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Capixaba intoxicado com dietilenoglicol em cerveja lamenta morte de casal no ES

Luis Felippe Teles Ribeiro, que consumiu bebida de lote contaminado da Cervejaria Backer em 2019, disse estar triste com a morte de Rosilene Dorneles e Willis de Oliveira, intoxicados pela substância após ingerirem falso óleo de semente de abóbora

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 08/07/2021 às 16h01
Luiz Felippe ficou em coma por três meses devido à contaminação causada pelo dietilenoglicol na cerveja que havia bebido no fim de 2019
Luiz Felippe ficou em coma por três meses devido à contaminação causada pelo dietilenoglicol na cerveja que havia bebido no fim de 2019. Crédito: Reprodução/TV Gazeta

Quase dois anos após ser intoxicado por dietilenoglicol presente na cerveja Belorizontina, da Cervejaria Backer, o engenheiro capixaba Luiz Felippe Teles Ribeiro, de 39 anos, ainda sofre com as sequelas desencadeadas pela intoxicação grave que sofreu após ingerir a bebida. Além de explicar o que passou desde o ocorrido, o engenheiro também comentou sobre a morte de um casal na Serra após consumir um produto contendo a mesma substância: "É revoltante".

Foram cinco meses internado, sendo três deles em coma. Além dele, o sogro também tomou a bebida contaminada e acabou morrendo. Em fevereiro deste ano, o engenheiro já havia relatado a situação grave que atravessa diariamente em relação à saúde

Entre os muitos problemas sofridos, Luiz Felippe passou a apresentar problemas de audição, teve paralisias múltiplas nas extremidades do corpo e na face, perdeu a capacidade motora para andar, sendo necessário o auxílio de aparelhos para se locomover e também escutar. Em resumo, até hoje o engenheiro lida com um copilado de sequelas graves, causadas pelo fato de ter bebido uma cerveja contaminada com uma substância altamente nociva.

O dietilenoglicol é o mesmo composto encontrado recentemente em um produto vendido como óleo de semente de abóbora, que vitimou um casal da Serra no início deste ano. Rosineide Dorneles e o marido Willis de Oliveira tiveram complicações severas após fazerem o uso diário da substância tóxica e morreram nos meses de fevereiro e março, respectivamente.

Serra
O casal Rosineide e Willis morreu em decorrência da ingestão da substância dietilenoglicol contida em um falso óleo de semente de abóbora que haviam comprado pela internet . Crédito: Montagem/A Gazeta e Divulgação/Polícia Civil

Saber que outras pessoas alheias ao Caso Backer morreram por conta do dietilenoglicol no ES entristece o engenheiro. "É um sentimento realmente triste, um pouco revoltante e de indignação", desabafou. "Alguns dizem ser milagre (o fato de estar vivo)... realmente é uma bênção poder estar aqui", complementou ele que reside em Minas Gerais com a esposa.

DETERMINAÇÃO

Com muitas dificuldades, Luiz Felippe conseguiu conversar com a reportagem da TV Gazeta e explicou a luta diária para tentar voltar à normalidade. Ciente de tudo que passou e ainda atravessa, ele comemorou poder falar do momento atual.

"É muita alegria e muita felicidade em poder estar aqui falando com vocês, porém virou a minha vida de cabeça para baixo. Tenho muitas limitações ainda... tive paralisias periféricas, ainda não tenho força nas mãos nem para abrir uma garrafa com água direito, pois falta 'pega' e meus dedos não dobram direito. Além disso, tive perda total da audição e só consigo escutar porque uso aparelhos (auditivos)", detalhou.

Devido às limitações, ele segue afastado do trabalho e dedica boa parte do tempo à recuperação própria, que incluiu muita fisioterapia, sessões de fonoaudiologia e também terapia ocupacional.

CONTAMINAÇÕES E MORTES

Além de Luiz Felippe, pelo menos outras 31 pessoas no país foram contaminadas pela cerveja com dietilenoglicol, sendo que 10 morreram, incluindo o sobro do engenheiro. A Belorizontina não foi a única a conter o composto. A contaminação também ocorreu em lotes da marca Capixaba, pertencente à mesma cervejaria, e que foi criada para atender ao público do Espírito Santo.

Luiz Felippe Teles Ribeiro, 38 anos, engenheiro capixaba contaminado pela cerveja da Backer, a Belohorizontina, em dezembro de 2019
Luiz Felippe perdeu o sogro devido à contaminação na cerveja e até hoje precisa fazer múltiplos tratamentos para ter mais qualidade de vida . Crédito: Arquivo pessoal

A defesa do engenheiro do ES contou que 11 pessoas foram indiciadas pelas mortes e contaminações, incluindo os sócios da Backer. Até o momento, nenhum dos envolvidos foi preso e não há indenização às vítimas ou às famílias. A empresa, porém, custeia o tratamento dos que sobreviveram.

Com informações de Gabriela Martins, da TV Gazeta

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