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Este é um espaço para falar de Política: notícias, opiniões, bastidores, principalmente do que ocorre no Espírito Santo. A colunista ingressou na Rede Gazeta em 2006, atuou na Rádio CBN Vitória/Gazeta Online e migrou para a editoria de Política de A Gazeta em 2012, em que trabalhou como repórter e editora-adjunta

Sem candidatos ao governo e ao Senado, PT do ES aposta tudo em Lula

Partido homologou apoio às reeleições do governador Renato Casagrande (PSB) e da senadora Rose de Freitas (MDB), mas a prioridade é só uma

Vitória
Publicado em 05/08/2022 às 07h00
Convenção estadual de PT, PCdoB e PV
Convenção estadual de PT, PCdoB e PV. Crédito: Letícia Gonçalves

Em convenção estadual realizada na noite desta quinta-feira (4), a federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, confirmou o apoio à reeleição do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), e da senadora Rose de Freitas (MDB).

O partido, assim, chancelou oficialmente a desistência de disputar o Palácio Anchieta – com a retirada do senador Fabiano Contarato do páreo. Também achou melhor não entrar na briga por uma cadeira de senador, ou senadora – a ex-secretária de Educação de Cariacica Célia Tavares e o ex-reitor da Ufes Reinaldo Centoducatte queriam concorrer pelo partido.

Ambas decisões vieram "de cima", da direção nacional do PT e da federação. Em relação ao Senado, a bem da verdade, a empolgação local também não era tanta entre os petistas. 

A palavra de ordem do partido tem quatro letras: Lula.

Contarato foi rifado para consolidar a aliança nacional do PT com o PSB de Casagrande. Ajudou o fato de o socialista ter declarado voto no ex-presidente da República e garantido que vai fazer campanha apenas para ele, no que se refere à corrida pelo Palácio do Planalto.

Rose, por sua vez, apesar da candidatura da senadora Simone Tebet (MDB-MS) à Presidência da República, é considerada pelo PT como uma apoiadora de Lula. "Ela é uma apoiadora dele desde que foi ao jantar (com Lula e dissidentes do MDB em São Paulo)", afirmou a presidente estadual do PT, Jackeline Rocha.

"Não nos cabe fazer patrulha ideológica. Ela fez compromisso com o próprio Lula. Isso foi determinante para o apoio da federação a ela", destacou Rocha.

A possível indicação de um suplente de Rose é cogitada, mas a presidente estadual diz que não houve conversa formal a esse respeito. 

Os ex-deputados estaduais Nunes e Genivaldo Lievore são cotados. Mesmo integrantes da cúpula petista, contudo, avaliam que a chance de emplacar alguém é remota.

A prioridade do PT nacional e também estadual é fazer com que Lula volte a comandar o Executivo federal.

Na convenção, o nome que empolgou a militância foi o dele, principalmente na execução do jingle "Sem medo de ser feliz" (Lula lá). 

A última vez que um candidato do PT venceu as eleições no Espírito Santo foi em 2002, como lembrou a repórter de A Gazeta Ednalva Andrade.

O presidente estadual do PCdoB, Neto Barros, chegou a dizer que o estado "virou ninho do bolsonarismo".

Mas o deputado federal Helder Salomão (PT) avalia que o clima mudou, em relação a 2018. "Saímos na rua e somos abraçados", contou.

Para aumentar as chances de vitória do ex-presidente, o PT foi para o sacrifício. Contarato marcava 11% das intenções de voto em maio, era um candidato competitivo.

A dúvida agora é se ele vai embarcar na campanha pela reeleição do governador. O senador não foi à convenção do PT, estava em uma agenda em São Paulo com o próprio Lula.

Casagrande também não foi, estava em Colatina para um evento de elaboração do plano de governo do próximo mandato que ele só vai executar, claro, se vencer o pleito.

O socialista enviou um vídeo: "Quero fazer meu agradecimento a vocês (PT, PCdoB e PV) por estarmos juntos nesse trabalho eleitoral e político. Quero agradecer ao senador Fabiano Contarato, que soube debater esse assunto com maturidade".

Vídeo de Renato Casagrande é exibido em convenção de PT, PCdoB e PV
Vídeo de Renato Casagrande é exibido em convenção de PT, PCdoB e PV. Crédito: Letícia Gonçalves

"Estamos comprometidos com um país democrático, com o fortalecimento das instituições, com o enfrentamento às desigualdades, com políticas sociais, respeito aos direitos humanos e isso está representado na candidatura do presidente Lula e na candidatura do vice-presidente Alckmin", complementou o governador.

Quase ninguém conseguiu ouvi-lo na convenção, realizada em um auditório na Assembleia Legislativa. 

Na primeira vez que o vídeo foi exibido houve um problema no áudio. Na segunda tentativa, gritos de pessoas descontentes com a formação de chapas de deputados, que estavam na plateia, atrapalharam. 

Como a coluna constatou, ainda em junho, em uma plenária do PT, a militância do partido não parece muito disposta a pedir votos para reeleger o governador.

"É um movimento que o próprio Casagrande precisa fazer, de se reaproximar dos movimentos sociais. O PT sabe que o momento que nós vivemos há quatro, três anos é diferente do que temos hoje. Caímos no aprofundamento da desigualdade, no desafio da pandemia. O Brasil e o Espírito Santo voltaram ao mapa da fome", apontou Jackeline Rocha.

"TIME DE LULA"

Além de eleger Lula, o PT quer alçar nomes à Câmara dos Deputados, algo crucial para qualquer partido.

Como o deputado federal Helder Salomão adiantou, os candidatos vão se apresentar como "time de Lula". 

Na federação, a chapa foi composta da seguinte forma para deputado federal: sete candidatos são do PT; dois do PV e outros dois do PCdoB.

Para estadual, 14 são do PT, 9 do PV e 8 do PCdoB.

A expectativa, de acordo com Helder, que integra a Executiva estadual do PT, é eleger de um a dois nomes para a Câmara dos Deputados e três ou quatro para a Assembleia. Isso considerando os três partidos.

Ele também espera o aumento no número de votos de legenda – quando a pessoa aperta apenas o número do partido, composto por dois dígitos, na urna eletrônica para votar para deputado. 

"Tivemos (o PT) 13,9 mil votos de legenda em 2018. Agora esperamos 25 mil", projetou.

PLANO DE GOVERNO

O PT conseguiu do PSB algumas concessões, como participação no próximo governo, no caso de vitória nas urnas, e intervenção no plano de governo. 

Jackeline Rocha elencou os pontos que o PT quer incluir na peça:

"Renda básica, valorização do desenvolvimento local, o desenvolvimento regional sustentável (...) A gente precisa voltar a colocar as pessoas mais vulneráveis no orçamento para solucionar o distanciamento que existe entre o poder público e a sociedade".

"O novo programa de governo do governador Renato Casagrande precisa apontar para as famílias que sofrem tanto com a política de desigualdade do atual governo federal", resumiu.

AUSÊNCIA

Entre os candidatos a deputado federal do PT homologados nesta quinta estão a própria Jackeline Rocha e o veterano Perly Cipriano.

Para deputado estadual concorrem, entre outros, a atual deputada Iriny Lopes  e o ex-prefeito de Vitória João Coser.

Coser, aliás, não foi à convenção. O evento foi realizado no mesmo horário da formatura em Medicina de Luiz Carlos, filho caçula do ex-prefeito.

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