Está achando a
carne cara?
A gasolina está pela hora da morte? O preço do gás de cozinha disparou? Pois saiba que tem coisa um “pouquinho” mais cara por aí, inclusive em Vitória. Uma loja na
Praia do Canto, por exemplo, está vendendo trufas negras de verão da região da Umbria, na Itália, por R$ 8 mil o quilo. Achou um absurdo? Pode ser, mas o estoque inicial da loja, de cerca de 20 unidades, acabou em cinco dias.
Proprietário da loja Koisa de Minas, na Praia do Canto, Fábio Eugênio Pinheiro Bisi conta que pela primeira vez conseguiu comprar esse tipo de trufa fresca de um importador italiano radicado em
São Paulo. Na loja dele, a unidade mais barata da iguaria saiu a R$ 300 e a mais cara, a R$ 500.
“Foi uma logística muito complicada, mas conseguimos trazer a trufa negra de verão fresca. Da partida da Itália até a chegada a Vitória foram 48 horas”, conta o empresário, destacando que esse tempo curto é fundamental para manter a qualidade do fungo.
Mesmo custando uma fortuna, a procura continua intensa, segundo o comerciante, que está tentando comprar mais algumas unidades da trufa negra. Mas, segundo ele, o mercado de São Paulo absorve quase toda a importação e, por isso, ele não sabe se conseguirá ainda neste ano comprar mais esse tipo de trufa que é colhida durante o verão europeu.
“Foi uma surpresa a procura. Ficamos inicialmente com receio, porque é uma novidade, mas a demanda por trufas está crescendo cada vez mais no Brasil nos últimos quatro anos. Deu resultado”, comemora Fábio Bisi, que levou uma pequena quantidade para ser consumida em casa, com a família.
A novidade, aliás, foi anunciada nas redes sociais da loja, o que provocou curiosidade de algumas pessoas, que vão à loja para saber detalhes da iguaria importada.
Além das trufas frescas, existem as em conserva, que são um pouco mais “baratas”. Um vidrinho de apenas 40g, por exemplo, custa R$ 244 na loja da Praia do Canto.
Também chamada de Scorzone, as trufas negras de verão são usadas em azeites, manteigas, massas, molhos, mel e maionese, entre outros pratos. “No
ovo frito fica uma delícia, é um clássico”, dá a dica o empresário Marcelo Netto, apreciador da iguaria.
Encontradas no Norte da Itália, na Toscana e em regiões da Croácia, as trufas são uma das iguarias mais caras do mundo, ao lado do pistilo de açafrão, foie gras e baunilha. A razão é sua disponibilidade: trufas são fungos espontâneos que crescem junto das raízes de aveleiras e carvalhos. Para encontrá-las, o mestre tartufaio (sim, a atividade é coisa de mestre) precisa da ajuda de um cão farejador.
As trufas podem ser brancas ou negras e vão do tamanho de uma noz ao de uma batata média. Quanto mais frescas, mais firmes são as trufas e por isso, mais fáceis de laminar. Aliás, para se obter mais eficiência nos pratos à base de trufas é preciso que se use um laminador, que na loja da Praia do Canto custa R$ 300 a unidade.
Conforme os dias passam, o fungo perde o aroma e a textura fica mais “borrachuda”, o que dificulta para laminar. As trufas se mantêm frescas entre cinco e dez dias, por isso a dificuldade adicional em importá-las.
Colhida no verão
europeu, entre maio e dezembro, a trufa negra tem aroma semelhante ao funghi e notas de avelã e pode ser das variedades pregiato, estivo, lisa, de inverno ou uncinato. A recomendação é usá-la em preparos quentes, pois quando aquecida, intensifica seu sabor e aroma.