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Impacto do coronavírus chega à Vale e pode derrubar produção no ES

Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região decidiu pela suspensão das atividades da mineradora em Itabira, que abastece o complexo de Tubarão. Empresa fala em risco de desabastecimento de pelotas

Publicado em 09/06/2020 às 06h00
Atualizado em 09/06/2020 às 10h54
Carregamento de caminhões com minério na Mina de Conceição, em Itabira
Carregamento de caminhões com minério na Mina de Conceição, em Itabira. Crédito: Janaina Duarte/Vale

A paralisação do complexo da Vale em Itabira, Minas Gerais, por causa do aumento do número de casos de coronavírus, pode derrubar a produção e a exportação da mineradora no Espírito Santo. Isso porque o complexo de Itabira é o principal produtor de minério do Sistema Sudeste, que abastece o Estado.

Parte do minério que vem desse sistema de minas é exportado em Tubarão e outra parte é transformada em pelotas, que também são vendidas, num segundo momento, nos mercados internacional e também interno. No Estado, as pelotas de minério, por exemplo, atendem a ArcelorMittal Tubarão, empresa vizinha da Vale, que produz aço.

A própria mineradora admitiu a possibilidade de que haja impacto na pelotização, fato que deve derrubar a produção industrial no Espírito Santo e afetar ainda mais o Produto Interno Bruto (PIB) local. “A Vale informa que poderá haver desabastecimento temporário de pelotas para o mercado interno, enquanto permanecer a paralisação de Itabira, tendo em vista que o complexo fornece pellet feed para as pelotizadoras do complexo de Tubarão”, informou a Vale em comunicado na última sexta-feira (6).

O gerente do Fórum Mais Negócios da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Durval Vieira de Freitas, cita duas possibilidades para que a produção não seja atingida. “Espero que a situação seja resolvida rápida, talvez dentro de uma semana, mas se a empresa não conseguir se adequar, existe a possibilidade de remanejar minério de outros Sistemas para a produção de pelotas em Tubarão. Além disso, existe a possibilidade de que o minério estocado nos pátios consiga suprir a falta do produto neste período de paralisação”, comenta Vieira de Freitas.

No primeiro trimestre deste ano o Sistema Sudeste produziu 11,7 milhões de toneladas (Mt) de minério. Deste total, 6 milhões de toneladas foram retirados do complexo de Itabira, que é formado principalmente pelas minas de Conceição e Cauê.

A situação pode se agravar ainda mais caso o contágio pelo coronavírus aumente ainda mais no Brasil. Basta lembrar que no início do ano, quando a China era o epicentro da doença, os navios chineses deixaram de aportar no Brasil para fazer o transporte de diversos produtos. Havendo o aumento do número de casos e mortes pela Covid-19 no Brasil, outros países podem restringir a chegada de navios com produtos brasileiros.

O aumento do número de casos da Covid-19 no Brasil já tem feito o preço do minério aumentar na China. Somente em maio, o preço da commodity subiu 24%, com os negociadores temendo que a pandemia provoque interrupções na cadeia de fornecimento.

“A China ficou sem minério estocado durante o tempo em que ficou fechada. Isso, além do temor por desabastecimento, fez o preço subir. Para o Brasil é um ótimo momento para exportar, mas para o Espírito Santo isso não é tão bom, porque a alta procura pelo minério reduz a produção de pelotas, que gera mais riquezas para o Estado”, explicou Durval.

O Brasil é o segundo maior fornecedor de minério para a China – ficando atrás apenas da Austrália. No entanto, a Vale compete direto com a australiana Rio Tinto. Enquanto a empresa da Austrália espera produzir de 324 a 334 Mt neste ano, a empresa do Brasil projeta uma produção de 310 a 330 Mt de minério.

Mesmo com a paralisação do complexo de Itabira, a Vale mantém tal estimativa de produção. “O guidance de volume de produção de minério de ferro de 310-330 Mt em 2020 considera um impacto negativo de 15 Mt provenientes de eventuais impactos decorrentes do combate ao Covid-19. Considerando a produção mensal esperada de 2.7 Mt do Complexo de Itabira para os próximos meses e o provisionamento de até 15 Mt de perdas associadas à doença em 2020, não há, nesse momento, necessidade de revisão do guidance”, informou a empresa.

ENTENDA A PARALISAÇÃO DA VALE

A paralisação do complexo de Itabira, em Minas Gerais, aconteceu por uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 3ª Região. A determinação vai vigorar até julgamento do mérito da ação ou até que sejam implementadas as medidas de controle para proteção ao coronavírus determinadas pelos auditores fiscais do trabalho, sob pena de multa diária no valor de R$ 500 mil, fixada em decisão de ontem pelo mesmo tribunal.

Segundo o Tribunal, foram observadas as seguintes irregularidades no complexo: não realização de estudo epidemiológico; aglomeração de trabalhadores ocorrendo nas rodoviárias das minas quando da chegada/saída de trabalhadores e troca de turnos; proximidade entre os trabalhadores dentro das vans utilizadas para o transporte interno na mina; controle de acesso aos vestiários e banheiros realizado de forma ineficaz e; falta de controle de troca e higienização de máscaras caseiras.

Na quarta-feira (27), a Justiça havia determinado a interdição das atividades no complexo da mineradora na cidade, após denúncia de que 200 funcionários estariam com a Covid-19. No último dia 29 de maio, a Vale tinha ajuizado pedido de liminar após o termo de interdição do complexo.

"A Vale informa que a paralisação das atividades das referidas minas segue todos os critérios técnicos e protocolos de segurança, para proteger a saúde dos trabalhadores. A Vale informa, ainda, que tem consciência de sua responsabilidade socioeconômica e, desde o início da pandemia, tem buscado meios para contribuir com a sociedade brasileira na luta contra o vírus, protegendo seus empregados e as comunidades no entorno de suas operações", diz a empresa em comunicado, no qual cita ações como testagem em massa e medidas de segurança de seus empregados e colaboradores.

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