Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 07:09
Donald Trump prometeu tirar proveito das reservas de petróleo da Venezuela após prender o presidente Nicolás Maduro e afirmar que os Estados Unidos vão "administrar" o país até uma transição "segura".>
O presidente dos EUA quer que empresas petrolíferas norte-americanas invistam bilhões de dólares no país sul-americano, que possui as maiores reservas de petróleo bruto do planeta, para mobilizar um recurso em grande parte inexplorado.>
Ele afirmou que empresas dos EUA recuperariam a infraestrutura petrolífera "gravemente deteriorada" da Venezuela e começariam "a gerar dinheiro para o país".>
Mas especialistas alertam para enormes desafios no plano de Trump, dizendo que ele custaria bilhões de dólares e poderia levar até uma década para resultar em um aumento significativo na produção de petróleo.>
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Então, os EUA realmente podem assumir o controle das reservas de petróleo da Venezuela? E o plano de Trump vai funcionar?>
Com uma estimativa de 303 bilhões de barris, a Venezuela abriga as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.>
Mas a quantidade de petróleo que o país efetivamente produz hoje é ínfima em comparação com a de outros países.>
A produção despencou desde o início dos anos 2000, quando o ex-presidente Hugo Chávez e, depois, o governo Maduro, apertaram o controle sobre a estatal petrolífera PDVSA, provocando a saída de funcionários mais experientes.>
Embora algumas empresas petrolíferas ocidentais, incluindo a norte-americana Chevron, ainda atuem no país, suas operações encolheram significativamente à medida que os EUA ampliaram sanções e passaram a mirar as exportações de petróleo da Venezuela com o objetivo de restringir o acesso de Maduro a uma fonte econômica vital.>
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As sanções — impostas inicialmente pelos EUA em 2015, durante o governo do presidente Barack Obama, por supostas violações de direitos humanos — também deixaram o país amplamente isolado dos investimentos e das peças de que necessita.>
"O verdadeiro desafio deles é a infraestrutura", afirma Callum Macpherson, chefe de commodities do banco Investec.>
Em novembro, a Venezuela produziu cerca de 860 mil barris por dia, segundo o relatório mais recente sobre o mercado de petróleo da Agência Internacional de Energia (AIE).>
Isso representa pouco mais de um terço do volume de dez anos atrás e equivale a menos de 1% do consumo mundial de petróleo.>
As reservas venezuelanas são compostas pelo chamado petróleo "pesado e ácido". Ele é mais difícil de refinar, mas é útil para a produção de diesel e asfalto. Já os EUA produzem, em geral, petróleo "leve e doce", usado para fabricar gasolina.>
Na véspera dos ataques e da captura de Maduro, os EUA também apreenderam dois petroleiros na costa da Venezuela, além de ordenar um bloqueio a embarcações sancionadas que entram e saem do país.>
Homayoun Falakshahi, analista sênior de commodities da plataforma de dados Kpler, afirma que os principais obstáculos para empresas petrolíferas interessadas em explorar as reservas venezuelanas são de natureza legal e política.>
Em entrevista à BBC, ele disse que quem quiser perfurar poços na Venezuela precisará de um acordo com o governo — algo que não será possível até que o sucessor de Maduro esteja definido.>
As empresas, acrescentou Falakshahi, teriam então de apostar bilhões de dólares em investimentos na estabilidade de um futuro governo venezuelano.>
"Mesmo que a situação política seja estável, é um processo que leva meses", disse. As companhias interessadas em se beneficiar do plano de Trump precisariam assinar contratos com o novo governo assim que ele estivesse empossado, antes de iniciar o processo de ampliação dos investimentos em infraestrutura na Venezuela.>
Analistas também alertam que seriam necessários dezenas de bilhões de dólares — e possivelmente até uma década — para restaurar os antigos níveis de produção do país.>
Neil Shearing, economista-chefe do grupo Capital Economics, afirmou que os planos de Trump teriam impacto limitado sobre a oferta global de petróleo e, portanto, sobre os preços.>
Ele disse à BBC que há "um número enorme de obstáculos a superar e o prazo do que pode acontecer é tão longo" que os preços do petróleo em 2026 provavelmente sofreriam pouca alteração.>
Segundo Shearing, as empresas não investirão enquanto não houver um governo estável na Venezuela, e os projetos não trariam resultados por "muitos e muitos anos".>
"O problema sempre foi décadas de subinvestimento, má gestão e o fato de a extração ser muito cara", afirmou.>
Ele acrescentou que, mesmo que o país conseguisse retornar a níveis anteriores de produção, de em torno de três milhões de barris por dia, ainda ficaria fora do grupo dos dez maiores produtores do mundo.>
Shearing também apontou para a elevada produção entre os países da Opep+, dizendo que o mundo atualmente "não sofre de escassez de petróleo".>
A Chevron é a única produtora de petróleo norte-americana ainda ativa na Venezuela, após receber, em 2022, durante o governo do ex-presidente Joe Biden, uma licença para operar apesar das sanções dos EUA.>
A empresa, atualmente responsável por cerca de um quinto da extração de petróleo venezuelana, afirmou que está focada na segurança de seus funcionários e que cumpre "todas as leis e regulamentações pertinentes".>
Outras grandes empresas petrolíferas permaneceram em silêncio até agora sobre os planos, com apenas a Chevron se manifestando.>
Falakshahi disse, no entanto, que executivos do setor devem estar discutindo internamente se vale a pena aproveitar a oportunidade.>
Ele acrescentou: "O apetite para ir a um determinado lugar está ligado a dois fatores principais: a situação política e os recursos existentes no território".>
Apesar da enorme incerteza política, Falakshahi afirmou que "o prêmio potencial pode ser considerado grande demais para ser ignorado".>
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