> >
Petróleo e dólar: como ataque dos EUA à Venezuela pode afetar economia do ES

Petróleo e dólar: como ataque dos EUA à Venezuela pode afetar economia do ES

A maior preocupação está no setor de energia, em que o petróleo é um dos principais ativos, inclusive, com risco de variação no preço do combustível; comércio exterior também acompanha cenário

Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 17:59

A distância do Espírito Santo até a Venezuela, numa rota aérea partindo de Vitória, é de pouco mais de 4 mil quilômetros, mas, em um mundo cada vez mais globalizado, nenhum lugar é tão longe que uma crise não possa afetar a economia de outro país ou Estado. Por isso, para especialistas, não se deve ignorar a possibilidade de os impactos do ataque dos Estados Unidos ao vizinho do Brasil respingarem na economia capixaba, particularmente, no segmento de energia, em que o petróleo é um dos principais ativos, inclusive, com risco de variação no preço do combustível.

A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e a intervenção militar dos Estados Unidos aumentam as incertezas na geopolítica global, na avaliação de Pablo Lira, presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), com possíveis desdobramentos nos mercados. 

Homem colocando combustível no carro.
Alta no barril de petróleo pode afetar o valor do combustível para o consumidor Crédito: Freepik

Sob a ótica macroeconômica, Lira diz que o Espírito Santo pode sofrer com as repercussões dos preços internacionais de energia e também com as variações do câmbio (dólar). "Esses dois fatores causam mais apreensão na economia dos Estados brasileiros, mas ainda é cedo para falar. No momento, a ação não teve impacto imediato, com grandes variações de preços de petróleo, e as flutuações têm sido moderadas, mas a gente está acompanhando."

00:00 / 02:10
Petróleo e dólar: como ataque dos EUA à Venezuela pode afetar economia do ES

O economista Eduardo Araújo, mestre pela Universidade de Oxford e professor da Fucape, reforça que, para o Espírito Santo, o que realmente importa é como o evento reorienta expectativas sobre risco geopolítico e os preços internacionais de energia.

"É nesse ponto que o mercado começa a reagir. A leitura inicial sugere menos preocupação com o choque político imediato e mais atenção à possibilidade de aumento da produção venezuelana no médio prazo, caso uma mudança institucional reduza sanções e permita a entrada de capital e tecnologia", analisa. Com uma estimativa de 303 bilhões de barris, a Venezuela abriga as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, mas a produção é ínfima (menos de 1% do consumo mundial).

Ainda assim, observa Araújo, trata-se de um cenário condicional: a recuperação da produção não é rápida e enfrenta gargalos operacionais relevantes. 

"Além disso, a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) permanece como um agente ativo, capaz de reagir com cortes coordenados para sustentar preços. Ou seja, a pressão baixista existe, mas está longe de ser automática."

Eduardo Araújo explica como a flutuação do preço do petróleo tem um efeito assimétrico na economia, usando como referência uma cotação mais baixa.

"De um lado, preços mais baixos do petróleo tendem a beneficiar consumidores e empresas via combustíveis, logística e inflação mais comportada, apoiando a atividade econômica. De outro, essa queda também pressiona negativamente as receitas de royalties e participações governamentais, com impacto quase imediato sobre o caixa público, especialmente nos municípios mais dependentes dessa fonte."

A situação é inversa se o preço do petróleo subir muito, como pontua Pablo Lira, caso a tensão seja escalonada — o presidente norte-americano Donald Trump mantém a pressão sobre o governo da Venezuela e fez ameaças a outros países. Estados e municípios produtores ganham com royalties e participações especiais, enquanto consumidores pagam mais pelo produto.

Comércio exterior

Se a energia é uma preocupação para o Espírito Santo, o comércio exterior não deve ser afetado diretamente. Pablo Lira afirma que a Venezuela não representa nem 0,1% das exportações do Estado. Os principais mercados dos produtos capixabas são os Estados Unidos, China e Europa. 

De todo modo, considerando o grau de abertura econômica (importações + exportações divididas pelo PIB) de 55%, quase o dobro da média nacional (28%), a economia do Espírito Santo é muito conectada ao que acontece fora do país.  

"Então, é preciso acompanhar indicadores, antever cenários, trabalhar com projeções. A questão do petróleo, por exemplo, ainda não é um fato, mas é preciso estar atento, ser prudente. Utilizar dados e informações para agir de forma preventiva em caso de risco para a economia", defende Pablo Lira.

Este vídeo pode te interessar

  • Viu algum erro?
  • Fale com a redação

Tópicos Relacionados

Petróleo Combustíveis venezuela Dólar

A Gazeta integra o

The Trust Project
Saiba mais