outras informações demográficas e educacionais", afirmou.>
Ela também aponta a mudança estrutural na demografia brasileira e as melhorias dos dados de frequência escolar como sinais positivos, apesar da redução das matrículas registradas no Censo. >
"Isso significa que, embora haja menos jovens, uma parcela maior deles está, de fato, na escola. Dito isso, o desafio permanece: precisamos garantir que todos os estudantes tenham acesso, permanência e qualidade no aprendizado em todas as etapas. E isso exige uma articulação federativa mais forte e estratégica.”>
O secretário de Estado de Educação, Vitor de Angelo, avaliou que o Espírito Santo ainda tem muitos desafios, mas também algumas conquistas, sobretudo em relação ao aumento de estudantes em unidades de ensino em tempo integral.>
“As escolas em tempo integral dobraram o número de vagas nos últimos cinco anos, e nós já atendemos, nesse momento, a praticamente 20% de estudantes em todo o Espírito Santo com jornada ampliada, isso no somatório das instituições municipais com a rede estadual. Vale dizer que a rede estadual tem um percentual muito superior a isso, 60% das suas matrículas, e na rede municipal houve um avanço também muito grande em decorrência, sobretudo, de uma política do governo estadual de fomento a matrículas em tempo integral nos municípios”, declarou.>
Vitor de Angelo afirmou que o resultado é fruto do investimento do Estado em unidades de ensino e de incentivos às prefeituras, oferecendo recurso por cada estudante matriculado em escolas de tempo integral.>
Por meio de nota, a Secretaria da Educação (Sedu) informou que a variação no número de matrículas no Censo Escolar 2025 está relacionada ao processo de reorganização da Rede Estadual e à municipalização das etapas iniciais da Educação Básica, além da dinâmica demográfica.>
“Além disso, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam também queda na população de 6 a 17 anos, o que impacta diretamente o total de estudantes matriculados. Nesse contexto, a Rede Estadual passou de mais de 200 mil matrículas em 2024 para pouco mais de 190 mil em 2025”, justificou.>
A Sedu reforçou, ainda, que, apesar da redução quantitativa, houve avanço na qualificação da oferta, com crescimento da Educação Profissional, que passou de aproximadamente 30 mil para cerca de 34 mil matrículas.>
*Com informações da Agência Brasil>
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