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Após 30 dias da reabertura, comércio fatura 50% do período pré-pandemia

Lojas de rua podem abrir em dias alternados em todo o ES, enquanto que nos shoppings o funcionamento é liberado de segunda a sexta

Publicado em 11/06/2020 às 06h00
Atualizado em 11/06/2020 às 09h34
Vitória - ES - Abertura do comércio na avenida Jerônimo Monteiro no Centro de Vitória.
Abertura do comércio na avenida Jerônimo Monteiro no Centro de Vitória. Crédito: Vitor Jubini

O comércio foi um dos setores da economia mais prejudicados com a crise do novo coronavírus. Mesmo depois de 30 dias de reabertura parcial dos estabelecimentos em todo o Espírito Santo, os lojistas ainda faturam apenas 50% do que era no período pré-pandemia.

“Os comerciantes estão faturando entre 50% a 60% menos do que ocorria antes da crise. No ramo de confecções, como é o caso do Polo da Glória, o prejuízo chega a 80%. Com a proximidade do Dia dos Namorados, no próximo dia 12 de junho, as vendas devem ser 37% menores do que na mesma data em 2019. Mesmo com a retomada parcial, percebemos que as vendas não decolaram”, disse o presidente da Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES), José Lino Sepulcri.

Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC), de 21 de março a 15 de maio, o setor no Espírito Santo teve um prejuízo de cerca de R$ 3 bilhões.

O fechamento das lojas, no dia 21 de março, foi uma das medidas tomadas pelo governo do Estado como forma de evitar a aglomeração de pessoas, iniciativa que também foi tomada em outros Estados. Serviços essenciais como supermercados, padarias, farmácias e postos de gasolina puderam funcionar normalmente.

Em 22 de abril, o governador Renato Casagrande (PSB) autorizou a reabertura do comércio de rua em alguns municípios do interior do Espírito Santo, seguindo uma classificação de risco. As lojas de rua na Grande Vitória puderam abrir somente em 11 de maio, das 10 às 16 horas, e em dias escalonados. Já os shoppings puderam abrir as portas a partir de 1º de junho, somente de segunda a sexta.

“Quando o interior foi autorizado a reabrir as lojas, não houve muita repercussão no faturamento, porque 60% do volume de vendas está concentrada na Grande Vitória. Agora, mesmo com calendário alternado, não está havendo o resultado que prevíamos. Todo o segmento foi afetado, principalmente o de confecção e calçados. Há um ano, por exemplo, tínhamos oito horas de trabalho e agora são seis, em dias escalonados. Além disso, sabemos que o poder de compra mudou e as pessoas estão mais preocupadas em consumir o que é essencial para elas”, afirmou Sepulcri.

O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado, Geraldo Magela, que é comerciante em Colatina, ressaltou que as quedas nas vendas foram diferentes para cada ramo de atuação. Segundo ele, o segmento de cuidados especiais, como confecção e perfumaria, registrou queda de 50% do faturamento, mas no setor de eletrodomésticos essa redução variou de 10 a 15%.

“Roupas e sapatos não estão vendendo bem porque as pessoas não estão participando de eventos e aniversários, por exemplo. Em compensação quem vende geladeira e televisão, teve um recuo de vendas menor do que os demais e houve até casos com crescimento. Já quem trabalha com celular está comemorando e o setor de cama e mesa não sentiu os impactos da crise”, observou.

SHOPPINGS

Os shoppings da Grande Vitória ficaram fechados desde o dia 18 de março e puderam abrir a partir de 1º de junho, de segunda a sexta feira, em horário reduzido. Na primeira semana, a abertura foi facultativa para os lojistas, mas passou a ser obrigatória a todos desde 8 de junho.

Os centros de compras apostam no Dia dos Namorados para aumentarem as vendas, é o que afirma o coordenador estadual da Associação Brasileiro de Shopping Centers (Abrasce), Raphael Brotto. Segundo o executivo, do total de lojas dos estabelecimentos, 87% abriram na primeira semana.

“O fluxo de pessoas corresponde a 35% da média registrada no mesmo período do ano passado. O horário de maior pico na primeira semana, atingiu a 65% do total. Percebemos uma mudança de comportamento por parte dos consumidores. Antes da crise, as pessoas gastavam, em média, 76 minutos dentro dos shoppings. Hoje, são 25 minutos, o que mostra que o consumidor está em busca de fazer escolhas mais assertivas ou invés de ficar circulando nesse locais. Sabemos que não vamos recuperar o faturamento dos mais de 70 dias fechados. Agora, o mais importante é recuperar a confiança do consumidor”, afirmou Brotto.

As lojas continuam funcionando em horário especial estabelecido pelo decreto, inclusive no dia 11, feriado de Corpus Christi. As lojas abrem de segunda a sexta-feira, divididas em dois grupos: lojas âncoras de 12h às 18h e lojas satélites de 14h às 20h. As praças de alimentação funcionam das 12h às 16h.

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