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ES vai mudar matriz de risco para evitar segunda onda da Covid-19

Além de medidas mais restritivas, também vão ser revistas as medidas qualificadas para risco moderado e risco alto. A proposta é cobrar mais disciplina e respeito aos protocolos para evitar uma segunda grande onda de casos no Espírito Santo

Publicado em 05/10/2020 às 17h27
Atualizado em 06/10/2020 às 12h54
Prefeitura de Linhares contrata leitos cirúrgicos para desafogar hospital municipal
Leito hospitalar: governo prepara mudanças na matriz de risco para evitar aumentos de casos do novo coronavírus. Crédito: Prefeitura de Linhares

Restrições mais duras, maior exigência de disciplina e respeito aos protocolos. Estas são algumas das exigências que fazem parte das medidas que estão sendo preparadas pelo governo para alterar a chamada Matriz de Risco do Estado. É ela que dá origem aos mapas que indicam os riscos baixo, moderado e alto de contágio do novo coronavírus nos municípios do Espírito Santo.

“Estamos preparando um conjunto de atualizações na nossa matriz de risco que irão rever também as medidas qualificadas para risco moderado e risco alto. Nós entendemos que ter alcançado o risco baixo na ampla maioria dos municípios foi uma conquista da estratégia capixaba de resistência e combate ao coronavírus e pela preservação da vida”, destacou o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes em coletiva realizada na tarde desta segunda-feira (5).

Uma conquista, acrescentou o secretário, que precisa ser preservada. “Depende de ações do poder público, dos estabelecimentos e instituições, e também das pessoas, das famílias e da sociedade”, disse.

Nésio Fernandes destacou que o objetivo é evitar uma segunda onda de casos de Covid-19 no Espírito Santo. As novas medidas devem afetar, entre outros, os municípios que após estarem em risco baixo voltarem ao risco moderado.

“Teremos restrições mais duras, uma exigência maior de disciplina e respeito aos protocolos para evitar uma segunda grande onda de casos no Espírito Santo. Do ponto de vista do que compete ao poder público, estamos tomando todas as medidas necessárias para que não ocorra segunda onda com repercussão de óbitos e pacientes internados", explicou.

De acordo com o secretário, a rede de assistência do Estado está melhor preparada para enfrentar a Covid-19. Ele lembrou ainda que existem mais 150 leitos a serem inaugurados na rede própria do Estado e que obras estão sendo realizadas para incluir novas melhorias. “Já tínhamos previsto que a Covid-19 representaria uma pressão sustentável na rede por mais tempo. E estamos preparando a rede para um segundo momento”, explicou Nésio Fernandes.

O subsecretário de Estado de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, também durante coletiva na tarde desta segunda-feira (05), alertou que grande parte das cidades capixabas estão na cor verde, que indica risco baixo. “A cor verde não significa ausência de risco. Ele é baixo, mas tem risco”, assinalou.

Espírito Santo atualmente possui 76 cidades no risco baixo para a transmissão da Covid-19 e somente dois municípios no risco moderado, segundo o mapa divulgado na última sexta-feira (2) e que está em vigor nesta semana. 

No primeiro mapa divulgado, em 20 de abril, a maioria dos municípios apresentava risco baixo, ou seja, era verde, mas havia uma concentração de cidades em risco alto e moderado na região metropolitana e cidades vizinhas. À medida que o coronavírus era disseminado, o mapa foi mudando de cor, chegando ao ponto mais crítico na semana de 13 de julho, quando estava predominantemente vermelho. Para cada fase, visando ao controle da doença, foram definidos protocolos de segurança e medidas de restrição de atividades. No final de setembro o governo divulgou imagem mostrando a comparação dos mapas de risco do Estado – passando por quase completamente vermelho até a fase atual, já quase todo verde. Confira:

Evolução do risco da Covid-19 no Espírito Santo ao longo dos últimos cinco meses
Evolução do risco da Covid-19 no Espírito Santo ao longo de cinco meses, até o final de setembro. Crédito: Divulgação/Governo do ES

MATRIZ DE RISCO

Para entender como funciona a matriz de risco, A Gazeta ouviu um dos coordenadores da equipe do centro de comando e controle no Estado, o Coronel Cerqueira, do Corpo de Bombeiros. Em reportagem já publicada ele explicou que se trata de uma ferramenta de gestão de risco que trabalha com dois eixos: ameaça e vulnerabilidade. O eixo de ameaça faz referência a três elementos: a análise do coeficiente de casos ativos dos últimos 28 dias, que tem um peso correspondente a 30%; a testagem por mil habitantes, também com peso de 30%; e a média móvel de mortos nos últimos 14 dias, com peso de 40%.

Já o eixo de vulnerabilidade, trata da taxa de ocupação de leitos potenciais. "Fala-se em 'leitos potenciais,' porque leva-se em conta a capacidade de ampliação dos leitos. O sistema de saúde chegou aos 715 leitos de UTI, mas a quantidade de internações foi diminuindo, então não faria sentido ter menos da metade de pacientes com Covid internados e muitos leitos à disposição, não podendo ser aproveitados por outros diagnósticos. Foi então decidido que, no eixo de vulnerabilidade, observamos a quantidade de leitos potenciais, ou seja, a quantidade de leitos com capacidade de serem ampliados, caso seja necessário. Afinal, se levássemos em conta a redução de leitos disponíveis, por terem sido postos à disposição de outras doenças, teríamos um percentual muito elevado de ocupação, o que contrastaria com a realidade de possibilidade de que sejam ampliados", descreveu.

Logo, segundo Cerqueira, para a construção da Matriz e dos mapas, são avaliados os dois eixos e, assim, a classificação de risco do município será alinhada à combinação deles.

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