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Dietilenoglicol: saiba o que é a substância que contaminou cerveja em Minas Gerais

Até o momento, 17 pessoas foram internadas em Minas Gerais com suspeita de intoxicação por dietilenoglicol, substância encontrada pela Polícia Civil em amostras da cerveja Belorizontina, da cervejaria Backer

Publicado em 14/01/2020 às 12h24
Atualizado em 20/01/2020 às 12h27
Peritos da Polícia Civil analisam amostra da cerveja Belorizontina, da Backer. Crédito: Reprodução | Polícia Civil
Peritos da Polícia Civil analisam amostra da cerveja Belorizontina, da Backer. Crédito: Reprodução | Polícia Civil

Desde que a Polícia Civil de Minas Gerais encontrou uma substância tóxica em amostras da cerveja Belorizontina, da cervejaria Backer, a palavra dietilenoglicol, antes desconhecida, passou a ser motivo de pesquisa, e também de preocupação. Mas que substância é essa que levou três pessoas à morte e outras 17 ao hospital, entre elas um capixaba?

O dietilenoglicol é um composto produzido dentro da indústria química como anticongelante. A substância é geralmente utilizada em motores de carro, para evitar o congelamento ou a fervura da água do radiador, mas também pode ser usada durante o processo de resfriamento na fabricação de cervejas. 

Luiz Carlos Cavalcanti

Presidente do Conselho Regional de Farmácia do Espírito Santo

"Na produção de cerveja, essa substância fica fora do processo de produção, em um recipiente, e só é usada no resfriamento da bebida, para evitar que a água usada na fabricação congele. É um tipo de composto que não deve entrar em contato com a cerveja"

Apesar de não ser proibido, o uso de dietilenoglicol no resfriamento de bebidas não é recomendado justamente porque a substância é altamente tóxica. Com isso, uma falha no processo pode ocasionar contaminação grave, como destaca o engenheiro químico e professor da Universidade de Vila Velha (UVV) Tiago Rohr. 

Tiago Rohr

Engenheiro Químico e professor da UVV

"O dietilenoglicol é essencialmente tóxico, tem até mesmo a proibição de uso em alguns países. Não é um ingrediente que pode fazer parte da composição de bebidas ou alimentos em nenhuma concentração. Isso é uma falha grave no processo. Os efeitos que essa substância pode ter no organismo são extremamente graves, podendo levar à morte"

EFEITOS NO CORPO

Cerveja Belorizontina da cervejaria Backer. Crédito: Reprodução/Backer
Cerveja Belorizontina da cervejaria Backer. Crédito: Reprodução/Backer

No momento que o dietilenoglicol entra em contato com o corpo, o organismo começa a absorvê-lo. A partir daí, uma série de problemas podem ser desencadeados, principalmente relacionado aos rins, já que na metabolização da substância são gerados cristais que comprometem o trabalho renal.

"No início, a pessoa pode apresentar náuseas, vômitos e dores abdominais. Após o terceiro dia, começam a aparecer os problemas relacionados aos rins, como a diminuição significativa da quantidade de urina produzida, o que pode levar à insuficiência renal. Dependendo do organismo, esse quadro pode acabar evoluindo, apresentando distúrbios neurológicos, paralisia facial, perda de movimentos e até perda da visão", explica Cavalcanti.

Caso tenha algum destes sintomas, a pessoa deve procurar o médico. Se houve a ingestão da bebida, é importante que o paciente relate a quantidade e quando aconteceu. Isso vai ajudar os médicos no diagnóstico. 

Técnicos do Ministério da Agricultura fecharam a fábrica da Backer nesta sexta-feira (10) . Crédito: Lucas Ragazzi | TV Globo
Técnicos do Ministério da Agricultura fecharam a fábrica da Backer nesta sexta-feira (10) . Crédito: Lucas Ragazzi | TV Globo

O QUE DIZ A BACKER 

A Backer afirma que está prestando suporte às famílias e colaborando com as investigações da Polícia Civil. A cervejaria alega que não utiliza a substância dietilenoglicol em nenhuma etapa do processo de fabricação da cerveja, apenas o agente monoetilenoglicol.

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