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Covid-19

Governo Casagrande tomou o caminho mais correto na gestão da pandemia

No combate ao novo coronavírus, governo do ES acertou ao priorizar ciência e transparência. Saldo de decisões até aqui é positivo, com muito mais acertos do que erros. Confira a nossa análise, ponto a ponto

Publicado em 19 de Janeiro de 2021 às 02:00

Públicado em 

19 jan 2021 às 02:00
Vitor Vogas

Colunista

Vitor Vogas

Governo do ES tomou caminho correto na condução da crise da pandemia
Governo do ES tomou caminho correto na condução da crise da pandemia Crédito: Amarildo
“Alegria, vitória da ciência”, exclamou o governador Renato Casagrande em um vídeo postado por sua equipe, ao assistir, na manhã desta segunda-feira (18), ao embarque dos lotes com as primeiras doses da vacina CoronaVac de São Paulo para as demais unidades federadas, em aviões de carga, na pista do aeroporto de Guarulhos. Podemos expandir a frase: é também um triunfo de quem sempre acreditou nesse caminho. E, portanto, não deixa de ser uma vitória para o próprio governo Casagrande. Nesta semana tão importante para os brasileiros na luta contra o novo coronavírus, é preciso reconhecer os méritos do governo do Espírito Santo pela condução da crise da pandemia.
Há erros? É claro que há. Mas o saldo do governo é positivo, com muito mais acertos do que erros. O rumo desde o início está correto. As decisões, os pronunciamentos e a condução da crise de modo geral por parte do governo estadual têm sido regidos por moderação, sensatez, clareza e transparência na comunicação com a sociedade, respeito à ciência e racionalidade (com destaque para esta última palavra). Acima de tudo, entre erros e acertos, percebe-se uma clara disposição de acertar, em vez de se omitir; de enfrentar o problema, em vez de negá-lo; e de procurar ativamente soluções, em vez de ficar esperando que elas caiam do céu (ou do governo federal).
Exemplo bem concreto disso é a postura de Casagrande e de seu governo com relação ao tema da vacinação. Enquanto outros governantes, incrivelmente, preferem colocar em xeque a eficácia dos imunizantes e a própria ciência, o governo estadual sempre apostou no desenvolvimento e na aquisição das vacinas, defendendo-as como única esperança real e cientificamente embasada de superação da doença sem cura e de dias melhores para nós – pois, enquanto não há cura, a saída é a imunização.
Agora, com duas vacinas de eficácia comprovada e aprovadas pela Anvisa, o governo Casagrande se declara preparado para começar imediatamente a campanha massiva para vacinação em massa, à medida que tenha acesso às doses. O plano estadual de imunização está pronto, incluindo toda a parte logística, e o governo garante já ter estoque suficiente de seringas e agulhas para vacinar toda a população capixaba ao longo dos próximos meses.
Enquanto o governo federal “esqueceu-se” de adquirir insumos básicos e segue a repetir cegamente a tese do “tratamento precoce” (entenda-se cloroquina) que contraria o parecer da própria Anvisa no último domingo (17), o governo estadual executou uma “preparação precoce” para este momento. Enquanto o governo federal zombava da “vachina do Dória”, mais preocupado com querelas ideológicas, o governo Casagrande preferiu uma abordagem técnica e pragmática, focada no resultado que a população espera.

BUSCA ATIVA POR VACINAS

A propósito, enquanto assistia ao bate-cabeça das autoridades federais e aguardava a aprovação pela Anvisa do uso emergencial no Brasil da CoronaVac e da vacina Oxford-AstraZeneca, o governo Casagrande foi ao mercado a fim de adquirir por conta própria mais doses de vacinas já aprovadas por agências sanitárias.
Aliás, Casagrande disse nesta segunda-feira à CNN que, enquanto o Espírito Santo recebe as primeiras doses da vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório SinoVac, o governo capixaba seguirá procurando fechar seus contratos de compra de vacinas próprias (por enquanto, sem sucesso), para que possa acelerar o plano de imunização dos capixabas, sem prejuízo do plano nacional do qual é parte. Faz bem.

A GUERRA DA COMUNICAÇÃO

Além da ininterrupta batalha contra o vírus, a pandemia ensejou uma contínua guerra travada no campo da comunicação. Com redes sociais inundadas por desinformação (não raro reforçadas por políticos), um governo responsável precisa entrar com tudo nessa guerra informativa, a fim de disputar a atenção das pessoas e provê-las com informações corretas, tecnicamente embasadas (objetivo comum à imprensa profissional).
Nesse sentido, o governo Casagrande tem se destacado pela interlocução constante com a sociedade desde o início da pandemia. Regularmente, o próprio governador realiza pronunciamentos ao vivo em suas redes sociais e canais oficiais do governo, bem como entrevistas coletivas online para responder a questionamentos da imprensa, que por sua vez cumpre o papel de mediação entre o poder e a sociedade, levando aos representantes do governo os questionamentos das pessoas, difundindo ao público as informações apuradas e separando o que é fato do que é desinformação.

TRANSPARÊNCIA E EXPLICAÇÕES SEMANAIS

Também nesse aspecto, cabe destacar o papel cumprido desde o início pela dupla à frente das políticas de gestão da pandemia na Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Pelo menos uma vez por semana, o secretário Nésio Fernandes e o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, também realizam pronunciamentos e entrevistas coletivas remotas, de modo a manter o público permanentemente atualizado sobre as novidades e a evolução da pandemia no Estado.
Nessas coletivas, sempre de modo muito calmo e muito técnico, a dupla transmite as informações que ajudam a desconstruir narrativas sem base alguma. Assim ficamos sabendo, por exemplo, sobre os resultados dos inquéritos sorológicos, as mudanças semanais na Matriz de Risco etc.

PAINEL COVID-19

Também a fim de manter a transparência, o governo estadual desde muito cedo criou o Painel Covid-19, portal onde é possível encontrar um cabedal de dados detalhados sobre o contágio por coronavírus e os impactos da pandemia na área da saúde sobre a população capixaba (número de casos e de mortes, por bairro, estrato social etc.), com atualizações diárias.

A MATRIZ DE RISCO

A própria Matriz de Risco, instrumento criado e lançado lá no início da pandemia, em meados de abril, também é uma bela amostra da determinação do governo estadual em pautar suas decisões por critérios técnicos, transparentes e de conhecimento público. Seguindo um conjunto de parâmetros (como a velocidade do contágio e o número de leitos hospitalares de UTI ocupados), bem como o cruzamento desses dados, o governo classifica os municípios capixabas em três níveis: risco alto, moderado ou baixo.
E é com base nessa classificação que se decide sobre a adoção de medidas mais ou menos restritivas para o funcionamento do comércio e circulação social caso a caso, em cada município.
Podem-se questionar os parâmetros e a metodologia aplicada (e, de fato, o instrumento precisou ser aprimorado ao longo do tempo). Mas ninguém pode negar que os critérios são técnicos, cristalinos e de conhecimento geral. Não dá para alegar que o governo está tomando decisões de maneira arbitrária, na base do “achismo”.

INQUÉRITOS SOROLÓGICOS

O governo estadual também tem demonstrado uma preocupação muito grande em compreender, do ponto de vista científico, com pesquisa, método e monitoramento contínuo, a evolução da doença no Espírito Santo. Prova disso são os já mencionados inquéritos sorológicos, cujos resultados também são regularmente compartilhados pelo secretário da Saúde com o público, por intermédio da imprensa.

EXPANSÃO DOS LEITOS DE UTI

Outro acerto do governo estadual que o tempo logo provou incontestável foi a opção, feita já em meados de abril, por investir na expansão da quantidade de leitos de UTI na própria rede pública estadual (além da compra de leitos na rede privada), em vez de apostar na construção de hospitais de campanha (ideia que chegou a ser cogitada em março, mas logo foi descartada). Essa escolha proporcionou dois grandes benefícios, sendo um de longo prazo e outro absolutamente imediato.
No longo prazo, como o governador e o secretário não se cansam de frisar, essas centenas de novos leitos ficarão como legado para o SUS e a população capixaba nos próximos anos (e não só para tratamento da Covid-19). Já no plano imediato, foi isso concretamente que evitou o colapso em poucos meses de pandemia do nosso sistema público hospitalar, pressionado pelo ingresso às centenas de pacientes internados com a Covid-19.
E foi, objetivamente, o que impediu um impensável número de mortes de pacientes por falta de leito e de atendimento adequado nos hospitais (pessoas mais pobres, diga-se de passagem). Foi o que impediu a edição, em solo capixaba, das cenas terríveis que estamos testemunhando agora em Manaus. No limite, foi uma decisão que pode ter salvado a vida de muitos capixabas.

Onde o governo do ES vacila?

Poderíamos discutir aqui, por exemplo, a ausência de medidas mais rigorosas de isolamento social neste mês de janeiro, recomendadas por epidemiologistas e necessárias do ponto de vista estritamente sanitário, num momento de crescimento alarmante dos índices de contaminação e mortes por Covid-19 no Espírito Santo e no país, em plena segunda onda de contágio do novo coronavírus. Poderíamos também mencionar a ausência de uma cobrança mais forte por uma fiscalização mais efetiva por parte de prefeitos e demais autoridades municipais.

E os erros?

Vitor Vogas

Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

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