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Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 20:10
A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, após ataque dos Estados Unidos no último final de semana, surpreendeu cidadãos venezuelanos em todo lugar, inclusive alguns dos que vivem no Espírito Santo. Em entrevista para a TV Gazeta, imigrantes revelaram o sentimento após a prisão do então líder de seu país. >
Para a empreendedora venezuelana Laura Vanessa Cardenas, ver as imagens de Maduro preso representa um futuro mais promissor para a população. "Há muito tempo estávamos esperando e tínhamos a esperança de que alguém pudesse fazer algo por nós em nosso país, devido à situação que estamos vivendo atualmente: muitas famílias reprimidas, muita fome que estão passando e muita necessidade devido ao regime, à repressão, à ditadura, pode-se dizer, que estamos vivendo.">
Laura, inclusive, deixou seu país em busca de emprego e mais qualidade de vida, justamente pelas condições difíceis que enfrentava. “Eu não moro na Venezuela desde 2017 por causa da situação econômica que ainda é a mesma. Saí do país para ajudar meus familiares e minha filha”, conta a empreendedora, mãe de uma menina que, hoje, tem 11 anos. >
A empreendedora afirma que há milhões de venezuelanos exilados pelo mundo devido ao governo Maduro. A expectativa de Laura é que, com a prisão do presidente, o país volte a crescer e ela e tantos outros possam, finalmente, retornar à Venezuela. >
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A pesquisadora Adriana Esperanza, doutoranda em Linguística na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), também é uma cidadã venezuelana e conta que, a princípio, a sensação foi de alegria e que chegou a chorar de emoção com a captura de Maduro, mas que logo foi tomada por preocupação por ter dificuldade de falar com familiares na Venezuela. “A minha primeira reação foi de muita felicidade porque o ditador já não estava na Venezuela, estava preso”, lembra.>
O momento atual, para Adriana, é de expectativa pelas próximas movimentações no país. “Agora, as pessoas também estão aguardando para ver o que acontecerá, pois é uma situação muito complexa. Muitas pessoas dizem que foi ilegal atacar um presidente, mas essas pessoas não consideram que ele está no cargo ilegalmente, pois violou as eleições”, argumenta.>
A pesquisadora ressalta que já são muitos anos do país sob um regime ditatorial, fato que contribuiu para a grande massa de refugiados da Venezuela. “Há muitas pessoas que não são venezuelanas que estão se preocupando, agora, com quem vai pegar o petróleo da Venezuela, pelas ilegalidades, e também por quantas pessoas morreram nesse momento. Mas temos 26 anos de ditadura, 26 anos em que governos da Rússia, Cuba, Irã e China levam o petróleo e o ouro da Venezuela. Nenhum outro governo ajudou a gente.">
Adriana frisa que não concorda com extrações ilegais, mas ela pondera que a população vivia em situação de desespero que, ao longo de quase três décadas de ditadura, milhares de pessoas morreram devido aos atos do governo e também por falta de assistência na saúde. >
Ela deixou o país diante das inúmeras restrições que sofria e, entre outros benefícios de sua mudança da Venezuela para o Espírito Santo, Adriana valoriza a oportunidade de garantir boa educação ao filho, que acabou de ingressar na Ufes. >
“Para mim também foi muito bom ter um trabalho remunerado, e ser uma pessoa que vai trabalhar e sabe que vou poder pagar um aluguel, eu vou poder comprar coisas. Poder ver várias marcas de macarrão, e pensar ‘eu quero comer esta’. Isso é uma coisa que em um regime você não pode fazer porque eles tiram isso de você”, completa a venezuelana.>
O coordenador do Núcleo de Apoio aos Refugiados no Espírito Santo (Nuares/UVV), professor Rafael Simões, afirma que atualmente existem cerca de 1,5 mil venezuelanos no Estado.>
"Devido ao agravamento, de modo geral, da situação econômica na Venezuela a partir de meados dos anos 2010, esse número de migrantes venezuelanos foi crescendo. Hoje, nós podemos dizer, com certeza, que é a maior comunidade de migrantes que existe no Espírito Santo", pontua Rafael Simões. >
Para essa população, o Nuares pode servir como um ponto de apoio. “A gente apoia essas pessoas no sentido delas terem a sua documentação, para conseguirem algum local para moradia que seja minimamente adequado, arrumarem empregos formais ou iniciarem os seus negócios. A gente também apoia ações empreendedoras que essas pessoas desenvolvem no sentido de estabilizá-las no local. É o processo que, o ponto de vista de migrantes e refugiados, é o mais importante: a integração”, completa Rafael Simões. >
Na madrugada do último sábado (3), explosões atingiram a cidade de Caracas, capital da Venezuela, e o presidente Nicolás Maduro e sua esposa foram capturados em sua casa, após o ataque de grande escala feito pelos Estados Unidos. O casal foi levado para território norte-americano desde então está preso sob custódia do governo Donald Trump.>
Nicolás Maduro estava no poder desde 2013 e havia sido acusado pelos Estados de chefiar um cartel de tráfico internacional, mas Trump recuou neste posicionamento. A instabilidade política na Venezuela é motivo de preocupação para diversas potências mundiais, uma vez que o país possui o maior reservatório de petróleo de todo o mundo. >
Além disso, a última eleição presidencial no país também foi motivo de debate global devido à suspeita de fraude no sistema eleitoral, o que resultou em um Comitê de Direitos Humanos da ONU para investigar as alegações.>
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