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Jornalista de A Gazeta desde 2008 e colunista de Política desde 2015. Publica diariamente informações e análises sobre os bastidores do poder no Espírito Santo

Vacina e pandemia: o contraste entre Casagrande e Bolsonaro na gestão da crise

Governo estadual mostra racionalidade e respeito à ciência, enquanto presidente mantém o discurso “cegacionista” e segue defendendo a “vacilação em massa”

Publicado em 18/01/2021 às 20h24
Atualizado em 18/01/2021 às 20h25
Reunião do governador Renato Casagrande com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, nesta segunda-feira (14)
Reunião de Bolsonaro e Casagrande. Crédito: Palácio do Planalto

Com a vacinação da primeira capixaba contra a Covid-19 na noite desta segunda-feira (18), a população do Estado tem muito a comemorar, assim como o governo e o governador do Espírito Santo, que desde o início, em que pese uma ou outra ressalva, têm adotado um caminho correto na condução da pandemia do novo coronavírus. Os acertos do governo Casagrande serão mais detidamente analisados aqui nesta terça-feira (19). Mas nenhum mérito dele até aqui foi maior do que o de não ter embarcado em nenhum momento no discurso negacionista e não ter cedido jamais às soluções simplistas que se ofereciam, muito mais fáceis e convenientes do ponto de vista político – algumas das quais, inclusive, “empurradas goela abaixo” pelo governo federal.

Exemplo clássico: o uso de hidroxicloroquina, substância sem eficácia comprovada no combate à Covid-19, como suposto “tratamento precoce”, obsessão do presidente Bolsonaro só comparável ao nióbio e ao voto impresso. Nesta segunda-feira, falando a apoiadores, ele voltou a pedir para não desistirem do "tratamento precoce". Enquanto isso, não se ouviu do presidente até agora uma palavra de incentivo à vacinação voluntária. Ao contrário: nem vale a pena resgatar tudo o que ele já disse em sentido contrário, desencorajando as pessoas a se vacinarem contra a Covid-19. 

Obediente, já na gestão Pazuello, o Ministério da Saúde passou a distribuir em larga escala as doses de cloroquina para os Estados. “A mágica solução” foi encampada por parlamentares capixabas e por muitos prefeitos (aliados de Casagrande, inclusive). O governo estadual poderia perfeitamente ter entrado na onda, apoiando o uso do placebo para deixar a população mais feliz e aliviada. No fim de junho de 2020, como havia recebido as caixas de cloroquina, a Secretaria da Saúde em momento algum furtou-se a repassar as doses do medicamento aos municípios que as solicitaram. Mas sempre fez a ressalva de que não endossava nem recomendava aquela estratégia.

Na verdade, desde o início e até hoje, o discurso inflexível do governo Casagrande e seus agentes tem sido o da responsabilidade e da racionalidade. O foco sempre esteve na prevenção. A cada contato com o público e com a imprensa, o governador, o secretário da Saúde, Nésio Fernandes, e outras autoridades estaduais reiteram as recomendações relacionadas aos cuidados preventivos, como uso de máscara, higienização das mãos e medidas de isolamento e distanciamento social.

Essa postura por parte das autoridades estaduais é um alívio. Reconhecer o flagelo da pandemia, dar ouvidos à ciência, manter a sociedade informada com clareza e transparência… Tudo isso é o mínimo que se esperaria de todos. Mas não é o que se tem observado como regra.

O CONTRASTE COM O “CEGACIONISMO” DO PLANALTO

Num momento tão crítico para a humanidade, a razão deveria prevalecer sobre o obscurantismo e ditar as decisões e o comportamento de todos os detentores de poder, que têm em suas mãos a responsabilidade pela salvaguarda da vida das pessoas por eles governadas. Não é pedir demais aos nossos governantes que eles façam uso da razão. Mundo afora, porém, o que vemos são pessoas poderosas desprezando a pandemia, fazendo pouco da ciência, debochando da crise humanitária, omitindo-se e lavando as mãos (mas não como medida asséptica).

Aqui mesmo em nosso país, em vez de um presidente da República que coordene os esforços nacionais para preservar as vidas dos brasileiros, como seria seu dever moral e constitucional, temos o campeão mundial do “cegacionismo”, do incentivo à “vacilação em massa” e da terceirização de responsabilidades. No papel de “chefe da nação”, no lugar de um verdadeiro líder, temos alguém que se recusa a liderar o povo que o elegeu neste momento histórico gravíssimo, furtando-se a assumir os seus deveres e a cumprir com as suas obrigações de governante eleito para isso.

Pior ainda: um presidente que, de modo irracional (pode-se acrescentar: irresponsável e inconsequente), só faz sabotar os verdadeiros esforços de profissionais da saúde, pesquisadores, governadores e outros mandatários, com sua profusão de maus exemplos e de declarações desastrosas que ajudam a espalhar mentiras, estimulam comportamentos inadequados e privilegiam a ignorância ao saber acumulado, sobrepondo o puro achismo à ciência.

Como exemplos mais recentes, suas falas anticientíficas, de uma obtusidade sem par, tendem a fortalecer no país, ao menos entre seus seguidores mais fervorosos, o movimento antivacina no momento em quem mais precisamos incentivar a vacinação em massa.

Nesse contexto, qualquer governo minimamente racional em outras esferas da federação já se destaca pelo simples fato de… ser racional. Casagrande e seu governo têm demonstrado isso.

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