Publicado em 20 de janeiro de 2022 às 16:29
Os primeiros dias de 2022 têm sido de grandes filas e horas de espera para quem procura um teste de Covid-19 na Grande Vitória. Apesar da maior disponibilidade de testes anunciada frequentemente pela Secretaria de Estado da Saúde, não tem sido tão fácil realizar o exame que identifica a infecção pelo coronavírus. A situação na rede particular não é muito diferente da registrado na pública. Os cidadãos reclamam da falta de médicos, além da demora pelo atendimento. Há quem fique sete horas na fila apenas para fazer um teste.>
O cenário foi visto em pronto atendimentos de Vitória, mas também na rede particular da Capital. As filas também se formaram em terminais rodoviários da Região Metropolitana, onde o governo do Estado disponibiliza testagem sem agendamento. O aumento na procura pode ser explicado pelo crescimento na curva de casos da Covid-19, provocado pela variante Ômicron.>
Pacientes relataram à TV Gazeta que faltaram médicos durante a tarde de quarta-feira (19) no Pronto Atendimento da Praia do Suá, em Vitória, prejudicando o atendimento. A situação teria melhorado um pouco à noite, quando alguns profissionais da saúde chegaram.>
Em São Pedro, a situação não foi muito diferente. O cenário de filas, inclusive com idosos e pessoas que testaram positivo para a Covid-19, aguardando horas por atendimento médico.>
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Revoltado com a demora, que já durava seis horas, o estudante Joabe Cardoso disse à repórter Any Cometti, da TV Gazeta, que o Pronto Atendimento de São Pedro não oferecia médicos o suficiente para que toda a população local fosse avaliada.>
Joabe Cardoso
Estudante, em entrevista à TV GazetaQuem também esteve no Pronto Atendimento de São Pedro foi a secretária Silvia Araújo. Ela testou positivo para a Covid e aguardava atendimento médico.>
"Tenho um teste positivo de Covid e não me deram atendimento. Agora que fui atendida pela triagem. Só vou ser atendida no próximo horário, às 19h, foi o que me informaram", afirmou. >
A TV Gazeta recebeu vídeos de pessoas esperando por atendimento sentadas até em escadas de um hospital particular de Vitória. As imagens mostravam lotação acima do normal. >
O advogado Igor Santos, que levou a esposa a outro hospital da rede privada, reclamou da demora e da fila para ser atendido. Ele afirmou ter ouvido que o atendimento seria apenas para quem "estivesse quase morrendo".>
O padre Kelder Brandão ficou na fila por sete horas para fazer um teste para Covid. Esse tempo todo de espera o deixou com fome e desidratado, segundo relatou.>
Kelder Brandão
PadreSegundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), não há escassez de testes de Covid-19 no Espírito Santo. A recomendação da pasta é que as pessoas procurem e façam o teste em caso de suspeita, seja por algum sintoma ou contato com uma pessoa infectada.>
A Secretaria de Saúde de Vitória (Semus) informou à TV Gazeta que a escala médica está completa no PA São Pedro e que os atendimentos estão sendo realizados normalmente, com prioridade para os casos mais graves. Na parte da tarde, dois médicos da equipe apresentaram atestado médico e não compareceram ao local de trabalho.>
"Para otimizar os atendimentos, os pacientes de baixa gravidade, foram orientados a buscar atendimento na Unidade de Saúde da Praia do Suá, que está atuando como retaguarda do PA São Pedro." >
Disse ainda que Vitória ampliou o funcionamento de seis unidades de saúde. Houve o reforço de 166 profissionais de saúde para isso, segundo nota enviada pela administração municipal.>
"As US Praia do Suá, Conquista/Nova Palestina, Maria Ortiz, Jardim Camburi, Maruípe e Santo Antônio estão funcionando todos os dias da semana, inclusive sábado, domingo e feriado, das 7h às 19h, para atender demandas de baixa gravidade", completou.>
A orientação da Secretaria Municipal de Saúde é que os pacientes com queixas de baixa gravidade devem buscar atendimento nas Unidades de Saúde. Somente os casos graves devem buscar atendimento nos PA´s.>
Segundo a Semus, da zero hora às 18 horas de quarta-feira (19) foram realizados 37 atendimentos no Pronto Atendimento da Praia do Suá e 362 no PA São Pedro.>
De acordo com Karoline Calfa, conselheira do Conselho Regional de Medicina, as resoluções n° 2077/2014 e 2079/2014 do Conselho Federal determinam que médicos atendam até três pacientes por hora de plantão em pronto atendimentos e serviços de urgência e emergência para que o paciente seja bem atendido. No entanto, em função da sobrecarga de trabalho, os atendimentos têm ido além dessa cota.>
Karoline ressalta que, além das infecções dos médicos por Covid-19 e gripe, que podem ocorrer inclusive fora do ambiente de trabalho, soma-se a isso a alta procura por atendimentos, já que muitas pessoas com sintomas gripais buscam as unidades de saúde e hospitais para fazer testes e pegar os atestados para afastamento do trabalho.>
Geiza Pinheiro, presidente do Sindicato dos Servidores da Saúde no Espírito Santo (Sindisaúde) também pontua que os profissionais que continuam atuando na linha de frente estão trabalhando muito e cansados. >
"Além da demanda que já estava alta, estamos tendo muitos profissionais afastados em hospitais e unidades de saúde, por causa da gripe e da Covid-19. Há lugares que em cada dez casos, nove estão dando positivos. A sobrecarga aumenta porque o quadro de profissionais está ficando reduzido e é preocupante", afirma a presidente do sindicato.>
A Unimed Vitória informou que tem observado um aumento contínuo na procura de pessoas com sintomas gripais e que, por isso, colocou equipes extras e aumentou a área de atendimento para os pacientes. De acordo com a rede, todas as medidas estão sendo tomadas para que os impactos dessa procura sejam reduzidos. >
"Recomenda-se que as pessoas procurem o Pronto Atendimento para avaliação médica apenas em casos de febre alta persistente sem alívio por antitérmicos, falta de ar, fraqueza intensa ou sonolência excessiva", diz a nota enviada à TV Gazeta.>
O Vitória Apart Hospital informou que, desde dezembro, a demanda para atendimento a casos de síndrome gripal está acima do normal em todas as unidades públicas e particulares da região metropolitana de Vitória, do Espírito Santo e do país, não sendo algo exclusivo ou isolado. >
Nas últimas semanas, a procura pelas unidades da rede mais que dobrou e, para atender a demanda crescente, o Vitória Apart Hospital ampliou sua capacidade de atendimento com a contratação de médicos, com intuito de dar maior celeridade à avaliação dos casos, além de manter atendimento 24 horas nas unidades de Vitória, Vila Velha e Cariacica, e no Pronto-Socorro do hospital, na Serra. >
Ressaltou ainda que o Vitória Apart oferece como diferencial o serviço de atendimento via telemedicina e a orientação é que pacientes com sintomas leves recorram ao PS Virtual, deixando serviços de urgência e emergência para casos que demandem alerta como cansaço representativo, falta de ar ou febre persistente.>
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