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Escritório do PicPay
Escritório do PicPay. Crédito: Rogério Cassimiro

Deu match: empresas de fora compram startups do ES de olho na inovação

Parcerias têm alavancado crescimento de negócios de base tecnológica no Estado, cuja atuação têm rapidamente se expandido para outros locais do país

Vitória
Publicado em 16/09/2021 às 11h10

A tecnologia desenvolvida em território capixaba tem rompido as fronteiras do Estado, que se tornou palco de uma série de uniões bem-sucedidas entre startups e grandes investidores, que vão de aquisições a sociedades.

As startups são pequenas empresas que buscam solucionar determinados problemas por meio de tecnologia e inovação, e, em geral, têm grande potencial de escalabilidade, isto é, de crescimento, o que torna o investimento atrativo a companhias de grande porte, que têm permitido que soluções criadas no Espírito Santo alcancem pessoas em todo o país.

Um exemplo é o PicPay, criado no ano de 2012 em Vitória, e que hoje é responsável por mais de R$ 3 bilhões em movimentações financeiras mensais no Brasil. A empresa de nome homônimo lançou um aplicativo que, entre outras funções, permite pagar contas, fazer compras com QR Code, e transferir valores utilizando uma espécie de carteira virtual.

Em 2015, o negócio foi adquirido pelo grupo J&F, que é controlador de empresas como a JBS, maior produtora mundial de carne bovina, carne de frango e couros; a Eldorado Brasil, no ramo da celulose; o Banco Original, entre outras.

PicPay

Em nota

"A investida do grupo J&F no PicPay em 2015 alavancou o crescimento da companhia. Fazer parte do grupo, que é dos maiores conglomerados empresariais brasileiros, contribui para o plano de expansão do PicPay de estar presente no smartphone de todos os brasileiros. Hoje, são mais de 55 milhões de clientes cadastrados"

Mas não são só as fintechs que têm atraído grandes investidores. Aplicativos de delivery desenvolvidos no Espírito Santo também têm fisgado a atenção de empresas há muito consolidadas no país.

O aplicativo de entregas Shipp, por exemplo, foi adquirido recentemente pelo Grupo Lojas Americanas. Após a operação, que foi anunciada em abril e concretizada em maio, o serviço ganhou um novo nome (Americanas Delivery) e um robusto plano de expansão para os próximos anos.

O app, que até então só tinha atuação em Vitória e Vila Velha, passa a operar também em Serra e Guarapari, além de Niterói, no Rio de Janeiro. E, segundo a companhia, ainda em 2021, o modelo de ultra fast delivery (entrega ultra rápida) será expandido para as cidades de Joinville, em Santa Catarina, e para a região do ABC Paulista, em São Paulo.

De acordo com a Americanas, para o primeiro semestre de 2022 já foram mapeadas outras 22 cidades, sendo que o objetivo é atingir mais de 100 cidades até o final do ano que vem.

Em comunicado, a companhia disse que, com a conclusão da integração da Shipp pela companhia, o app passa a ter diferenciais competitivos importantes, como a credibilidade da marca Americanas, com mais de 48 milhões de clientes ativos.

Tomas Scopel

Diretor do Americanas Delivery

"O setor de delivery está em plena expansão e conta com uma base de clientes com perfil de alta recorrência e que busca, acima de tudo, comodidade. Com a marca Americanas, entraremos ainda mais fortes nesse setor, conectando nossos clientes a supermercados, restaurantes, farmácias e outros"

"Além disso, aproveitaremos a capilaridade das mais de 1.700 lojas físicas, verdadeiros hubs urbanos pelo Brasil, para ter uma entrega mais ágil, disponibilizando também todo nosso sortimento”, completou.

Outra união que promete prosperar é a do aplicativo Plus Delivery, serviço de entregas desenvolvido por um ex-aluno do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) de Colatina, que teve a conclusão de compra anunciada em junho pela Magazine Luiza.

A aquisição foi realizada por meio da AiQFome, uma empresa controlada pela gigante do varejo. O valor da transação não foi divulgado. Segundo o comunicado divulgado pela empresa aos investidores, o Plus Delivery, que está presente em mais de 30 cidades, é um dos líderes de entrega de comida no Espírito Santo.

“A aquisição representa mais um importante passo na estratégia da Companhia de digitalização do varejo brasileiro”, diz o texto. Já é o quarto negócio do segmento adquirido pela companhia.

Atuando em um dos mercados que mais ganham força nos últimos anos, a Mito Games, startup de soluções de gamificação criada em Vitória, fechou, há dois anos, uma parceria com o Instituto Phorte Educacional, que adquiriu parte da empresa e que tem contribuído, desde então, para que a tecnologia desenvolvida em território capixaba alcance diversas áreas do país.

Um dos sócio-fundadores do empreendimento, Rafael Lontra, explica que a startup desenvolveu, há alguns anos, o Enem Games, um jogo preparatório para o exame de acesso às universidades públicas do país, que rendeu alguns prêmios e reconhecimento na área.

Rafael Lontra, sócio-fundador da Mito Games
Rafael Lontra, sócio-fundador da Mito Games: empresa recebeu investimento de gigante do ramo educacional. Crédito: Acervo pessoal

“Por conta disso, íamos muito a São Paulo, onde conhecemos o pessoal do Instituto Phorte Educacional. Apresentamos o modelo de negócio, e sugeriram fazer adaptações para atender universidades, e não somente escolas. Após dois anos, fechamos um acordo para serem sócios da Mito, e ficaram responsáveis pela parte financeira da empresa. Ao fazer isso, nos deram a capacidade de escolhermos projetos que julgávamos mais interessantes, sem ter que nos preocuparmos somente com as contas.”

Rafael Lontra

Sócio-fundador da Mito Games

"Ter um parceiro de negócios abriu muitas portas porque o investidor já é uma empresa consolidada. Desenvolvemos, por exemplo, um aplicativo educativo que vendemos para a Damásio, que é uma das maiores instituições preparatórias da área de Direito no país. Esse app tem como foco preparar advogados para prova da OAB, e conseguimos uma boa quantia por ele. Ganhamos um alcance muito maior"

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