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Leonel Ximenes

Foco da ambição capitalista, alvo da ira comunista: o ES virou moda

Grupo trotskista internacional diz que China influencia economia capixaba

Públicado em 

02 mar 2026 às 03:11
Leonel Ximenes

Colunista

Leonel Ximenes

Navio BYD
Navio da BYD descarrega carros em Portocel, Aracruz Crédito: Carlos Alberto Silva
Não se pode mesmo agradar a todos os comunistas. A Internacional Comunista Revolucionária do Espírito Santo (ICR-ES), braço de uma organização internacional de inspiração trotskista fundada em 1992, publicou um artigo em que expõe preocupações sobre a alegada influência da (comunista?) China na economia capixaba nos últimos anos.
Sob o título “A influência do Imperialismo Chinês no desenvolvimento da economia capixaba”, o texto, produzido originalmente em dezembro do ano passado e publicado nesta quinta-feira (26) no site mundial da ICR, cita especialmente o comércio de carros elétricos e híbridos chineses pelo sistema portuário do Estado.
“A empresa BYD, uma das maiores do ramo de carros elétricos e híbridos, importou, em 2024, cerca de 70% de toda a importação nacional pelos portos capixabas. Isto é, 95 mil carros dos 135 mil entraram pelo complexo portuário do estado, especialmente pelos portos de Vila Velha - recentemente privatizados, sob propriedade da empresa Vports - e pelos portos de Aracruz, em especial o Portocel”, cita o portal da Internacional Comunista Revolucionária, organização que atua em mais de 70 países.
O documento também destaca o litoral recortado, a posição estratégica do Estado em relação aos principais mercados consumidores do país e a complexidade portuária do Espírito Santo como fatores que favorecem o intercâmbio comercial com a China.
O artigo relaciona outros interesses estratégicos do país asiático no ES e no Brasil, e diz que a GWM, uma das maiores montadoras de carros elétricos do mundo, pretende abrir mais uma fábrica no Brasil (acordo que foi sacramentado nesta semana entre a fábrica chinesa e o governo do Estado).
Fábrica da GWM em Iracemápolis, interior de SP
Primeira fábrica no Brasil da GWM na cidade de Iracemápolis, interior de SP; a segunda será construída em Aracruz, no ES  Crédito: Divulgação GWM/F.5-Fotografia
Mereceu destaque ainda a construção da primeira Zona de Processamento de Exportação (ZPE) privada do país, em Aracruz, e os investimentos, atuais e futuros, em rodovias, portos, ferrovias, pátios de armazenamento e distribuição de mercadorias e aeródromos.
“Nessa luta é fundamental compreender que, quando levantarmos a palavra de ordem ‘Fora o imperialismo das terras de Aracruz! Pela estatização da ZPE e pela imediata reintegração do território sob domínio estatal; pela estatização sob controle dos trabalhadores de todas as empresas instaladas na ZPE, quando levantarmos essas consignas, nosso alvo principal, ao que tudo indica, será a burguesia capixaba emaranhada com o imperialismo chinês”
Trecho do texto produzido pelo ICR-ES - Cargo do Autor
O texto, não assinado, afirma que todo esse movimento evidencia o que chama de “submissão do país” aos interesses chineses: “Salta aos olhos, evidentemente, a posição de submissão do Brasil ao imperialismo chinês quando se observa a exportação de lítio e a importação de carros elétricos. Ou seja, a clássica relação de exportação de matéria-prima e importação de mercadorias com alto valor agregado, fruto do desenvolvimento tecnológico e industrial”.
A ICR destaca também que as mudanças em curso na economia capixaba diante da aproximação com o gigante asiático, requer uma atenção especial dos seus militantes, especialmente no trabalho de atração dos jovens.
“É fundamental ter uma análise concreta da situação no Espírito Santo para armar os militantes na compreensão do que se passa (uma situação com mudanças radicais nas relações sociais e no espaço urbano, de trabalho e de estudo). Apenas assim a organização poderá agir acertadamente e ser capaz de conectar-se e atrair os elementos mais avançados da juventude capixaba radicalizada”, diz o texto.
Tomara que Trump não leia este texto. Paz!

Leonel Ximenes

Iniciou sua historia em A Gazeta em 1996, como redator de Esporte e de Cidades. De la para ca, acumula passagens pelas editorias de Policia, Politica, Economia e, como editor, por Esportes e Brasil & Mundo. Tambem atuou no Caderno Dois e nos Cadernos Especiais e editou o especial dos 80 anos de A Gazeta. Desde 2010 e colunista. E formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo.

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