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Publicado em 18 de março de 2021 às 11:24
- Atualizado há 5 anos
O aumento de internações de pacientes infectados pelo novo coronavírus tem causado o colapso do sistema de saúde em diversos estados brasileiros. Na rede pública do Espírito Santo, a taxa de ocupação de leitos de UTI especializados no tratamento da Covid-19 é de 90,26%. Já na enfermaria, o índice é de 83,24%. Os dados foram coletados nesta quinta-feira (18).>
Assim como acontece na rede pública, via Sistema Único de Saúde (SUS), a rede de hospitais particulares do Espírito Santo também já enfrenta dificuldades quanto à oferta de leitos aos conveniados. De acordo com Manoel Gonçalves Carneiro, superintendente do Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Espírito Santo (Sindhes), a ocupação de leitos na rede privada é de 90%.>
Manoel Gonçalves Carneiro
Superintendente do SindhesSegundo o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, planos de saúde de outros Estados solicitaram ajuda ao SUS no Espírito Santo para acolher e internar pacientes. O fato foi revelado durante entrevista à rádio CBN Vitória na última quinta-feira (11). >
"Planos de saúde de outros Estados me procuraram solicitando apoio para atender pacientes deles no SUS no Espírito Santo. Já temos diversos Estados cotidianamente solicitando apoio e ajuda e, infelizmente, nós estamos, neste momento, sem condições de poder abrir vagas para atender pessoas de fora”, disse, na ocasião.>
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Os médicos explicam que a disponibilidade de leitos tanto na rede pública quanto na privada estão relacionadas porque no Brasil há o conceito de Sistema Único de Saúde (SUS). Assim como os governos contratam leitos na rede particular, os planos de assistência médica reembolsam o SUS quando necessitam de uma vaga em algum hospital público.>
Na avaliação do cardiologista intensivista Henrique Bonaldi, "a falta de leitos nos indivíduos da rede privada tem o mesmo nível de repercussão na falta de leitos na rede pública". Ele é um dos profissionais que atuam na linha de frente do combate à doença.>
Henrique Bonaldi
Médico cardiologista intensivista
Leonardo Goltara, medico intensivista e emergencista, atende pacientes infectados com o novo coronavírus. Segundo ele, mesmo em situações normais, fora da realidade de uma pandemia, a rede privada já opera com "certa lotação". Por isso, neste momento, ele defende ainda mais a manutenção do distanciamento social, uso de máscara e higiene regular das mãos com álcool 70%.>
Leonardo Goltara
Médico intensivista e emergencistaEm uma publicação feita em sua rede social nesta quarta-feira (17), o médico ginecologista e obstetra Fernando Guedes Cunha disse que foi visitar uma gestante que estava internada no Hospital Unimed Vitória, na Capital, na manhã desta quarta. A mulher aguardava transferência para a UTI de uma maternidade. Segundo ele, ela apresenta suspeita de reinfecção pela Covid-19.>
Fernando Guedes Cunha
Ginecologista e obstetraREDE MERIDIONAL>
Questionada sobre as ações desenvolvidas para garantir leitos aos conveniados, a Rede Meridional informa que "nunca praticou remanejamento de pacientes com ou sem diagnóstico de Covid-19 para unidades do sistema público." >
Sobre o acesso aos leitos para pacientes que testaram positivo para a doença, a Rede disponibilizou um acréscimo de 20 novos leitos de UTI (10 no Meridional Serra e 10 no Meridional Cariacica). >
"Estamos atuando no sentido de remanejar leitos de unidades abertas (apartamentos e enfermarias) a fim de continuarmos viabilizando a prestação de toda a assistência necessária aos pacientes, conforme demanda e respectivas necessidades", destaca.>
MEDSÊNIOR>
A MedSênior também não solicitou o remanejamento de pacientes para a rede pública e garantiu que não tem recebido pessoas de outros estados. "Diante do crescimento de casos de Covid-19 no Estado e consequente aumento da demanda, o hospital realizou adaptações em sua estrutura. A UTI Geral e alguns leitos de Enfermaria foram transferidos para o segundo andar da unidade, com o objetivo de apoiar o atendimento de pacientes infectados pelo novo coronavírus", comunica.>
UNIMED VITÓRIA>
Também por nota, a Unimed Vitória informou respondeu que tem feito esforços para responder a alta demanda que enfrenta em um ponto crítico da pandemia. Desde o início da disseminação da Covid-19, a cooperativa garante que tem preparado suas unidades próprias, rede prestadora e seus profissionais para atenderem de forma eficiente e segura a todos os seus usuários. >
"Contudo, é imprescindível que a sociedade respeite a quarentena e o novo protocolo sanitário implantado pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), para que toda a rede de saúde do Estado possa voltar a níveis normais de atendimento à população. A cooperativa salienta que continua enviando regularmente à Sesa, órgão responsável por repassar as informações oficiais sobre a pandemia, todos os dados relacionados aos leitos do seu hospital", finaliza.>
UNIMED SUL CAPIXABA>
A Unimed Sul Capixaba informa que trabalha com um planejamento que permite a adequação de sua estrutura hospitalar de acordo com a evolução local da pandemia. O atendimento de casos suspeitos de Covid-19 ocorre no Ambulatório de Síndrome Gripal, na unidade hospitalar do Centro de Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, que dispõe de unidades de internação de enfermaria. >
Casos graves da doença são encaminhados para uma ala exclusiva no Hospital Unimed, na Rodovia Cachoeiro x Safra, também em Cachoeiro, que dispõe de leitos de UTI e de contingência, que podem ser acionados em caso de necessidade. As unidades da Unimed Sul Capixaba também estão aptas a atenderem clientes de outras Unimeds. >
A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que, no Espírito Santo, apenas 30,9% da população têm plano de assistência médica ou odontológica. Desse modo, a maioria dos moradores do Estado depende do SUS para quaisquer procedimentos. >
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