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Rigor da Austrália com Djokovic deve ser exemplo para todos os países

Se há uma regra sanitária nacional em vigor, tão fundamental nesses tempos em que a circulação descontrolada de pessoas pode colocar tantas outras em risco, não é permitido abrir exceções

Publicado em 20/01/2022 às 02h00
Tênis
O tenista Novak Djokovik. Crédito: Loren Elliot/Reuters

Não se espante, caro leitor, com o fato de este editorial começar citando o BBB 22. Circula na internet um vídeo antigo de uma das participantes da edição deste ano no qual ela interroga o então deputado Jair Bolsonaro em um programa de TV sobre refugiados africanos no país. E o que chama atenção na resposta é uma reclamação dele sobre a falta de controle de imigração. "Não existe qualquer controle, nem sequer sanitário. Você, para viajar para qualquer país aí fora,  toma uma série de vacinas", justificou.

É irônico, obviamente, que o presidente antivacina e defensor das supostas liberdades individuais já tenha reivindicado, por ser conveniente na ocasião, um maior controle sanitário no país. E, no caso desses imigrantes, a questão de não serem vacinados nem é uma escolha, mas falta de acesso na maioria dos casos, o que é uma outra história. 

De volta para 2021, o que está em jogo é a decisão da justiça australiana de manter a deportação de Novak Djokovic, o maior tenista da atualidade, pela recusa em cumprir a exigência de comprovar a imunização contra a Covid-19 para ingressar no país. O tenista sérvio tentava reverter o cancelamento de seu visto proferido pelo Ministério da Imigração, após ele ter conseguido entrar no país com uma primeira decisão judicial favorável. Com a proibição, o esportista está impedido de participar do Aberto da Austrália, um dos torneios do Grand Slam. Um revés para a sua carreira em vários aspectos.

O rigor do governo australiano deve ser aplaudido. Se há uma regra sanitária nacional em vigor, tão fundamental nesses tempos em que a circulação descontrolada de pessoas pode colocar tantas outras em risco, não é permitido abrir exceções. O exemplo deve vir de cima: Djokovic pode ser um dos tenistas com mais títulos no mundo, mas isso não impede que encontre as portas fechadas por uma decisão que é só dele. Ele é livre para não se vacinar, mas deve estar preparado para as consequências de suas escolhas. Principalmente porque não se vacinar não é um ato isolado, sem implicações para a coletividade. Simples assim. 

Situação bem distinta da testemunhada pelo mundo quando, em setembro passado, Bolsonaro, mesmo reafirmando não ter se vacinado, teve a entrada facilitada nos EUA por ser presidente e portar passaporte diplomático. Foi o único chefe de Estado presente do G-20 na Assembleia-Geral da ONU que afirmou não ter tomado nenhum imunizante. Um péssimo exemplo.

Bolsonaro e Djokovic são expoentes de um movimento não necessariamente coeso de recusa a vacinas que politiza a pandemia. Para os que encaram a liberdade como um valor absoluto, as leis não deveriam nem existir, seguindo a lógica. As liberdades individuais são fundamentais, mas ao mesmo tempo são calibradas no Estado democrático de Direito para garantir, ou pelo menos se aproximar, de uma liberdade maior, coletiva, através de consensos sobre a vida em sociedade. Em casos de inquestionável interesse público, como é o das vacinas, é o pacto social que fala mais alto. 

O sucesso das vacinas está sendo testemunhado diariamente, com a avalanche de casos provocados pela variante Ômicron sem levar a internações e mortes na mesma proporção. Desde o início, foi amplamente divulgado que esse era o principal objetivo da imunização. A esta altura, quem questiona a eficiência das vacinas pelo fato de vacinados continuarem se infectando está insistindo em uma falácia. As vacinas estão salvando vidas.

Já os não vacinados estão assumindo o risco. O exemplo mais recente é o da cantora tcheca que, para não ter que vacinar, preferiu se infectar voluntariamente para poder voltar a frequentar estabelecimentos no país e viajar. Hana Horka, de 57 anos, morreu no último domingo (16).

A Austrália deve ser um exemplo. Estados e municípios brasileiros devem se espelhar nesse rigor, haja vista que não há o mesmo comprometimento do governo federal. A França já afirmou que Djokovic, se mantiver a postura antivacina, também não participará do torneio de Roland Garros, em maio, que terá protocolos que vão depender do status da pandemia na data. O tenista é livre para decidir se vai querer ou não ficar de fora novamente. 

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