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Empresas no ES têm canais para funcionária denunciar violência doméstica

Ações vão desde workshops a atendimento psicológico, sempre pensando no bem-estar de suas colaboradoras; campanhas de conscientização também se expandem por toda empresa

Mulher vítima de violência doméstica
Empresas disponibilizam canais de apoio a quem é vítima de violência. Crédito: Freepik

violência doméstica afeta diretamente a saúde mental e física de mulheres agredidas, inclusive no desempenho de suas atividades profissionais. E se elas puderem contar com o apoio da empresa onde trabalham,  os efeitos podem ser bem mais amenos. Desta maneira, o medo e a vergonha poderão dar lugar à coragem de se livrar dos abusos e seguir em frente. Organizações no Espírito Santo estão sensíveis ao tema e colocaram em pauta serviços de amparo às suas colaboradoras que vão desde workshops a atendimento psicológico, sempre pensando no bem-estar de suas funcionárias.

Na Unimed Vitória, por exemplo, 75% do quadro de colaboradores é composto por mulheres. A cooperativa médica tem um movimento, chamado Por Todas, voltado para as funcionárias e que todos os meses trabalha um tema sobre o universo feminino. A iniciativa começou em 2020 e, em abril deste ano, os responsáveis pelo programa entenderam que também era importante falar com aquelas que eram vítimas de violência doméstica.

Segundo a gerente de RH da Unimed Vitória, Karla Rampazzo, foi lançada uma campanha ressaltando que a trabalhadora não está sozinha e pode contar com uma rede de ajuda, por meio do Núcleo de Atendimento ao Colaborador e o movimento Por Todas. “Os atendimentos podem ser feitos por telefone ou presencialmente. Pensamos no aspecto social do trabalhador. Se ele está bem em casa, vai estar bem para trabalhar”, comenta.

A campanha “Me amarei e me cuidarei de janeiro a janeiro” da Viação Águia Branca tem como objetivo zelar pela a saúde mental de seus colaboradores. Assim como na Unimed, a iniciativa foi implantada há um ano, com o objetivo de incentivar os funcionários a terem coragem e confiança de conversar com a empresa sobre tudo aquilo que lhes traga dor.

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MEDIDAS PROTETIVAS DISTRIBUÍDAS PELA JUSTIÇA DO ES

“O canal é aberto para que as pessoas possam compartilhar seus problemas. Para o caso das mulheres, é possível abordar questões relacionadas à agressão física e psicológica, por exemplo. Acreditamos que este espaço serve como um impulso para que as pessoas se relacionem melhor dentro e fora do ambiente corporativo, além de conscientizar sobre questões relacionadas ao respeito em casa e em suas relações”, destaca a gerente de pessoas e processos da Viação Águia Branca, Fernanda Peroba.

Além disso, a empresa tem um comitê que discute questões relacionadas às mulheres e conta com a participação da gerente e da CEO da companhia, Paula Barcellos Tommassi Corrêa. O trabalho consiste de uma vertente importante de atendimento psicossocial das funcionárias. 

Na campanha do Agosto Lilás, em comemoração ao combate à violência contra a mulher, o tema escolhido pela Águia Branca foi: excesso só o amor! A iniciativa divulga os canais internos de atendimento e convida a todos a discutirem assuntos relacionados ao enfrentamento das mais diversas formas de violência.

Fernanda Peroba

Gerente de pessoas e processos da Viação Águia Branca

"Até o encaminhamento para a rede de apoio se dá por psicólogas. Já tivemos casos de colaboradoras que sofreram agressão física e psicológica que contaram com toda a ajuda da equipe especializada. A empresa tem um papel importante de estar ao lado de quem precisa de acolhimento"

Orientação psicológica, financeira e jurídica, 24 horas por dia aos colaboradores e familiares faz parte do programa “Conte Comigo” da Eco101,  desenvolvido por todas as unidades do grupo EcoRodovias. O benefício é disponibilizado a partir da parceria da concessionária com a Alelo. Para ter acesso, basta o funcionário ligar para um número do 0800, a ligação é gratuita.

De acordo com a concessionária, a vítima de violência doméstica pode contar com orientação psicológica para superar este momento de dor, orientação jurídica como forma de auxílio e ainda orientação financeira para recomeçar sua vida.

Além do programa “Conte Comigo”, a Eco101 realiza, por meio do Programa Caminhos para Todos, voltado à diversidade & inclusão, uma série de iniciativas que incluem palestras com temas sobre violência contra mulher e outros relacionados. Os eventos estão sendo feitos de forma virtual e tem o propósito de instruir as pessoas sobre o tema.

Já a Aegea, que atua no ramo de saneamento no Espírito Santo, implantou o programa Maria da Penha vai às Empresas nas unidades Ambiental Vila Velha, Serra e Cariacica. A iniciativa é do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) que busca levar ações de conscientização até as organizações que tenham interesse em abordar a violência doméstica com seus colaboradores.

A coordenadora de RH da Ambiental Serra e Vila Velha, Larissa Leal, explica que a parceria com o Poder Judiciário capixaba começou no final de 2019. Primeiramente, foi feita uma abordagem com as lideranças das equipes para disseminar o assunto de forma coordenada com os colaboradores de cada setor.

Larissa Leal

Coordenadora de RH da Ambiental Serra e Vila Velha

"Algumas pessoas ainda não têm a dimensão do problema e não sabem identificar o que caracteriza a violência doméstica. Para isso, desenvolvemos algumas atividades como workshop, palestras e rodas de conversa coordenadas por membros da 1ª Vara Especializada em Violência Doméstica. O objetivo é levar esclarecimento a todos e colaborar com a redução de casos"

Além disso, a empresa utiliza os canais de comunicação internos para trazer à tona com frequência o tema da violência contra a mulher. Por meio destas mensagens, a ideia é estimular a colaboradora nessa situação a procurar ajuda do RH ou do canal de ética, e a companhia ainda oferece apoio para quem quer sair do ciclo de violência.

Outra iniciativa é estimular os colaboradores a informarem a empresa caso saibam de alguma colega, liderança ou subordinada que esteja submetida a uma situação de violência, que pode ser física, psicológica, moral, patrimonial ou sexual.

Há ainda, na Aegea, o Programa de Apoio e Aconselhamento (Papo) oferecido a todos os colaboradores e familiares por meio de um 0800. O atendimento garante um suporte nas áreas financeira, jurídica, social e psicológica.

O Núcleo de Atendimento à Mulher (NAM), da Universidade Vila Velha (UVV), trabalha para que mulheres que vivenciaram ou que tenham passado por qualquer tipo de violência doméstica recebam, gratuitamente, apoio jurídico e psicológico. A iniciativa conta com o apoio do curso de Direito e do Núcleo de Práticas Jurídicas (Nuprajur) da instituição.

Além de amparo legal e emocional, o núcleo trabalha para que as mulheres atendidas também recebam orientações de como desenvolver habilidades que as tornem capazes de gerar sua própria renda e tornarem-se independentes dos homens agressores. O atendimento é aberto às mulheres da comunidade e também para colaboradoras e alunas da instituição.

“Com o atendimento jurídico, é possível obter apoio para o divórcio e pensão alimentícia, por exemplo. Há ainda o atendimento psicológico como forma de acolhimento. Por conta da pandemia, houve uma redução na demanda no ano passado. Atribuímos a isso a dificuldade das mulheres saírem de casa, o que dificulta a procura por ajuda”, declara a professora orientadora do NAM, Hosana Leandro de Souza Dall'Orto.

A pandemia do novo coronavírus fez aumentar consideravelmente os índices de agressões contra as mulheres, como destaca a juíza e coordenadora estadual de Tratamento de Violência Doméstica do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, Hermínia Azoury.

“O isolamento social tem sido um grande desafio para quem trabalha no enfrentamento da violência, pois muitas vítimas estão confinadas com o agressor sem poder sair de casa. Algumas delas, inclusive, enfrentam um difícil cárcere privado. Neste período, tivemos que reinventar as políticas públicas de suporte a essas vítimas, buscar alternativas de apoio para atendimento psicológico, por exemplo”, comenta a magistrada.

Para muitas mulheres, a dependência econômica e financeira são fatores que fazem com que elas permaneçam em uma relação abusiva. É bom lembrar que qualquer pessoa pode denunciar as agressões, até mesmo os vizinhos, por meio do telefone 180.

“Muita gente acredita que a agressão é só física, mas a psicológica é ainda pior, pois a agredida fica com baixa estima e depressão e até deixam de trabalhar. Há ainda a violência moral e sexual até chegar ao extremos, que é o feminicídio. Certa vez, durante um estudo, questionei em uma empresa se após feriado ou final de semana era maior o número de faltas entre as trabalhadoras. Os efeitos podem ser devastadores”, destaca.

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