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Chacina na ilha: entenda a cronologia das mortes de quatro jovens em Vitória

Segundo a polícia, os amigos Wesley, Yuri, Pablo e Victor estavam na ilha Dr. Américo de Oliveira em busca de diversão na tarde de segunda (28) quando foram vítimas de uma emboscada

Publicado em 29/09/2020 às 21h00
Atualizado em 29/09/2020 às 21h00
Vitor da Silva Alves 19 anos (de boné), Wesley Rodrigues de Souza, de 29 anos (roupa laranja); Yuri Carlos Souza Silva, 23 anos (roupa vermelho) e Pablo Ricardo Lima, 21 anos
Vitor da Silva Alves 19 anos (de boné), Wesley Rodrigues de Souza, de 29 anos (roupa laranja); Yuri Carlos Souza Silva, 23 anos (roupa vermelho) e Pablo Ricardo Lima, 21 anos. Crédito: Reprodução/Facebook

Uma trama macabra que resultou na morte de quatro amigos, tentativas de assassinato, agressão e sequestro. A chacina na Ilha Dr. Américo de Oliveira, em Vitória, nesta segunda-feira (28), chocou moradores, familiares e amigos das vítimas e desafia as forças de segurança do Espírito Santo.

Wesley, Yuri, Pablo e Victor estavam na ilha, acompanhados de mais quatro amigos – que conseguiram escapar com vida. Ao todo, eles estavam em oito pessoas  – além dos quatro que morreram, um ficou ferido e foi levado ao hospital e os outros três conseguiram escapar.

Marcelo Cavalcanti

Delegado titular da DHPP de Vitória

"Um fato lamentável. Eram jovens, com um futuro brilhante pela frente, que foram vítimas da violência. As vítimas, a princípio, não teriam envolvimento em nenhuma circunstância com o tráfico de drogas. Estariam no local se divertindo, tomando banho e foram vítimas de uma emboscada"

O titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcelo Cavalcanti,  responsável pelas investigações do caso, informou que um dos sobreviventes prestou depoimento à polícia. O delegado informou, na tarde desta terça-feira (28), que a polícia já identificou os suspeitos do crime. Ele pede que quem souber detalhes sobre o crime acione a polícia pelo Disque-denúncia 181.

CONHEÇA A LOCALIZAÇÃO DA ILHA

LAZER COM AMIGOS

De acordo com a Polícia Civil, os amigos Wesley Rodrigues de Souza, 29 anos, Yuri Carlos de Souza, 23 anos, Pablo Ricardo Lima, 21 anos, e Victor da Silva Alves, 19 anos, tinham o hábito de frequentar a Ilha Dr. Américo de Oliveira, em Santo Antônio, em Vitória, para se divertirem. Todos moravam na região.

Além deles, outras quatro pessoas também estavam no local. Duas delas ficaram mais afastadas de Wesley, Yuri, Pablo, Victor e dos outros dois jovens. Na tarde desta segunda-feira (28), eles foram abordados por um grupo formado por pelo menos cinco homens armados com quatro pistolas calibre .40 e uma submetralhadora de fabricação caseira calibre 380. Os suspeitos chegaram ao local de barco.

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    Wesley Rodrigues de Souza, 29 anos

    Wesley era marítimo. O jovem trabalhava em um rebocador de navios e tinha um barco que costumava fazer o trajeto entre a orla de Santo Antônio e a Ilha Dr. Américo. Nesta segunda (28), de acordo com vizinhos, amigos teriam ido à casa dele pedindo para que ele os levasse até a ilha para um passeio. 

  2. A Gazeta - ynpbqg2b
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    Yuri Carlos de Souza, 23 anos

    Yuri trabalhava como auxiliar de produção em uma empresa terceirizada, mas perdeu o emprego durante a pandemia de Covid-19. Em conversa com a reportagem da TV Gazeta, a mãe disse que o filho sempre foi trabalhador e não tinha envolvimento com crimes. Uma tia do rapaz contou ainda que ele costumava ir à ilha onde o crime aconteceu, muitas vezes acompanhado de amigos de infância.

  3. A Gazeta - 1ht0m5k
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    Pablo Ricardo Lima, 21 anos

    Pablo chegou a ser socorrido de barco pelo próprio tio, que ouviu o barulho dos disparos na ilha e foi ao local. O rapaz deu entrada no Pronto Atendimento de São Pedro, mas já chegou morto na unidade.

  4. A Gazeta - ubb59yg6l8f
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    Victor da Silva Alves, 19 anos

    Victor foi a última vítima a ser identificada. A mãe do jovem disse que o rapaz havia se mudado de Campo Grande, em Cariacica, para Santo Antônio, em Vitória, há cerca de dois meses. Ele estava morando com um amigo. Desempregado, a última atuação de Victor foi trabalhar como ajudante de pedreiro.

VÍDEO FEITO ANTES DA EXECUÇÃO

Informações preliminares da Polícia Civil dão conta de que os acusados da Chacina da Ilha são envolvidos com o tráfico de drogas em uma região conhecida como Morro do Quiabo, em Cariacica, e teriam ido ao local para executar rivais de uma facção criminosa que atua em Vitória.

Após desembarcarem no local, os criminosos registraram a identidade do grupo com fotos e vídeos. O titular da DHPP Vitória, delegado Marcelo Cavalcanti, informou que o material foi enviado para um contato que não estava na ilha para que essa pessoa confirmasse se os suspeitos eram mesmo os alvos procurados.

Mesmo com a negativa de que os jovens eram criminosos, o grupo armado decidiu executar os alvos. Yuri, Wesley e Victor foram mortos na ilha. Pablo foi socorrido de barco por um tio que ouviu o barulho dos disparos e foi ao local. Ele chegou a dar entrada no Pronto Atendimento de São Pedro, mas morreu na unidade.

Um jovem que também estava com o grupo foi atingido por dois tiros nas costas e também deu entrada no Pronto Atendimento de São Pedro, após ser socorrido por outro colega que também escapou. A vítima baleada foi transferida, posteriormente, para o Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), também na Capital.

O sobrevivente, que seria menor de idade, afirma que estava pescando no local e não viu quem efetuou os disparos. Ele teria fugido nadando. Os outros dois homens que estavam na ilha, mas distantes do grupo baleado, conseguiram fugir e não foram atingidos por nenhum disparo.

VÍDEO DA FUGA

A Polícia Civil identificou cinco suspeitos com a ajuda de um vídeo em que aparecem pelo menos quatro deles em fuga após executarem o grupo de amigos. O vídeo – com duração de 23 segundos – mostra um grupo em um barco, próximo à margem da ilha. 

Na gravação é possível contabilizar ao menos quatro homens. Um deles tenta acionar o motor da embarcação. No material também é possível observar uma pessoa nadando a poucos metros dos supostos executores. Não há confirmação se seria uma das vítimas baleadas. O material foi periciado pela polícia, segundo o titular da DHPP de Vitória, Marcelo Cavalcanti.

"A polícia tem certeza de que são pelo menos cinco envolvidos e que o vídeo é real, com provas técnicas para afirmar isso. Os suspeitos já foram identificados. No trabalho de investigação, nós iremos chegar à autoria desse crime. A princípio, nós estamos trabalhando com a guerra do tráfico.", afirmou o delegado.

SEQUESTRO

Um dos dois homens que estavam mais distantes foi agredido e sequestrado quando conseguiu chegar à margem porque amigos dos jovens mortos desconfiaram que havia sido ele quem teria contado para os executores onde as vítimas estavam. 

O jovem foi colocado no porta-malas de um carro e foi salvo depois que uma equipe da Força Nacional visualizou uma mão ferida do lado de fora do veículo. Quatro suspeitos de sequestrar a vítima foram detidos e levados para a delegacia. Um deles é um adolescente. 

Eles foram autuados por sequestro, associação criminosa, lesão corporal e corrupção de menores. Todos eles prestaram depoimento à Polícia Civil. Segundo informações do delegado Marcelo Cavalcanti, a intenção dos autores do sequestro era promover um ataque em uma área de atuação dos rivais de Cariacica.

“Eles falam que iriam ao Morro do Quiabo para tentar dar um revide na situação que ocorreu com os amigos em Santo Antônio. Para isso, eles estariam com uma pessoa na mala, que supostamente teria passado essa informação, que também iria ser executado. Esse fato precisa ser melhor investigado”, declara.

LINHA DE INVESTIGAÇÃO

O responsável pela investigação, delegado Marcelo Cavalcanti, informou nesta terça-feira que uma das linhas de investigação apura se os executores foram ao local eliminar rivais de uma facção criminosa que opera em Vitória. Questionado se a intenção era atingir membros do Primeiro Comando de Vitória (PCV), o titular da DHPP de Vitória preferiu não comentar.

Marcelo Cavalcanti

Titular da DHPP de Vitória

"Foram feitos vídeos das vítimas e essas imagens foram divulgadas nas redes sociais. Isso prova que os autores possivelmente não sabiam quem eles estavam assassinando naquele momento, porque eles passaram a perguntar e divulgar nas redes sociais"
Delegado Marcelo Cavalcanti. Crédito: Isaac Ribeiro
Delegado Marcelo Cavalcanti. Crédito: Isaac Ribeiro

LIGAÇÃO COM O TRÁFICO

As vítimas não tinham envolvimento com o tráfico de drogas, segundo informou o delegado Marcelo Cavalcanti. Segundo o titular da DHPP, os jovens até tinham passagem pela polícia, mas por crimes que não indicam uma ligação com o tráfico.

TESTEMUNHAS

 No final da manhã desta terça-feira, dois homens chegaram algemados à DHPP de Vitória – um em carro descaracterizado da polícia e outro em uma viatura da Força Nacional. Na ocasião, um policial que conduzia um dos rapazes informou que eles haviam sido detidos em Porto Novo, Cariacica, e que seriam suspeitos de envolvimento na chacina. Horas depois, os dois foram liberados. O delegado Marcelo Cavalcanti informou à reportagem de A Gazeta que os dois foram ouvidos na condição de testemunhas e que, por isso, haviam deixado a delegacia.

Suspeitos de participar de chacina em Vitória chegaram em carro da Força Nacional ao DHPP
Suspeitos de participar de chacina em Vitória chegaram em carro da Força Nacional ao DHPP. Crédito: Isaac Ribeiro

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