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Pacientes assintomáticos transmitem coronavírus? Médicos explicam que sim

Declaração da OMS sobre disseminação do vírus por pacientes sem sintomas causou dúvidas entre as pessoas; entenda a diferença entre os tipos de doentes

Publicado em 09/06/2020 às 16h17
Atualizado em 10/06/2020 às 13h46
Teste rápido de coronavírus
Teste rápido para detectar coronavírus. Crédito: Prefeitura de Jundiaí/Divulgação

No entanto, a entidade esclareceu nesta terça-feira (9) que a frase da infectologista e chefe do departamento de doenças emergentes, Maria Van Kerkhove, foi tirada de contexto e que os assintomáticos podem, sim, transmitir a doença, porém ainda não se sabe em que nível a contaminação pode ocorrer. "Estamos absolutamente convencidos de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo, a questão é saber quanto", disse o diretor de emergências da OMS, Michael Ryan.

Infectologistas ouvidos pela reportagem explicam como é possível a disseminação da doença por pacientes assintomáticos e os cuidados necessários para barrar o avanço da doença. 

O infectologista Carlos Urbano Gonçalves Ferreira Junior reforça que as declarações da OMS não mudam em nada em relação aos cuidados da doença. Isso porque, até mesmo os doentes sintomáticos só manifestam os primeiros sintomas alguns dias após o contágio. 

“O infectado demora de um a dois dias para apresentar sintomas da doença, por isso os cuidados precisam ser mantidos. Não sabemos quem vai apresentar o sintoma ou não. O indivíduo pode estar infectado e ainda não sabe que está doente, é o paciente chamado de pré-sintomático. A regra de isolamento social não muda em nada com a declaração da OMS, pois cada indivíduo tem uma forma de apresentar o sintoma. Alguns não vão sentir nada e outros podem adoecer de forma grave. Tudo vai depender da interação do vírus com o hospedeiro”, explica.

A infectologista Rúbia Miossi explica que a Covid-19 é uma doença infecciosa respiratória, que a maior parte dos sintomas tem caráter respiratório, mas que algumas pessoas não apresentam nenhum sintoma, enquanto outras desenvolvem reações diferentes como diarreia e vômito. 

Segundo a infectologista, uma pessoa infectada que não apresenta nenhum sintoma pode transmitir a doença para outras, embora a chance de transmissão seja pequena. “A chance de assintomático transmitir a doença para outras é muito pequena, porque a Covid-19 é uma doença transmitida por secreção respiratória. Se a pessoa não tem sintoma, ela também não tem essas secreções, as gotículas, que vão fazer com que outra pessoa adoeça. Isso não é novidade, era uma coisa que a gente já pensava ser verdade a respeito do coronavírus desde o início da pandemia”, comenta.

O que muda agora, segundo Rúbia, é que a OMS começa a dizer que tem evidências a respeito da transmissão ou não por assintomáticos, mas a conclusão dessa pesquisa ainda não foi divulgada. “Então, não sabemos ao certo o que diz o estudo, como ele foi feito. Precisamos ver de onde saiu essa conclusão, mas já era esperado que não houvesse ampla disseminação por assintomáticos”, ressalta.

Mas Rúbia destaca que o isolamento social continua sendo importante porque ainda não há vacina nem remédio que possa tratar a doença de maneira eficaz.

Rúbia Miossi

Infectologista

"É importante manter o distanciamento porque esta é uma doença infecciosa. A pessoa pode não estar sentindo nada, mas está na fase de incubação do vírus e, neste caso, já é possível haver a transmissão"

O professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e infectologista Crispim Cerutti Junior também lembra que o mesmo vírus pode apresentar sintomas diferentes da doença. Por isso, a recomendação do médico é de que o uso de máscara seja mantido entre todas as pessoas.

“O uso da proteção diminui as partículas virais no ambiente. A transmissão da doença pelos assintomáticos é possível, mas ainda não sabemos a quantidade. Por isso, os cuidados devem ser mantidos”, ressalta.

Em sua conta do Twitter, o professor do Insper Thomas Conti, explica a diferença entre sintomáticos e assintomáticos, que foram classificados em três categorias: sintomáticos são os que apresentam sintomas; pré-sintomáticos, que ainda não apresentaram sintomas, mas vão apresentar; e assintomáticos que têm o vírus sem apresentar sintomas. Os médicos consideram ainda uma outra classificação, dos oligossintomáticos, pessoas que apresentaram sintomas discretos, como garganta arranha e nariz escorrendo de forma leve.

ENTENDA A DIFERENÇA

  • Assintomáticos: pessoas que não apresentam sintomas da doença, embora estejam infectados. Segundo a OMS, eles os assintomáticos podem transmitir a doença, mas ainda não se sabe em que nível se dá essa transmissão. 
  • Pré-sintomáticos: pessoas infectadas, com a fase inicial da doença, que ainda não apresentaram sintomas da Covid-19, mas vão apresentar. Podem ser transmissores da doença. 
  • Sintomático: pessoas que foram infectados e que tiveram sintomas da doença, que são: tosse, febre, dor no corpo, entre outros. Em contato com outras pessoas, elas transmitem a doença. 
  • Oligossintomática: são aqueles que pegaram o vírus e apresentaram sintomas discretos como garganta arranha e nariz escorrendo de forma leve. Também podem transmitir a doença. 

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