Recuperar senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Cadastrar nova senha

Já tem uma conta?

Acesse aqui

Tem sugestão ou viu erro? Envie aqui Quer mais notícias? Entre no nosso WhatsApp

Vitor Vogas

Agora é que vem a verdade

Publicado em

28 out 2018 às 23:55
Crédito: Amarildo

O dicionário Priberam traz a seguinte definição para o verbete mito (do latim mythos, sinônimo de fábula):

1. Personagem, fato ou particularidade que, não tendo sido real, simboliza não obstante uma generalidade que se deve admitir.

2. Coisa ou pessoa que não existe, mas que se supõe real.

3. Coisa só possível por hipótese; quimera.

Hércules e o minotauro são mitos (na mitologia grega). Também o são Iemanjá (mitologia iorubá), Thor (mitologia nórdica), Anúbis (mitologia egípcia) e Cao Guojiu (mitologia chinesa).

Bolsonaro não é um mito. É um homem de verdade – e “verdade” foi a palavra mais usada por ele ontem, em seu primeiro pronunciamento como presidente eleito. Um homem de carne e osso, com suas virtudes e defeitos. Chegará ao Planalto carregando essas virtudes e defeitos e, sobre os ombros, a responsabilidade de cumprir a promessa de “mudar tudo isso daí” e “fazer um governo diferente, como jamais foi feito no país”, sem concessões a acordos partidários. A tarefa não será simples, mas proporcional ao tamanho da promessa.

Uma vez com a faixa presidencial, não bastará fazer o gesto da arma com o dedo. Não é da ponta dos seus indicadores colados aos médios, como num passe de mágica, que sairão as soluções de que o país necessita com urgência.

Não bastará ficar apenas repetindo, como na sua propaganda eleitoral, chavões e palavras-Chávez que calaram fundo no imaginário coletivo, como “pátria”, “família”, “Deus”, “kit gay”, “ideologia de gênero”, “Foro de São Paulo”... “pátria” e... o que mais?

Se juntarmos todas essas expressões, não chegamos perto das discussões que verdadeiramente importam para o Brasil neste momento. O país hoje enfrenta um desemprego que atinge mais de 13 milhões de brasileiros. É necessário retomar o crescimento, estimular o desenvolvimento econômico. Como ele pretende fazê-lo, sem bravatas, de forma concreta e factível? Até agora não sabemos.

Ao mesmo tempo, é urgente a aprovação, no Congresso, de uma reforma previdenciária que acabe com os privilégios no setor público, corrija as disparidades em relação ao regime geral e evite a explosão de uma bomba-relógio: se não houver mudanças profundas nas regras de contribuição, daqui a poucos anos a União não terá dinheiro para pagar as aposentadorias. Simples assim.

Como se não bastasse, o Brasil convive com uma crise fiscal sem precedentes que inclui um déficit de mais de R$ 130 bilhões no caixa do governo federal só em 2018 e ameaça tornar o país insolvente em poucos anos. Em português claro: o Brasil está à beira de quebrar.

O próximo governo terá que equacionar esse déficit sem aumentar a carga tributária, para não exonerar ainda mais o consumidor e o setor produtivo, o que teria o efeito perverso de travar ainda mais a retomada do crescimento e da geração de empregos e renda. Como equacionar essas questões? Como promover um rigoroso e necessário ajuste fiscal sem tributar ainda mais quem produz e quem consome? Como equilibrar as contas públicas nacionais e, ao mesmo tempo, fomentar a retomada do crescimento sem aumentar gastos públicos?

São questões como essa – não kit gay, por favor... – que estarão na mesa de Bolsonaro a partir de hoje. Como ele e sua equipe vão resolver essas questões? E como não se preocupar quando o plano de governo do até ontem candidato era, basicamente, uma apresentação em PowerPoint? O candidato que se consagrou nas urnas simplesmente não possui um plano econômico que faça jus ao nome – ao menos passou a campanha inteira sem apresentar algo que o valha.

Como candidato, Bolsonaro conseguiu fazer colar, de maneira surreal, a sua esquiva de sempre: “Não entendo nada de economia. Chamem o Paulo Guedes, o meu Posto Ipiranga”. Seus apoiadores entenderam que bastava. Como presidente, a história é diferente, e a realidade vai se impor no dia 1 do governo Bolsonaro:

Nem um síndico de prédio, nem uma diretora de escola, nem o presidente da Câmara Municipal de Muqui pode se dar ao luxo de dizer que não domina noções básicas de economia e simplesmente lavar as mãos e terceirizar responsabilidades. Muito menos em um sistema como o nosso, que concentra tantos poderes na figura do presidente da República.

Por isso esqueçamos por um momento todo o histórico de frases discriminatórias proferidas por Bolsonaro que atentam contra a dignidade humana de grupos sociais como mulheres, negros e homossexuais. Esqueçamos a ameaça de implantação de uma “ditadura da maioria” incentivada pelo próprio candidato, ao sugerir, por exemplo, que “minorias devem se adequar ou desaparecer”.

Esqueçamos as ameaças abertas à própria estabilidade democrática, feitas ao longo da campanha por seu vice, general Mourão, defensor de ideias anômalas como um “autogolpe” e uma nova Constituição escrita sob medida por um grupo de “notáveis” escolhidos a dedo pelo presidente. Esqueçamos, ainda, o apoio declarado ou a simpatia manifestada à chapa por saudosistas da ditadura militar e até por David Duke, rosto mais famoso da Ku Klux Klan, à candidatura de Bolsonaro, por afinidade de pensamento – “Ele soa como nós”.

O que mais chama atenção, neste momento em que ele está eleito, é o grau de desconhecimento admitido pelo próprio Bolsonaro ao longo da campanha para lidar com os temas mais prementes do país – aqueles da seara econômica – e o grau de improviso que marcou a sua campanha nesta área. Calculada ou não, a bateção de cabeça foi uma constante entre ele mesmo e alguns de seus principais colaboradores.

“Nós temos que nos acostumar a conviver com a verdade”, afirmou Bolsonaro ontem, em sua primeira fala após a vitória. É melhor ele mesmo já ir se acostumando com ela. Com a verdade de ter que governar e de dar as respostas concretas e objetivas de que os brasileiros necessitam. Para os problemas verdadeiros da população, que caberá a ele resolver a partir do dia 1º de janeiro.

Link copiado com sucesso

Vitor Vogas

Vitor Vogas
Estradas

Caminhão de cerveja tomba no mesmo trecho de tragédia com ônibus no ES

Beatriz Caliman

Beatriz Caliman
Fraturou a perna

Mulher fica ferida após carro capotar na Rodovia do Sol, em Guarapari

Link copiado com sucesso

Jaciele Simoura

Jaciele Simoura
Violência

Dois são presos com pistola, drogas e munições em operação em Jaguaré

Link copiado com sucesso

Adrielle Mariana

Adrielle Mariana
Tráfico

Guarda Municipal apreende mais de 20 kg de cocaína em área de mata em Cariacica

Analu Fagundes

Analu Fagundes
Tragédia no ES

Veja quem são os mortos em acidente com ônibus de excursão na BR 262 em Ibatiba

Link copiado com sucesso

Beatriz Caliman

Beatriz Caliman
Em São Torquato

Tradicional viaduto de Vila Velha passa por obras e ganha novo guarda-corpo

Analu Fagundes

Analu Fagundes
Pretendia revender

Jovem é preso após furtar pares de tênis de corrida em shopping de Vila Velha

Link copiado com sucesso

Jaciele Simoura

Jaciele Simoura
Socorro aéreo

Mulher é intubada após sofrer queimaduras com óleo de fritura em Jaguaré

Link copiado com sucesso

Adrielle Mariana

Adrielle Mariana
Combate ao tráfico

Operação apreende 132 kg de pasta base de cocaína e prende três na Serra

Link copiado com sucesso

Júlia Afonso

Júlia Afonso
Norte do ES

PM apreende mais de mil pinos de cocaína e pedras de crack em mata em Jaguaré

Da Redação Multimídia

/
Da Redação Multimídia

RECOMENDADO PARA VOCÊ

Ciclista, bicicleta, cadeirinha, criança, ciclovia

Grande Vitória vai ganhar mais 144 km de ciclovias e ciclofaixas; veja os locais

Imagem de destaque

O que muda na saúde bucal depois dos 50? Especialista lista 7 cuidados

O aviso do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) começou às 8h53 e segue válido até as 23h59 desta segunda-feira (28)

Inmet emite alerta de tempestade para 50 cidades do Espírito Santo

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados