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Desvalorização do real

Até Queiroz mexe com o dólar. Saiba como isso afeta o seu bolso

Ao longo do ano, a moeda brasileira é a que mais perdeu força frente ao dólar na comparação com as moedas de outros países emergentes

Publicado em 18 de Junho de 2020 às 15:17

Redação de A Gazeta

Publicado em 

18 jun 2020 às 15:17
Dólar está em alta
Preço do dólar no Brasil tem alcançado recordes diários Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Em maio de 2019, as manchetes econômicas pelo país citavam a dificuldade na aprovação da reforma da Previdência, a queda da Bolsa de Valores e o dólar em “alta constante”, chegando a R$ 4,10. Uma ano depois de a nova aposentadoria ser aprovada, o câmbio, assim como o mercado de capitais, tem vivido uma verdadeira montanha-russa.
A moeda americana chegou a ser negociada a R$ 5,907 em maio deste ano. Em junho, o câmbio voltou a se desvalorizar, com a cotação a R$ 4,85 no dia 8. No entanto, o dólar voltou a subir e está no 7º dia seguido de alta, sendo negociado na abertura do mercado R$ 5,35, nesta quinta-feira (18), após a prisão de Fabrício Queiroz, policial militar aposentado e ex-assessor parlamentar do atual senador Flávio Bolsonaro.
De acordo com o doutor em Finanças e Contabilidade Fernando Galdi, a oscilação do câmbio é reflexo da pandemia do coronavírus, mas também da situação fiscal e política brasileira. “O Brasil já vinha de uma situação fiscal complexa – até fez a reforma da Previdência para diminuir o déficit – e ainda precisou aumentar os gastos por causa do coronavírus. Além disso, existe aqui a tensão política, que gera muita incerteza e afasta os investidores”, resume Galdi.
Com os investidores se afastando do Brasil, o dinheiro deles é enviado para transações mais seguras. 
"Com uma grande incerteza no mercado brasileiro, os investidores preferem investir em outros países – essencialmente no mercado americano. Por isso, o real apresenta tamanha queda frente ao dólar"
Fernando Galdi - Doutor em Finanças e Contabilidade
Prova de que o Brasil não tem apresentado um bom ambiente para os investidores é o aumento do risco país. Uma das medidas da piora da percepção sobre o perfil de risco do Brasil é o comportamento recente do indicador que mede a chance de um país dar um calote na sua dívida externa, o Credit Default Swap (CDS). Só neste ano, o CDS do Brasil subiu 255%. Como comparação, na América Latina, o do México avançou 175% e o do Chile teve aumento de 140% no mesmo período.
Antes da crise do coronavírus e da piora do ambiente político, investidores viam o Brasil com chance de voltar à classificação grau de investimento, o selo de bom pagador concedido pelas agências de avaliação de risco, como mostravam as taxas do CDS no começo de janeiro, que operavam na casa dos 95 pontos – menor nível em 10 anos.
Já em abril, as taxas chegaram a superar 400 pontos, mesmo nível que o Brasil tinha no começo de 2016, pouco antes do impeachment de Dilma Rousseff. Em 13 de maio, o CDS foi negociado a 355 pontos, alta de 25 pontos em apenas um dia. Em  2 de junho, o indicador foi abaixo do nível de 250 pontos pela primeira vez, desde março.
Outro motivo que faz o preço do dólar aumentar é a própria política cambial proposta pelo Ministério da Economia. “O Paulo Guedes tinha como objetivo melhorar o PIB brasileiro via exportações – e nesse ponto o dólar alto é interessante. Então ele deixou o preço da moeda americana mais solto. Só que acredito que nem ele imaginava que o dólar fosse chegar a esse patamar”, aponta o assessor de investimentos da Valor Charo Alves.

COMO ISSO AFETA O BOLSO DAS PESSOAS

Segundo Fernando Galdi, é possível separar a alta do dólar para três grupos. O primeiro é o dos empresários que possuem dívidas em dólar. “Estes, se não fizeram uma operação que chamamos de hedge cambial – que protege contra as oscilações monetárias – podem ter muita dificuldade”, aponta. Com isso, tais empresas podem acabar até precisando fechar as portas, dependendo do tamanho da dívida e da oscilação do dólar.
Outro grupo se beneficia do aumento do dólar em relação ao real. “Esses são os exportadores. Com o dólar alto como está, essas empresas se tornam mais competitivas”, destaca Galdi. O aumento da competitividade das empresas pode se refletir na queda dos preços dos produtos exportados, já que a variação cambial pode compensar essa diferença.
Por fim, no terceiro grupo, aparecem as pessoas físicas. “Esse é o grupo de pessoas que vai pagar mais caro pelos produtos importados, que pode diminuir o consumo, que vai ter problemas se precisar viajar – sobretudo para fora do Brasil”, cita Galdi lembrando que o dólar turismo  chegou a ser vendido a R$ 6,50.
Charo Alves cita, por exemplo, a possibilidade de aumento no preço de produtos do varejo, como televisões e celulares. “Esses produtos tecnológicos são importados. As marcas que estão aqui são globais e o setor todo é dolarizado, então a gente deve sentir no bolso para consumir esses produtos”, destaca.
Outros dois exemplos de impacto para os consumidores são observados nos alimentos, medicamentos e combustíveis. “O trigo para fazer o nosso pão vem de fora – principalmente da Argentina e dos Estados Unidos – e a alta do dólar faz aumentar o preço do trigo que consumimos no Brasil. O mesmo acontece com os medicamentos, que são trazidos de outros países, e o combustível, que passa a ser afetado com o dólar alto”, conclui Alves.

O DÓLAR NO PREÇO DOS PRODUTOS IMPORTADOS

O trigo para fazer o pãozinho, as bebidas, queijos e chocolates importados estão entre os produtos que devem ser impactados pelo preço do dólar. Na mesma prateleira, neste caso, estão celulares e eletroeletrônicos – que são produtos que envolvem maior tecnologia na fabricação e também são feitos fora do Brasil.

O DÓLAR NO PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS

O barril de petróleo é negociado em dólar. Assim, se o real se desvaloriza frente à moeda americana o combustível fica mais caro – já que o preço do produto tem influência da cotação internacional. Vale destacar que o Brasil exporta, em sua maioria, o petróleo cru, mais barato, e compra ele refinado, que é mais caro.

O DÓLAR NO PREÇO DAS VIAGENS INTERNACIONAIS

Viajar para fora do Brasil pode ficar mais caro por dois motivos diferentes: o preço do querosene de aviação pode aumentar – o que eleva o preço das passagens; e a própria compra de dólares fica dificultada – tendo em vista que nas casas de câmbio o dólar turismo é comercializado em valor superior ao dólar comercial.

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