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Armas apreendidas ainda são a ponta do iceberg da criminalidade

Trabalho da polícia na retirada de armas das mãos de criminosos é de suma importância para redução da violência, mas o país precisa combater o mercado ilegal de forma mais efetiva

Publicado em 26/11/2021 às 02h00

Uma agência do Banestes em Vila Velha foi invadida por bandidos na madrugada desta quarta-feira (25), sem que a polícia ou o banco informassem danos materiais ou valores subtraídos em dinheiro. A única informação sobre prejuízos foi a de que os cinco criminosos flagrados pelas câmeras de segurança conseguiram fugir com as armas dos vigilantes, que estavam localizadas em um compartimento da agência. Um episódio que ajuda a demonstrar o quanto a matéria-prima do crime é valiosa para quem o pratica.

A criminalidade consegue formar seu arsenal por diversas vias atualmente no Estado: do tráfico internacional de armas aos roubos e furtos de quem as porta, passando pela fabricação semi-industrial crescente. É inevitável fazer a associação entre o aumento da circulação de armas entre cidadãos que buscam se defender, mas não têm treinamento para usá-las, e o senso de oportunidade de bandidos que se aproveitam desse amadorismo para acumularem mais armamentos.

Por isso, o aumento das apreensões mostra que a polícia está atenta às movimentações criminosas, e não há dúvidas de que quanto menos armas nas mãos de criminosos, menor o poder das facções e até mesmo da violência no varejo. Ou pelo menos é importante que a reação institucional da segurança pública seja ao menos proporcional à ação de quem está no mundo do crime. As estatísticas da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) mostram que nos dez primeiros meses de 2021 houve um aumento de 8,7% nas apreensões no Espírito Santo, na comparação com 2020.

Contudo, ainda é muito difícil dimensionar que a rede que abastece o tráfico não se desestrutura com essa retirada sistemática de armas das ruas. Até outubro deste ano, em coluna publicada por Leonel Ximenes, foram retirados de circulação 1.299 revólveres, 910 pistolas, 535 espingardas, 262 metralhadoras, 260 armas caseiras, 209 garruchas, 172 simulacros de arma, 49 carabinas e nove fuzis. Quando se comparam os números de homicídios nos dez primeiros meses de 2021, a queda em relação a 2020 foi de 1,2%. Um percentual importante para as estatísticas, mas ainda irrisório para mostrar um efeito concreto das apreensões.

Desbaratar o mercado que abastece a criminalidade, com todas as conexões nacionais e internacionais, é o grande desafio para a segurança pública brasileira, e para muitos é algo que soa quase como uma utopia. Fica evidente que as apreensões crescem, e são importantes, mas não conseguem desestabilizar gangues e facções, que fazem cada vez mais questão de expor seu poder de fogo.

Onde há muita arma, há morte. Leonel Ximenes, na mesma coluna, fez a relação entre as cidades do Espírito Santo onde há mais apreensões e o número de homicídios: pelo menos no topo do ranking, são os mesmos municípios em que mais ocorrem assassinatos. É um dado que, se já não é, precisa ser estudado, para assim traçar políticas públicas de segurança pública cada vez mais eficientes.

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